quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Discurso sobre a Propagação da Discórdia e seus responsáveis, parte 1

Depois de um tempão sem um guia sequer, estamos de volta!
Aproveitem essa primeira parte!


Discurso sobre a Propagação da Discórdia e seus responsáveis

Inicialmente, define-se discórdia aqui como um estado de espírito, individual ou coletivo, onde o objeto de estudo em questão encontra-se confuso, indignado, estarrecido, aborrecido, surpreso ou desconfiado em função de uma história, revelação, observação - nem sempre condizentes com a verdade, diga-se - contada por um segundo indivíduo com o intuito de deixá-lo em algum dos estados supracitados, intencionalmente ou não; porém, na maioria das vezes, intencionalmente. Quando este segundo indivíduo possui a intenção de contar uma história ou passar uma conversa de modo a alterar o estado de espírito do primeiro, diz-se que ele está propagando a discórdia.
Apesar dessa apresentação formal, a discórdia é bastante conhecida por todos; é considerada um lugar-comum na sociedade atual. Todo o tempo somos apresentados a novas histórias, causos, fofocas, seja por meio de revistas, internet, séries e programas de TV, novelas - cujos enredos nada mais são que amontoados de clichês e discórdias -, entre outros. Porém, mais importante que tudo isso são as pessoas diretamente responsáveis pela propagação da discórdia; você certamente conhece um, independente de ser próximo ou não.
A intenção desse estudo é discriminar os diversos tipos de propagadores, bem como suas intenções.

Primeiramente: quem são os propagadores de discórdia e o que pretendem de verdade. Podemos considerar dois tipos bastante específicos, a saber:
- Primeiro tipo: aquele que dissemina a discórdia com a intenção de tirar proveito da situação, de corromper mentes alheias, de instigar picuinhas e brigas no seio familiar, de destruir a reputação alheia... enfim, com más intenções. Vilãs de novela são casos clássicos, principalmente as mexicanas. Exemplos: a vilã principal, tentando salvar seu noivado arruinado com o mocinho, tenta dissuadi-lo de se envolver com a mocinha pobretona: "não se envolva com essa pobretona! Ela não te quer de verdade, só quer saber de seu dinheiro!" Ou então a faxineira fofoqueira que adora olhar pela fechadura das portas, que acabou descobrindo que a patroa anda se "engraçando" com o jardineiro e fica soltando indiretas pro patrão: "Eu daria mais atenção ao jardim, seu Flávio Raul... acho que o jardineiro anda muito ocupado fazendo outras coisas!". Fora do ambiente da ficção, temos, por exemplo, o sacana que dá em cima da gatinha mesmo sabendo que a mesma tem namorado, porém sem saber que este é faixa-preta em duas artes marciais quaisquer; ou então aquele funcionário vadio do escritório cuja única ocupação recentemente é soltar piadinhas maldosas sobre o novo funcionário do RH que, para o seu desconhecimento, recebeu a incumbência de dar notas as seus colegas de acordo com a produtividade e relações interpessoais.
- Segundo tipo: é aquela pessoa que propaga a discórdia... por propagar, pra perturbar, tirar sarro, causar constrangimento, soltar indiretas; enfim, por motivos idiotas ou por motivo nenhum, sem a intenção de lesar ou prejudicar a vítima - ou não intencionalmente, pelo menos. Por razões de ordem prática, é o tipo mais comum e conhecido, porque todo mundo tem aquele/a amigo/a inconveniente que solta os comentários mais impróprios nas horas mais indevidas diante das pessoas mais inapropriadas. Às vezes acontece de o álcool entrar e as verdades saírem, porém o mais comum é que a discórdia seja espalhada na sobriedade. Não raro, é comum que o escárnio da vítima seja motivo de diversão para os propagadores. Exemplos existem aos montes: aquele bróder novo que chega na roda de amigos tentando se enturmar, até que um deles solta: "um dos caras que está nessa roda é viado!", e outro emenda: "e todo mundo aqui sabe quem é!"; ou então aqueles dois caras à distância na praia na excursão do colégio, bebendo um líquido não-identificado advindo de uma garrafa cujo conteúdo não pode ser visualizado - por acaso, ambos são menores de idade -, até que são abordados por um terceiro indivíduo, perguntando o que estão bebendo. "É suco! Bebe aí, maluco! Mas vá devagar porque tá muito doce!", e depois disso este terceiro indivíduo passa as horas subsequentes rindo em voz alta, falando besteira e tropeçando nos próprios pés; ou mesmo o colega do colégio que, ao notar que tem um pessoal entrando no auditório do andar, pergunta pro bróder mentiroso, na inocência: "o que tá rolando no auditório agora?" e ouve como resposta: "é um coquetel, aberto pra todo mundo! Acho que tem uns salgados ótimos lá dentro!", só pra descobrir que, na verdade, é uma reunião dos monitores e professores sobre a conduta inadequada dos estudantes, e que, o que é pior, não havia nenhum salgado.

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