domingo, 14 de outubro de 2012

História do cotidiano

Tá um pouco grande, mas vale a pena, gente! Espero que gostem!

História do cotidiano

- Uma festa, é? Como vai ser esse esquema aí?

- Sei lá, véi. Depois de uma semana inteira de palestras e mini-cursos, quero mais é ficar nu.
Depois de uma semana que mais pareceu um mês, finalmente a Semana de Engenharia da UFS tinha acabado.
- Porra, e a organização só anuncia festa no final. Bem que podia ter uma durante a semana, não acham?
- Isso não ia dar certo. Ia terminar que nem um congresso da vida, que todo mundo enche a cara de madrugada, e dorme durante a parte acadêmica.
- E isso é ruim? Bem que eu queria ter um bom motivo pra dormir naquela palestra de Termodinâmica Aplicada!
- Sim... já assinamos nossos nomes, podemos ir? Quero beber.
E os três saíram do auditório, sendo seguidos por toda a fileira ao lado deles, e ignorando sumariamente o piti do palestrante.

- Sílvio, fale com sua prima da festa! Agora que ela fez 18 anos, vai querer se passar junto com a gente!

- Com a gente uma porra, Ana. Me tire desse bolo. Não fui eu que fiquei bebo e dancei na marcha do ônibus quando o motorista parou no fim de linha anteontem!
- Esqueça isso! E aí, vamos onde hoje? Acho que o Victor pode dar uma volta com a gente hoje!
- Não era ele só andava cheio de coisa pra fazer, que o escritório estava consumindo a vida social dele?
- Acho difícil, Guto... ele sempre foi muito organizado, duvido que tenha deixado acumulado tanto serviço.
- Se é assim, ele bem que podia ir com a gente pra festa amanhã!
- Não sei... ele não curte muito essas coisas, sair tarde pra festa, balada. Ele nem bebe direito, só lembro de tê-lo visto alto uma única vez.
- Não é o advogado? Eu lembro de você ter dito que ele era virado na cachaça! Se passou e as porra em um forró lá do interior, que a cerveja era de graça!
- Ah não, esse daí é meu ex...
- Já vi que você adora a companhia de advogados. Eu faço engenharia, mas faço direito!
- Falando em fazer direito... Juliana já descobriu quem foi que "visitou" a barraca dela ontem de madrugada?
- Oxe, como é que ela não sabe?
- Acho que ela estava visitando outra barraca na ocasião... e largou a dela aberta.
- Que situação. Deixaram algum presente pra ela lá?
- Rapaz, ela me disse que nem olhou e nem vai fazer isso, pra não tomar susto. Disse que vai entregar do jeito que está.
- Climão o dela, pegou a barraca emprestada, deixou aberta, a galera fez uso e não vai fazer nem uma limpeza de leve...
- Enfim, vamos procurar saber dessa festa agora à noite!

Mais tarde...

- Festa sensual? Como assim?
- Aparentemente em trajes sumários, mínimos ou sugestivos. Curti a idéia.
- E você pretende ir como, Sílvio? Toda vez que você ficava em água, ameaçava ficar nu, e só ameaçava. Quer ir de sunga, por acaso?
- Taí, porque não? Vou fazer um trato com os machos aqui, todo mundo tem que ir e ficar só de sunga!
E nisso, Victor tinha acabado de chegar com Ana.
- E aí, gente? Já acabou a Semana de Engenharia pra vocês, não foi?
- Na verdade, tem uma festa de encerramento hoje, e você está convidado a ir!
- Ah, nem sei se rola... nem tô na vibe.
- Bora, Victor. Já conversamos sobre isso lá em sua casa! Vai ser resenha pura!
- Ana tava falando de sua fama de bom moço! Deixe disso, rapá! Ninguém lá te conhece, você pode se passar à vontade!
- Sei lá, acho que não vou ficar à vontade...
- Que nada, é só encher a cara que você caga pra todo mundo! Você não vai nem lembrar depois!
- Fora que eu não posso ir pra esses lugares. Eu sou um advogado de respeito! Só agora consegui me estabelecer no escritório onde estou trabalhando, tenho uma reputação a zelar!
- Mimimimimi.
E passaram a tarde tentando persuadir o cidadão. Só pararam quando a prima de Sílvio apareceu com a roupa de ir pra festa: uma fantasia de diabinha.
- Meu Deus, Marizinha! Você vai sensualizar todo mundo lá!
- Espero que tenha álcool nessa festa, isso sim! Passei 18 sem beber, quero tirar o atraso! Vão se arrumar que não quero perder a festa!

Assim, à noite, a organização disponibilizou alguns ônibus pra todos irem à festa. E naturalmente, o pessoal estava esperando Sílvio chegar.

- Sempre o úlitmo a se arrumar! Se enrolação matasse, você já teria morrido mais de uma vez!
- Me salte, Ana! Cadê Victor?
- Foi comprar uns engovs pra agora à noite...
- Ele é alguma moça? Demorei porque passei no supermercado pra comprar isso aqui - e mostrou um saco com três vodkas de qualidade duvidosa dentro.
- Não é daquelas da garrafa de plástico não, né?
- Você quer me fuder, então me beije. Mas essa daqui tava na promoção, é perfeita!
- Vamos entrar logo que esse é o último ônibus!

Aparentemente, o lugar era bem longe, porque passaram pelo menos meia hora no ônibus. Assim sendo, não perderam tempo.

- Eu aposto 10 reais que você não vira essa garrafa!
- Agora que você fala isso, né? Na sua vez, "o advogado de respeito" não teve bolas pra tomar duas doses!
- Ô primo, acho uma boa idéia você ficar de olho em Ana... ela já começou a fazer pole dance ali no ferro, e tem um cearense comendo ela... com os olhos.
- CLIMA BOM O DESSE BUZU! Vou ali me juntar a ela, pro cearense ficar com ciúmes!

Nisso que Ana voltou pra junto do pessoal, o cearense foi junto, e começou a puxar umas conversas estranhas.

- Mas as coisas são muito caras aqui, véi. O custo de vida lá é assim, ó! Quer saber quanto que custa uma garrafa dessas lá em Fortaleza?
- Não, maluco.
- A metade do preço daqui! Um absurdo! Fui comprar umas cana pra ficar louco nessa festa, não deu pra metade! Aliás, lá em Fortaleza é tudo mais barato que aqui, e...
Aí Victor, que até então estava apenas falando besteira com Guto, virou pro cidadão e:
- Ô MERMÃO! Você faz engenharia ou economia, porra? Fica aí reclamando do preço das coisas aqui em Sergipe, pra que veio pra cá, então? Volte pra sua merda de cidade e enfie um macaco no cu!
Silêncio constrangedor no ônibus. Com a exceção de Guto e Sílvio, que rolavam de rir em silêncio.
- Man, eu vou me divertir com esse maluco com álcool no juízo logo mais. Sinto isso!

Pois bem. A festa era em uma fazenda consideravelmente distante da cidade, uma vez que foi o tempo de duas garrafas e meia de vodka terem sido consumidas. O pessoal decidiu matar a última garrafa antes de entrar. E enquanto todos tomaram um gole com um esforço enorme, Victor simplesmente entornou o que restava e entrou. Sílvio e Mari se entreolharam com um sorriso maliciosos, e Guto perguntou a Ana:

- Ele já esteve assim alguma vez antes? Eu acho que não...
- Rapaz, ainda estou de cara com aquele grito que ele deu no buzu. Principalmente porque foi no meu ouvido. Estou preocupada, mas ao mesmo tempo sinto que vou rir muito essa noite.
- Pelo visto todos pensamos a mesma coisa. Deixa lá, daqui a pouco ele aparece de novo.

Meia hora depois:

- Que merda, Sílvio! Desde o primeiro dia nessa cidade você ameaça tirar a porra da roupa e ficar só de sunga! Quer ficar nu, fique! Só não encha mais meu saco com essa conversa!
- Você ficaí falando, mas tá de sunga também! Quero ver se aquele sacana veio de sunga também...

E nesse momento, começa a tocar o pagodão, e surge Victor, loucasso, e só de sunga!


- Ahhhhh Victor! Seu clima é o melhor do universo! E aquela conversa de ser um advogado de respeito?

- Com uma reputação a zelar? Com medo de fazer merda na frente dos outros?
- Ah, foda-se! Ninguém aqui me conhece! TÔ DE BOA!
Dizendo isso, se jogou na piscina que ficava próxima do som.
- Véi. Cadê Ana pra presenciar essa cena?
- Deve estar perdida nos mato aí, com aquele cearense. E por sinal, cadê Marizinha?
- IH, caralho! Sabia que tinha esquecido de alguma coisa!
- Deve estar perdida nos mato também. Deixa a menina, rapá. Acabou de fazer 18, tá na época de fazer merda...

Dito isso, aparece ela, com a fantasia toda em desalinho.
- Porra é essa, véi? Quando Guto falou dos mato, não imaginei que ele estivesse falando sério!
- Tem um menino da delegação de vocês, eu acho, estava muito engraçado com aquela roupa toda coladinha! Mas ele me soltou um "TE QUIERO MUCHO" que eu não resisiti.
- Dezoitão em alto estilo, hein?
- Mas sim, teve alguém que se jogou na piscina? Perdi tanta coisa da festa assim?
- Não, imagina...
- Alguém trouxe máquina? Não? Namoral, eu preciso me lembrar dessa festa depois pra deixar registrado... Sílvio, quando chegarmos em sua casa, me lembre de pegar papel e caneta pra escrever isso! Hã? Cadê ele?
- Acho que ele foi cair na piscina também... ou então se envolver com alguma ruiva.
- Só tem maluco nessa porra. Enfim, Marizinha, você se importa de segurar minha carteira? - e tirou as calças pra cair na piscina também.

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