sábado, 3 de março de 2012

Reflexão sobre os bailes de formatura

Enfim, um post sério.


Reflexão sobre os bailes de formatura

Decidamente há uma atmosfera estranha nos dias entre a última aula na faculdade, a última prova, a missa, a colação de grau, e por fim, o baile. Possivelmente uma sensação de "cair na real", de nunca mais ter que assistir as aulas desse ou daquele professor FDP, de nunca mais passar pela tensão de receber uma prova, de nunca mais ir pro bar da faculdade após o resultado final do semestre, de passar por uma solenidade juntos, e, finalmente, participar da última festa em que serão chamados de formandos.
É difícil descrever como uma turma se comporta diante dessas situações, e ainda mais difícil dizer o que cada um sente nessas horas. Há aqueles que vivem em um constante coma alcóolico que dura até o dia seguinte ao baile, com a ressaca; outras já começam a chorar na última prova, e sabe-se lá quando irão parar; alguns estão surpresos por terem conseguido se formar no período correto, enquanto que outros estão mais felizes por não terem sido jubilados, não vendo a hora de se livrar da faculdade - enfim, há casos e casos. Mas é indiscutível que a saudade se instala na maioria durante esse período. Os olhares saudosos na missa e a emoção contida na colação de grau - mesmo quem não fez parte do convívio, da rotina dos formandos consegue perceber, imagine então quem fez. Talvez seja o momento onde as várias lembranças, histórias e causos vêm à tona.
E por última, porém não menos importante, vem o baile de formatura, por definição a apoteose ao término da vida acadêmica. Aqui não há espaço para a saudade - pode até estar presente, porém muito bem camuflada sob os sorrisos, abraços e toda aquela cumplicidade que está estampada no rosto de cada um presente. Também é aquele momento constrangedor onde familiares e amigos se reúnem em volta do seu respectivo formando para distribuir tapinhas nas costas e abraços exageradamente afetuosos, e também para dizer coisas como "mais uma etapa vencida!", ou "daqui pra frente só piora!", ou até mesmo "mais um doutor na família!". Não há porque culpá-los por isso; cada um com a sua forma de expressar o orgulho que sente. Afinal, eram esses amigos e familiares que estavam lá, dando suporte, consolo, ajuda nos momentos certos. E o formando certamente lembra desses momentos, que não devem ter sido poucos.
No fim das contas, entretanto, a festa propriamente dita é mesmo dos formandos. Por mais que cada um tenha chamado parentes e amigos para prestigiar e também como uma forma de agradecimento, é pouco provável que eles entendam o que realmente se passa na cabeça de cada formando. Só cada um sabe tudo o que passou para chegar até ali, quantas coisas deixou de fazer, as dores de cabeça intermináveis, as madrugadas sem dormir por causa de estudos e trabalhos deixados para a última hora... enfim, toda uma miríade de obstáculos que, quando superados, oferecem um vislumbre de superação no fim de cada semestre, e portanto, uma sensação de conquista no baile. Por mais que os formandos fiquem de saco cheio de receber tapinhas nas costas de cada convidado, lá no fundo eles gostam, principalmente porque isso de fato representa a sensação de dever cumprido. Por causa disso, a festa é só sorrisos, fotos, abraços, só alegria. Nada melhor que dividir esse momento com todos aqueles que conviveram por tanto tempo na vida acadêmica, com todos os altos e baixos possíveis e imagináveis.
Talvez seja uma das ocasiões mais importantes na vida estudantil de uma pessoa. Na formatura de ensino médio, a pessoa percebe, que entrou como uma criança e saiu como um jovem a perseguir sonhos diversos, e então vem a formatura da faculdade, onde entrou como um ex-vestibulando comemorando a aprovação, para sair como um adulto, cheio de projetos a seguir e metas a cumprir - se os fará, é uma outra história. Enfim, são festas únicas, cada um ao seu modo. Mas tudo o que cerca o baile de formatura certamente é o que o torna mais interessante - e provavelmente o que a tornará a mais memorável para a posteridade.



Para Débora.

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