quarta-feira, 31 de março de 2010

Mais historinhas do cotidiano

Dias cheios, muito estudo, dominó, blábláblá, tiraram minha criatividade.
Por ora, vou só colocar duas historinhas pra bater ponto mesmo.


Pois bem.
No fim de semana, depois de dias tensos no trabalho, o cidadão saiu pra encher a cara. De carro. Como era de se esperar, na hora da volta ele estava chumbado, deveras. Sua direção demonstrava isso, o carro estava andando em zigue-zague.
Porém, mais à frente na pista havia uma blitz. O cidadão tentou dar ré, mas o retorno estava longe. O guarda percebeu essa intenção de fugir, e chamou-o pro teste.
- Boa tarde, o senhor poderia sair do carro para a realização do teste do bafômetro?
O desgraçado não conseguia nem levantar o braço pra abrir a porta, que dirá sair! O guarda, já sentindo o cheiro do dinheiro, o ajudou a sair do carro. E também a mantê-lo em pé, o que estava sendo uma tarefa árdua. No momento que o guarda sacou o bafômetro, ouve-se um barulho de pneus cantando, e nesse momento um caminhão freando bate no fundo do carro do cidadão.
E o guarda:
- Puta merda, e agora? Tenho que ver a situação desse maluco aí... faça o seguinte, pega o teu carro e se pique daqui pra sua casa, e devagar, que eu não faço nada contigo! Agora vaza!
O cidadão só pôde confirmar com a cabeça, pois nem pra responder ele estava em condições. E ele fez o que o guarda mandou, pegou o carro e se mandou. Chegou em casa sem maiores problemas, deixou o carro na garagem do prédio e foi pra casa dormir.
No dia seguinte, a mãe o desperta, a custo:
- Filho, acorda, tenho que te perguntar uma coisa.
- Fala mãe, o que foi?
- O que é que esse carro da polícia tá fazendo na nossa garagem?...


Mais uma:

O cara estava passando na rua, quando ouve uma comoção num beco; era uma prostituta que estava dando à luz. Compadecendo da pobre mulher, resolveu fazer uma boa ação: resolveu passar em uma farmácia próxima e comprar uns pacotes de fraldas.
Ele o fez, e voltou para o beco. Só que várias pessoas haviam se aglomerado em volta da mulher, inclusive um policial, que tentava afastar a todos. O cara tentou passar por ele, mas...
- Qual foi, cara? Tem nada pra você ver aqui não!
- Não, senhor policial, é que quero entregar esse pacote!
- Não vai entregar nada, agora circulando, todos vocês!
- Mas ela precisa desse pacote de fraldas!
- Deixe de teimosia, vai entregar esse pacote a quem?
E o cara, já perdendo a paciência:
- É pra puta que pariu, seu policial!

No dia seguinte, o cara acorda no hospital todo lenhado, com olho roxo e hematomas. E ainda fica se perguntando a razão disso! Após a alta, ele vai prestar queixa na delegacia próxima do incidente. E encontra o mesmo policial na mesa, substituindo o delegado.
- Você de novo?! O que você quer aqui?
- Vim prestar queixa, você não tinha o direito de ter feito o que fez!
- Ah, vá pra puta que te pariu!
- Ahhhn.
A ficha tinha caído.

domingo, 7 de março de 2010

Piada Pronta 002

Post relâmpago.


Um distinto senhor caminhava pela rua falando no celular. E alto, bem alto. Era possível ouvir o que a pessoa no outro lado da linha estava dizendo.
Mas o distinto senhor não parecia muito satisfeito. E então:
- Peraí homem, vou desligar, tô indo pra Lapa!
E no outro lado:
- Pra onde, porra? Pra Lapa?!
- É, Lapa casa do caralho!
E com isso, finalizou a conversa, causando o riso a meio metro de distância, de onde era possível ouvir sua voz.

História verídica.

sábado, 6 de março de 2010

Uma história de praia

Uma historinha feita nas coxas... espero que gostem!


Uma história de praia

Havia certo empresário que sofria de stress. ‘Certo’ porque, na verdade, todos sofrem de stress, mas não escreverei sobre todos, só sobre um certo empresário. Pois bem. Este certo empresário sofria de stress, e injustamente. Era jovem, tinha se formado cedo, conseguido um emprego bom, blábláblá. E ralou pra conseguir isso tudo. Mas sabemos, o sistema não tem pena de ninguém, e com ele não era diferente. Saía cedo de casa e voltava tarde. Dormia e comia mal. A mãe ficava enchendo o saco pra ele dar um tempo, e, após longas discussões, ele ameaçou cortar a pensão dela. Em suma, ele levava uma vida escrota. E pra completar, o carro tinha quebrado em uma bela noite dessas. O mecânico disse que era a ribomba da parafuseta, e que precisava trocar o óleo. O rapaz achava que tinha é que trocar de mecânico, mas, por ora, voltaria pra casa de ônibus. E foi em uma certa tarde, fugindo do trabalho, que ele passou pela praia, e viu alguns surfistas tomando um caldo. Quanto tempo, pensou ele, que não ia à praia. Desde aquele incidente com a tartaruga e aquele galo imenso na cabeça, ele nunca mais pisou numa praia. Mas aquela visão o acalmara. E o deixara inspirado.
Na semana seguinte, com o dinheiro do imposto de renda, ele foi comprar uma prancha. Foi no mínimo exótico: ele de terno e gravata, entrando numa loja onde o vendedor, só de bermuda e cabelão, achou que era pegadinha. Mas já no dia seguinte, um domingo, o executivo saiu com a prancha debaixo do braço direto para o mar. E no fim de cada expediente, lá estava ele, indo de carro (consertado por outro mecânico) para a praia. E ele ia todo empolgado, tentava ficar em pé na prancha, mas caía, era levado pelas ondas, e por fim ridicularizado pelos outros surfistas. Por essas e outras, ele resolveu ir surfar de noite. Era até melhor, porque chegava mais tarde no trabalho, e saía direto para a praia. Depois de um mês, ele conseguiu ficar em pé na prancha e pegar umas marolas. E após um mês, já tirava onda, embora escorregasse vez por outra. E a vida corria normalmente. E embora o jovem empresário estivesse um pouco mais cansado, o stress havia ido embora, junto com o orçamento nada modesto na manutenção da prancha. E assim foi passando o tempo.
Até que um dia ele resolveu se aventurar de manhã. Já não era tão ruim quanto antes, e resolveu arriscar. O mar estava meio revolto naquele sábado, e ele acabou pensando duas vezes antes de entrar. Mas na areia, na borda do mar, havia um grupo de surfistas, com uma expressão apreensiva. O jovem empresário se aproximou.
- O que é que há, meu povo? – perguntou ele.
- Porra, é um bróder nosso, que ficou preso no mar, ali depois das pedras!
- E vocês vão ficar aí, parados?
- Pô, ele foi porque ele quis...
- Bando de broxa. Vamos lá, salvar esse “amigo” de vocês...
- Vai não, cara, o mar tá forte, você só vai se f— mas ele já tinha ido.
E nisso ia juntando mais gente na praia, e na calçada iam aparecendo os jornalistas, além dos curiosos que queriam dar tchau pra câmera. E o empresário lá na água, se fudendo todo, pra chegar onde o cara tava. Afinal, conseguiu.
- Cara!... blub... me ajuda... aqui!
- Sobe aqui, maluco! Rápido, vamos voltar pra areia!
Mas ele percebeu logo que não daria pros dois voltarem na prancha.
- Então volta você! Tava se afogando, pô! Anda logo!
- Porra, e você? Esse mar tá foda, você não vai conseguir voltar!
- Relaxa, fiz uns três anos de natação, dá pra me virar! Agora vai logo!
Mas quem disse? O cara chegou à margem e logo procurou ajuda pro homem que o tinha salvado. Porém, os salva-vidas não conseguiram achar ninguém.
Entretanto, nosso jovem empresário estava bem. Tinha conseguido nadar até a areia, embora tivesse engolido bastante água no processo, e tivesse ido parar a uma praia bem longe do incidente. Mas quando soube que o jovem que tinha salvado estava são e salvo, resolveu voltar pra casa, pensado em como ia recuperar sua prancha.
Na segunda seguinte, o jovem empresário chegou ao trabalho, e mal tinha sentado em sua cadeira, quando recebeu a bomba de um colega:
- O chefe quer falar contigo.
Evidentemente, ele ficou na tensão. “Cacete, foi aquele relatório que me esqueci de entregar. E o chefe ainda prometeu um aumento!”, ele pensava. E se dirigiu para o escritório de seu superior, se borrando de medo.
O chefe saudou-o até que bem:
- Ah, jovem empresário. Como está? Aceita um cafezinho? Tinha uma certa urgência de falar com você. Soube de umas ações recentes suas, que foram um tanto quanto... inesperadas.
E o cara, nada.
- Não foram nem ações. Foi um ato só, que possibilitou sua distinção frente aos outros empregados. Um ato que só deve ter sido feito com muita coragem e audácia.
Aí ele resolveu se confessar:
- Poxa chefe, eu sei, foi aquele relatório que eu devia —
- Você salvou meu filho nesse sábado passado. Tem idéia do quanto isso me aliviou? Não havia mais nada que eu quisesse fazer quando ele chegou em casa do que abraçá-lo, saber que estava bem. Mesmo tendo brigado comigo antes de sair para surfar naquele mar revolto. E fiquei lisonjeado quando ele disse que tinha sido um dos meus empregados. Mas era você.
- O que o senhor quer dizer com isso?
- O que realmente importa agora é que te chamei aqui para agradecê-lo. E também para oferecer uma proposta.
- Ah, sim. Achei que o senhor tinha me chamado pra reclamar daquele relat—
- Estou fazendo um certo esforço para me esquecer desse maldito relatório – disse o chefe por entre os dentes – mas quero falar sobre uma promoção, a sua. Melhor salário, condições de trabalho, escritório próprio, cafezinho decente, melhores secretárias... e claro, mais responsabilidades. Por isso, imagino que terá que desistir... do surfe. Nada mais natural, será incompatível com o seu futuro cargo.
O jovem empresário nem mesmo pensou para responder.
- Sabe, chefe? Eu recuso. Não tenho coragem de fazer isso. Não quando é o surfe que me ajuda a relaxar, a aliviar a tensão do trabalho. Acho que enlouqueceria sem ele. Sou obrigado a recusar, senhor. Mas acho que o senhor devia praticar também.
E saiu da sala, deixando o chefe olhando para a porta, com o olhar vazio.
Algum tempo depois, após recuperar sua prancha com o filho do chefe (“Pô cara, meu pai aliviou pro teu lado? Se ele tiver feito qualquer coisa contigo, eu quebro a cara dele!”) o jovem empresário estava de boa, surfando, até que ele se distraiu com um homem baixo vagamente familiar saindo de um carrão na calçada. E tomou um belo caldo, caiu de cara na areia e a prancha ainda caiu na cabeça dele. Mas tão logo levantou a cabeça, reconheceu a figura. Era seu chefe.
- Sabe, eu pretendia conversar com meu filho, mas ele viu a prancha, e começou a rir. Isso foi semana passada, e até agora, quando olha para minha cara, começa o ataque de riso. Então resolvi pedir ajuda a outra pessoa. E aí, meu brother?... É assim que se diz, não é? Brother...
O jovem empresário piscou e viu melhor aquela figura ridícula, baixa, calva, com os cabelos do peito grisalhos, com uma bermuda completamente fora de contexto, e, pra coroar, ao lado de uma prancha duas vezes maior que seu dono. Ele pensou numa resposta óbvia, mas se limitou a dizer:
- Vambora.