terça-feira, 27 de julho de 2010

Uma tarde no psiquiatra nº01

E vamos inaugurar uma nova série aqui no blog, Uma tarde no psiquiatra!
Periodicamente publicarei novas postagens, como aqueles folhetins do século XIX.
(me senti o Machado de Assis agora)

Espero que gostem, e que ao menos se pronunciassem, vocês parecem um bando de fantasmas, seus putos!


Uma tarde no psiquiatra

- Boa tarde, doutor. Como está?
- Muito bem, obrigado. E você, qual o problema?
- Problema, doutor? Acho que não tenho nenhum, até o momento.
- É o que todos dizem num consultório médico. Ainda bem que você não tem diabetes, senão diria que não comeu nada demais. Enfim, porque te mandaram aqui?
- Até agora não sei bem. Acho que preciso de alguém que ouça minhas conversas, sem reclamar.
- E o que exatamente aconteceu com o último que reclamou?
- Ah, o Ernesto, estávamos conversando sobre contagem de anos, e ele vem me dizer que a década de 90 começou em 1991, como acontece com os séculos! Vê se tem cabimento? Voei no pescoço dele pela audácia.
- Meio radical você, hein? Ainda bem que você não exige muito, é só conversa mesmo.
- Ah, e doutor? As conversas poderiam ser ali no divã? Sempre vi aqueles malucões de filmes tendo altas conversas com o psiquiatra naqueles divãs! Era meu sonho molhado fazer o mesmo?
- Seu sonho era ser maluco? Que intrigante.
- Não, doutor! Divãs são o máximo, sempre quis deitar e conversar em um!
- Como quiser, então; cada doido com sua mania...
- Engraçado, todos os consultórios de profissionais da área do senhor têm um divã. Acho que as lojas de móveis oferecem um desconto pros médicos da psique! Será que oferecem um descontinho pra psicopatas?...
- Sua piada foi deprimente. Só por causa disso, nada de divã essa consulta!
- Ah doutor, qual é? Quer que eu voe no seu pescoço também?
- Experimente, que você leva uma injeção de calmante, cujo efeito só passa depois de uma semana!
- Mas isso aí é Rivotril! Depois de umas horas, estarei pronto pra outra!
- Teremos um problema sério de relacionamento se você continuar sendo enxerido assim.
- Sem problema, doutor. Meu problema é a falta de gente pra conversar.
- O primeiro passo pra resolver o problema é admiti-lo.
- Todo metido a psicólogo fala isso ou é impressão?
- Nossa consulta acabou! Queira se retirar, que você está pagando por plano de saúde e o próximo paciente paga particular!
- Nossa doutor, que grosseria!
- Porra nenhuma, até semana que vem! Passe bem!

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Aula de sintaxe

Coisa de momento. Divirtam-se.


Aula de sintaxe: concordância

A expressão 'filho da puta' é lugar-comum para a maioria dos brasileiros. Se não a usou, coisa rara, por decerto que já a ouviu, e mais decerto ainda, a usará em um futuro próximo.
Pois bem. Quando nos referimos a apenas UM cidadão, utilizamos a expressão raiz, 'filho da puta' mesmo, que é uma situação auto-explicativa. Quem passou por ela sabe.
Agora, quando DOIS ou MAIS cidadãos estão envolvidos, há que se prestar atenção à concordância.
Existem três casos, a seguir:
- FILHOS DA PUTA: utilizado quando os sujeitos em questão são oriundos de UMA ÚNICA PUTA. É algo simples de visualizar, é apenas uma meretriz que não usou camisinha nenhuma vez e teve vários rebentos, que, por sua vez, são chamados FILHOS DA PUTA. Por algum motivo, a expressão mais utilizada;
- FILHOS DAS PUTAS: outra situação simples de visualizar, são VÁRIOS mancebos procedentes de DIVERSAS putas. Não há muito o que explicar. A expressão, proferida em alta voz, costuma causar um ligeiro efeito cômico, visível nas pessoas ao redor. Não tão utilizada quanto a anterior;
- e por último, FILHO DAS PUTAS: expressão menos usada das três, em parte por sua difícil visualização, e também por sua relativa falta de sentido. Na verdade, existe um contexto por trás, em que um único rapaz foi abandonado pelos pais biológicos e amparado por mulheres da vida que habitavam um meretrício. A história gerou a frase 'filho criado pelas putas', que com o tempo, foi reduzida para 'filho das putas'. É uma expressão deveras antiga, e caída em desuso atualmente. Vez por outra, pode-se ouvir um homem da velha guarda proferir a tal. Tenha certeza que o homem conhece o contexto por trás.


E é isso aí. Espero ter esclarecido as possíveis dúvidas. Qualquer coisa, ponha as frases em prática, para as interrogações não prevalecerem.