Depois do carnaval, todos têm história pra contar... resta-nos ouvir, acreditar ou não e rir da abobrinha alheia.
Essa aqui não é exatamente do carnaval, mas é algo próximo, acaba dando no mesmo. Aproveitem!
Dia desses, voltando de viagem com o pessoal no ônibus, todos começaram a contar suas histórias de carnavais passados, cada uma mais cabeluda que a outra.
Daí veio o Hugo com a dele. Inclusive era uma que todos conheciam como tinha acabado.
- É aquela história que você apareceu no Se Liga Bocão, cara?
- Essa mesma. Sei que eu tava lá na micareta de Feira de Santana, e de gaiato ainda por cima, porque tinha dito aos meus pais que ia passar a semana no sítio do tio de um colega meu.
- Mas você não tinha comprado o abadá pra dois dias?
- Até foi, mas eu e esse meu colega não conseguimos vender o de sábado. Então, já estávamos lá por perto mesmo... acabamos indo. Nem queríamos, né? E ainda tinhamos a casa do sítio só pra gente, o tio desse meu colega tinha ido pra uma feira de gado num interior estranho aí.
- Que sorte do caralho!
- Não é? Aí pegamos e fomos. No meio, o vocalista cantou pros homens tirarem a camisa. Como nessa época eu ainda tava malhando, e com as meninas da micareta me dando uns beliscões, curti e fiquei do jeito que tava, mesmo depois do vocal ter pedido pra colocar a camiseta de volta.
- Ninguém encheu o saco não?
- Teve o segurança viado, que ficou em cima pra eu botar a camiseta de volta. Dei o zig nele e tirei de novo. Aí fiquei lá, tirando onda, as menininhas tudo de olho, até que teve uma que saiu da corda e me chamou pra um beco escuro logo em frente.
- Você não perde tempo!
- Pois é, mas aí veio o barril... o mesmo segurança veio encher o saco novamente. "Porra playboy, tá de sacanagem com minha cara? Vou te levar pra delegacia pra ver se você bota essa merda de camisa!" De nada adiantou insistir que eu ia ficar quieto, ele me levou pra lá mesmo.
- Oxe, assim, sem mais nem menos?
- Aonde! O infeliz me deu uma chave de braço tão escrota, senti o olho encher de lágrima de tanta dor. E o fdp me levou até lá assim. E quando eu chego lá, pra piorar minha situação, quem tava lá?
- Quem?
- Bocão, fazendo uma cobertura ao vivo da delegacia principal!
- CARALHO, HSUAHSUAHUSAHSAHAUSH! E aí, teve o quê?
- O segurança não largava meu braço de jeito, e eu lá, prestes a chorar pras câmeras. E o viado ainda vira pra mim e fala: "Aqui temos um filhinho de papai que, querendo aparecer longe de casa, veio ficar de sacanagem na cidade alheia!" E nisso eu querendo esconder meu rosto. "MOSTRA A CARA, PLAYBOY! Tá com medo agora? Lá no meio de todo mundo você tava se mostrando, porque aqui você não quer?" Minha sorte é que apareceu um outro maluco que tinha tentado assaltar um policial à paisana bem nessa hora.
- Puta azar, mêu.
- Daí eu tentei me sair de fininho, fingir que não era comigo, coloquei as mãos nas costas e tal. Só que o policial que me trouxe achou que eu queria ir-me embora, e me deu outro puxão no braço. E foi aí que a câmera me filmou.
- Que disgraça, como é que eu não vi isso?
- Pois é, mas ainda não acabou. Fiquei um tempinho lá na delegacia, preenchi o inquérito, e o delegado me soltou, só queria me dar um susto, o viado. Aí encontrei o bróder e fiquei quieto o resto da micareta, só de medo.
- Tsc. Você deve ter ficado num cagaço da porra, depois dessa. E aí, teve mais o quê?
- Nisso, voltamos pro sítio, de madrugada. Resolvemos vadiar um pouco mais, dei uma desculpa esfarrapada pros meus pais que não tinha como voltar antes de terça. Nisso, tava eu almoçando placidamente na segunda quando o telefone do sítio toca. O bróder atendeu.
- O quê? Não, tia, ele tá aqui comigo, tá almoçando! Preso? Que história é essa? - e ele ficou ouvindo por uns 15 segundos antes de explodir de rir. Aí ele me passa o telefone - Velho, você precisa falar com sua mãe. Ela acha que você tá preso. HSAUHSAUSHASUAHSAUSHAUSHASUAHSAUSHAUSHAS!
- Oi, mãe? Qual foi?
- MEU FILHO, você está bem! Que porra é essa, de você estar na micareta de Feira de Santana? Você disse que ia fazer outra coisa!
- Errr, bem, apareceu uma coisa pra faz-
- Não me venha com essa! Me aparece seu primo aqui se mijando de rir, dizendo pra eu ligar a televisão no Bocão, e quem eu vejo lá? VOCÊ, com uma cara de quem apanhou!
- ...
- Cadê, porra? Fale comigo, quero explicações!
- O quê, mãe? Acho que a ligação tá ruim, depois a gente se fala!
- A ligação tá otim- e aí desliguei. Tomar esporro via telefone e outro ao vivo é uma bosta. Prefiro só ouvir um.
- Rapaz, a galera deve ter gastado depois...
- Ô, se gastou. Meu pai, o filho da puta de sempre, gravou a zorra do programa, e mostrou pro prédio inteiro. Foi só eu chegar de Feira que o pessoal encheu o saco por umas duas semanas. Isso até nego jogar no youtube. Foi foda.
Risos eternos.
- Vou procurar essa porra e jogar na comunidade da turma!
- Acredite, teve coisa pior. Um tempão depois, tava comendo água com o pessoal na rua, aí fui jogar a latinha no chão prum moleque pegar. Aí ele ficou me encarando.
- Qual foi, moleque? Tá me encarando, qual é a sua?
- Rapaz. Você já apareceu no Bocão, não foi?
Mais risos eternos.
- Porra, isso foi a morte. E os caras tudo atrás de mim, rindo pra caralho. Depois desse dia, decidi nunca mais ir pra micareta de Feira.
- O que nunca aconteceu, no ano seguinte você foi!
- É, tem essa, mas nada de tirar a camisa de novo.
- Claro, com essa barriga de cachaça! Que mulher é essa que ia te querer?
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