Mais um capítulo pra vocês!
Uma tarde no psiquiatra
Como estava sem pacientes, o doutor estava assinando alguns papéis e carimbando outros - sendo que os carimbos foram especialmente feitos para exprimir a atual situação dos pacientes, com frases de efeitos como: "caso perdido", "ainda há salvação", "morre virgem", "psicopata crônico - não que ele se importe", entre outros. Nesse momento, ouve o telefone de sua secretária tocar, e seu paciente favorito entrar. Favorito porque seu plano de saúde não cobria tanto tempo de consulta e agora ele tinha que pagar de forma particular. O único da lista de pacientes, por sinal. E ele parecia revoltado. "Aposto que a Milena acabou de avisá-lo sobre a nova forma de pagamento", pensou o doutor com seus botões.
- Doutor, me responda uma coisa. Porque todo gordo é escroto?
O doutor riu com gosto.
- AHHHH, meu Deus, hoje a consulta vai ser boa! Deita aí no divã, rapá!
- Porra, isso é um absurdo. Porque todo gordo é escroto?
- De onde você tirou essa conclusão, meu filho?
- É só ver por aí, doutor! É uma falta de vergonha na cara e excesso de banha! Veja só, Tim Maia era um escroto. Tá, eu admito, adorava as músicas dele quando era pequeno, mas fui crescendo e sabendo das coisas que ele fazia... era um puta escroto!
- Ok, ok. Mais algum?
- Deixa ver.... João Gordo, escroto até no nome. Agora virou hippie, o que o deixa ainda mais escroto!
- Essa aí eu concordo, aquele Gordo Freak Show era uma... bem, mais algum em mente?
- Faustão. Tudo bem, ele não é mais gordo, parece uma tartaruga sem casco, mas ele já foi gordo, então não deixa de ser escroto.
- A lista está ficando previsível.
-Tem o Jô Soares. Todo mundo vive falando bem dele, sei lá, não gosto dele. Se fosse bom mesmo, o programa passava mais cedo. É gordo e escroto.
- Mas ele é engraçado.
- Aquele César Menotti e Fabiano! Não sei qual dos dois é o gordo da dupla, mas um deles é escroto!
- Vamos lá, você consegue melhor que isso.
- Estou ficando sem opções. Victor Wooten, um escroto no baixo, no bom sentido!
- Quem? Essa daí foi apelação!
- Garfield, doutor! Gato é um bicho escroto por natureza, e gordo então! A pior combinação do mundo! Um gato gordo e escroto!
- Eu podia ser um membro do PETA e você nem saberia...
- O senhor Barriga! É escroto porque é gordo e pertence à terceira pior raça que existe, cobradores de aluguel!
- Quais são as outras duas?
- Taxista e cobrador de ônibus. O senhor já viu aqueles sapatos de liquidação dos cobradores, doutor? Não é uma visão muito agradável...
- Huum, justa causa. Está melhorando.
- Vejamos... Geddel, porra! Quer gordo mais escroto que ele? Podia ter mandado um auxílio praqueles desgraçados no deslizamento no Rio, mas não! Enviou a porra do dinheiro pra um monte de prefeitura nos interiores fins-de-mundo da Bahia! Escrotidão do caralho! Ele devia ir pro inferno com aquele outro escroto, o ACM!
- Diga isso não, eu ia votar nele...
- Qual é, doutor! Agora que eu vejo... e essa barriguinha aí? E aquele aumento na conta no fim do mês, hein? O senhor também é um belo de um escroto!
- Muito bem, acabou o tempo da consulta. Passe bem, puto!
- O quê? Mas que porra, não posso nem te criticar, que sou expulso do consultório!
- Anda logo, cacete, tá na hora do seu remédio! E separe o dinheiro da consulta, ouviu!
sexta-feira, 20 de agosto de 2010
terça-feira, 10 de agosto de 2010
Uma consulta no médico
Antes de mais nada, gostaria de dedicar esse texto à minha amiga SÁFIRA (com acento mesmo), que aniversariou há precisamente um mês, e entrego esse texto com atraso!
Espero que gostem, e principalmente você, Saf!
Uma consulta no médico
Hereditariedade é uma merda. O cara, vivendo numa boa, fazendo a corridinha dele num fim de semana qualquer, de repente ficou com a vista escurecida e caiu no chão. No pronto-socorro, ele finalmente acorda, com a mulher e o pai ao seu lado. Este, por sua vez, conta-lhe o segredo, guardado por tanto tempo: ele tinha um tipo de hipertensão levemente acentuado, assim como toda a família por parte de pai.
- Pô, pai! Como é que o senhor nunca me contou isso? - perguntou Augusto, o cara do início do texto.
- Bem, filho... não tinha como saber se você teria ou não. O último que teve foi seu bisavô, que teve um infarto pouco antes de ganhar a São Silvestre de 44. Foi tão triste, ninguém parou pra ajudá-lo, e ele só conseguiu chegar em ducentésimo quinto se arrastando.
- Tá, mas o senhor e meu avô nunca sentiram nada?
- Até que não, eu e ele também competimos várias vezes, e nunca teve nada. A não ser da vez que seu avô desmaiou na largada em 79, mas suspeito que foi uma rabada que ele comeu no dia anterior.
- Caramba, o que eu faço agora? Nunca mais vou poder comer carne seca na vida?
Então a mulher dele, em silêncio até então, disse:
- Não se preocupe, Guzinho. Já marquei com um cardiologista pra ver o seu estado.
- Guzinho, é? Bonito apelido, filho. É assim que a Ivana te chama na cama?
- Silêncio, coroa. Ou você não recebe mais sua aposentadoria.
- Ok, você venceu.
Então, duas semanas depois:
- Amor, quer que eu entre com você no consultório?
- Não precisa... e eu não era Guzinho até anteontem, quando meus pais vieram nos visitar?
- Ah, aquilo foi só pra te envergonhar na frente deles.
- Então tá. Você fica aqui fora.
Adentrando o consultório, Augusto deparou-se com um médico nos seus 50 anos, cabelo rareando. Era troncudo, e dava uma impressão de vitalidade. E de algo mais, que ele não soube dizer.
- Boa tarde, doutor.
- Boa tarde, meu jovem! Como vai esse coração? Ah, espera aí... se estivesse bom, você não estaria aqui!
Agora Augusto soube dizer o que pensara. Ele não só tinha cara de sacana como o era.
- Que cara é essa, meu jovem? Está com um princípio de infarto?
- Não, doutor Ado... na verdade, é o seguinte... - e expôs a situação ao médico.
- Deixe-me ver se entendi. Toda a sua família por parte de pai é hipertensa, e só te contaram isso agora, quando teve uma complicação?
- Exatamente.
- Ha! Provavelmente pra você não ter um ataque antes da hora!
- ...
- Sossegue, meu rapaz! Marcarei uma série de consultas, pra ver se um tratamento resolve!
- Série de consultas? E quantas seriam?...
- Ah, quantas forem necessárias!
- Oh, céus...
E assim foram transcorrendo as consultas, sempre no mesmo tom.
- Faça um exame de sangue, mas não veja o resultado. Pode ser demais pro seu coração.
- Se eu fizer um corte aqui, o sangue vai sair de uma forma tal que vai esguichar na sala de espera. Olhe a pulsação!
- Você, quando está envergonhado, fica com a cara vermelha ou continua branca desse jeito? Porque eu tenho a ligeira impressão de que seu coração não realizaria essa façanha!
- Seu Augusto, me responda com sinceridade, sua mulher é fiel? Talvez seu coração não encare uma dor de corno!
- Olha Augusto, quando você ficar velho, não recomendo o uso de Viagra. O sangue iria todo pro pênis e não sobraria mais nada pra ser bombeado!
- Diz aí, pra você, como é a sensação de o sangue subir à cabeça e desmaiar por causa disso?
Até que o dia da consulta final chegou, após seis meses. Augusto não escondia sua felicidade. Mas o doutor parecia meio resignado.
- É, seu Augusto, parece que você enfim se livrará de mim! A partir de agora é só seguir a medicação e estará tudo em ordem!
- Que ótimo, doutor. Mal consigo conter minha felicidade - disse Augusto com um sorriso cínico.
- Pois bem, você atenuou bastante o seu problema. Vamos ver se o mesmo acontece comigo.
- Porque isso, doutor? Qual o caso?
- Parece que minha próstata anda capengando. Só espero que isso não se agrave muito daqui pra frente.
- Huuuum, entendo. Obrigado pelo tratamento, doutor Ado.
- Que é isso, meu filho. Vá pela sombra, e não se excite demais!
- Não se preocupe, vou me lembrar disso.
O que ninguém esperava é que Augusto desistisse de sua consultoria em favor de uma carreira na proctologia. Era realmente estranho. E ele ascendeu rápido, oito anos depois de formado, já tinha consultório próprio, com o qual conseguiu certo renome. Atendia a todos com a mesma sobriedade, mas interessou-se um senhor, cardiologista aposentado, com problemas na próstata.
- Bom dia, doutor Augusto. Como vai?
- Vou bem, doutor Ado, muito bem...
- Espera aí, como sabe que sou doutor?... Ah, lembro de você! O garoto do coração fraco!
- Esse mesmo, o que você costumava sacanear toda consulta.
- Ora, vamos. Era só pra descontrair, coisa-à-toa.
- Claro que sim. Mas realmente não tinha como esquecer essas coisas-à-toa. Tanto que foi por causa delas que virei proctólogo.
- O que é isso, meu rapaz... esqueça isso, é coisa do passado.
- Já esqueci, já esqueci... não se preocupe. Agora vamos ao seu exame de toque.
- Ei, peraí! Hoje é só uma consulta rotineira! E pra quê você está colocando essa luva de ferro?
- Calma aí, doutor Ado. Se o senhor não tivesse nada, não estaria aqui. E essa belezinha aqui amansa o paciente rapidinho, dando tempo de sobra pra procurar o problema aí atrás. Agora, é só ter paciência, que nesses seis meses de tratamento, cuidarei dessa sua próstata! - e deu uma risada maníaca.
- Oh, céus...
Espero que gostem, e principalmente você, Saf!
Uma consulta no médico
Hereditariedade é uma merda. O cara, vivendo numa boa, fazendo a corridinha dele num fim de semana qualquer, de repente ficou com a vista escurecida e caiu no chão. No pronto-socorro, ele finalmente acorda, com a mulher e o pai ao seu lado. Este, por sua vez, conta-lhe o segredo, guardado por tanto tempo: ele tinha um tipo de hipertensão levemente acentuado, assim como toda a família por parte de pai.
- Pô, pai! Como é que o senhor nunca me contou isso? - perguntou Augusto, o cara do início do texto.
- Bem, filho... não tinha como saber se você teria ou não. O último que teve foi seu bisavô, que teve um infarto pouco antes de ganhar a São Silvestre de 44. Foi tão triste, ninguém parou pra ajudá-lo, e ele só conseguiu chegar em ducentésimo quinto se arrastando.
- Tá, mas o senhor e meu avô nunca sentiram nada?
- Até que não, eu e ele também competimos várias vezes, e nunca teve nada. A não ser da vez que seu avô desmaiou na largada em 79, mas suspeito que foi uma rabada que ele comeu no dia anterior.
- Caramba, o que eu faço agora? Nunca mais vou poder comer carne seca na vida?
Então a mulher dele, em silêncio até então, disse:
- Não se preocupe, Guzinho. Já marquei com um cardiologista pra ver o seu estado.
- Guzinho, é? Bonito apelido, filho. É assim que a Ivana te chama na cama?
- Silêncio, coroa. Ou você não recebe mais sua aposentadoria.
- Ok, você venceu.
Então, duas semanas depois:
- Amor, quer que eu entre com você no consultório?
- Não precisa... e eu não era Guzinho até anteontem, quando meus pais vieram nos visitar?
- Ah, aquilo foi só pra te envergonhar na frente deles.
- Então tá. Você fica aqui fora.
Adentrando o consultório, Augusto deparou-se com um médico nos seus 50 anos, cabelo rareando. Era troncudo, e dava uma impressão de vitalidade. E de algo mais, que ele não soube dizer.
- Boa tarde, doutor.
- Boa tarde, meu jovem! Como vai esse coração? Ah, espera aí... se estivesse bom, você não estaria aqui!
Agora Augusto soube dizer o que pensara. Ele não só tinha cara de sacana como o era.
- Que cara é essa, meu jovem? Está com um princípio de infarto?
- Não, doutor Ado... na verdade, é o seguinte... - e expôs a situação ao médico.
- Deixe-me ver se entendi. Toda a sua família por parte de pai é hipertensa, e só te contaram isso agora, quando teve uma complicação?
- Exatamente.
- Ha! Provavelmente pra você não ter um ataque antes da hora!
- ...
- Sossegue, meu rapaz! Marcarei uma série de consultas, pra ver se um tratamento resolve!
- Série de consultas? E quantas seriam?...
- Ah, quantas forem necessárias!
- Oh, céus...
E assim foram transcorrendo as consultas, sempre no mesmo tom.
- Faça um exame de sangue, mas não veja o resultado. Pode ser demais pro seu coração.
- Se eu fizer um corte aqui, o sangue vai sair de uma forma tal que vai esguichar na sala de espera. Olhe a pulsação!
- Você, quando está envergonhado, fica com a cara vermelha ou continua branca desse jeito? Porque eu tenho a ligeira impressão de que seu coração não realizaria essa façanha!
- Seu Augusto, me responda com sinceridade, sua mulher é fiel? Talvez seu coração não encare uma dor de corno!
- Olha Augusto, quando você ficar velho, não recomendo o uso de Viagra. O sangue iria todo pro pênis e não sobraria mais nada pra ser bombeado!
- Diz aí, pra você, como é a sensação de o sangue subir à cabeça e desmaiar por causa disso?
Até que o dia da consulta final chegou, após seis meses. Augusto não escondia sua felicidade. Mas o doutor parecia meio resignado.
- É, seu Augusto, parece que você enfim se livrará de mim! A partir de agora é só seguir a medicação e estará tudo em ordem!
- Que ótimo, doutor. Mal consigo conter minha felicidade - disse Augusto com um sorriso cínico.
- Pois bem, você atenuou bastante o seu problema. Vamos ver se o mesmo acontece comigo.
- Porque isso, doutor? Qual o caso?
- Parece que minha próstata anda capengando. Só espero que isso não se agrave muito daqui pra frente.
- Huuuum, entendo. Obrigado pelo tratamento, doutor Ado.
- Que é isso, meu filho. Vá pela sombra, e não se excite demais!
- Não se preocupe, vou me lembrar disso.
O que ninguém esperava é que Augusto desistisse de sua consultoria em favor de uma carreira na proctologia. Era realmente estranho. E ele ascendeu rápido, oito anos depois de formado, já tinha consultório próprio, com o qual conseguiu certo renome. Atendia a todos com a mesma sobriedade, mas interessou-se um senhor, cardiologista aposentado, com problemas na próstata.
- Bom dia, doutor Augusto. Como vai?
- Vou bem, doutor Ado, muito bem...
- Espera aí, como sabe que sou doutor?... Ah, lembro de você! O garoto do coração fraco!
- Esse mesmo, o que você costumava sacanear toda consulta.
- Ora, vamos. Era só pra descontrair, coisa-à-toa.
- Claro que sim. Mas realmente não tinha como esquecer essas coisas-à-toa. Tanto que foi por causa delas que virei proctólogo.
- O que é isso, meu rapaz... esqueça isso, é coisa do passado.
- Já esqueci, já esqueci... não se preocupe. Agora vamos ao seu exame de toque.
- Ei, peraí! Hoje é só uma consulta rotineira! E pra quê você está colocando essa luva de ferro?
- Calma aí, doutor Ado. Se o senhor não tivesse nada, não estaria aqui. E essa belezinha aqui amansa o paciente rapidinho, dando tempo de sobra pra procurar o problema aí atrás. Agora, é só ter paciência, que nesses seis meses de tratamento, cuidarei dessa sua próstata! - e deu uma risada maníaca.
- Oh, céus...
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