sábado, 23 de janeiro de 2010

Réveillon na praia, numa capital qualquer

Aqui está o que deveria ter sido o primeiro texto do ano! Sei que está meio grande, façam um esforço pra ler! Enjoy!


Réveillon na praia, numa capital qualquer

Era aquele caso típico: família pequena na casa de outra família pequena; no caso, eu, a patroa e a patroa-mãe, e um casal. Como boas visitas, não avisamos que íamos, mas chegamos cedo, pra fazer uma média, muito embora o fechamento da avenida principal fosse o principal motivo para nossa pontualidade. Tanto faz. Levamos a marmita pra comer por lá, ou como eles chamam, "ceia"; por sinal, a primeira vez que ouço alguém falar 'ceia' na minha frente, achei que só faziam isso em Senhor dos Anéis. Como pretendíamos passar a noite por lá mesmo, terminamos por levar algumas sacolas com roupas, e alguns colchonetes. Se, em vez do carro, tivéssemos uma caminhonete e uma penca de crianças lotando-a, passaríamos por bóias-frias recém chegados do interior. Enfim.
O casal era conhecido nosso, das antigas. Mas devo dizer que a visão do marido ainda impressionava. Um armário negro de dois metros de altura - e largura. Bastante simpático por sinal, embora não soubesse brincar. Dei um soco de brincadeira no braço dele, só pra receber outro cinco vezes mais forte de volta. Temi pelo meu braço, ou o que sobrou dele, naquele momento. Ainda estava cedo, o que significa que teríamos que matar tempo até a comemoração. TV ligada é uma perdição à uma hora dessas, o que significa que tivemos que assistir... novela. Pior, DUAS novelas, que pareciam não terminar nunca. Achei que estaríamos no ano novo quando chegassem ao fim. Mas a pior parte mesmo é que eu estava começando a gostar da novela das sete. Mas foi só os primeiros acordes do 'Show da Virada' começarem a tocar, que cheguei ao meu limite. "VAMBORA PRA RUA, CAMBADA!"
Então descemos. Já que o valor das pernas ali devia passar de um milhão, em razão das inúmeras idas ao médico e cirurgias, todas estavam de sandália rasteira. Não tinha porque fazer esse comentário, mas é porque eu me divertia vendo os projetos de madame se equilibrando em cima de plataformas acima de 10 centímetros. Eu não devia rir, mas uma realmente caiu. E pior, bem em cima do namorado trinta centímetros menor que ela. Que deprimente. À primeira vista, fiquei feliz, só gringa, situação comparável ao Carnaval. Tá, exagero. Fomos olhar a praia, parecia um formigueiro que jogaram mel. Em bom português, cheio pra caralho. E isso na água, na areia nem comento. Mas, afinal, era bom conseguirmos um lugar pra sentar, de outra forma seríamos levados pela multidão. E falando na multidão, à medida que andávamos, ia progressivamente ficando mais feia. Parecia que uma favela tinha descido em peso pra cair no mar no ano-novo. Teve um momento que me senti como Castro Alves em Navio Negreiro: "Era um sonho dantesco/(...)/Dizei-me vós, Senhor Deus!/Se é loucura... se é verdade/Tanto horror perante os céus?!".
Fui arranjar um lugar pro pessoal sentar. Tinha um lugar próximo na calçada próximo à areia. Seria excelente não fossem aquela vista auspiciosa dos banheiros biológicos ali ao lado, mas felizmente o vento estava ao nosso favor. Quem trabalha manuseando esses poços de perdição devia ser homenageado em praça pública, como um macho de verdade, mesmo que fosse mulher. Dei a desculpa que ia encontrar um conhecido, e saí andando pela avenida. Muito provavelmente encontraria algum conhecido ali, nunca levamos a sério até que vemos a pessoa. E geralmente nunca é alguém que queremos encontrar na noite antes do ano-novo. De qualquer forma, era engraçado ver os casais insólitos que apareciam à minha frente. Por exemplo, um gringo desorientado junto a um espécime local. Notei que o gringo estava visivelmente pouco à vontade, desorientado, arrumado para jogar críquete e olhos tão azuis que você poderia pensar que são lentes de contato com defeito de fabricação, e sua acompanhante era a sua antítese, a começar pela cor da pele. Era tão negra que, se você estivesse num quarto escuro com ela, você a distinguiria porque daria pra ver um vulto mais escuro que o próprio escuro, se é que vocês me entendem. Estava sorrindo, e não era exatamente agradável de ver, já em cada extremo havia um dente. E, obviamente, nenhum outro entre eles, o que você poderia chamar de Sorriso 1001. Não me entendam mal, não é sacanagem só porque a coitada é negra. Mas porque era feia pra burro. Chegava a dar pena do gringo.
Continuei andando. De repente, a mala de um carro abriu revelando um potente sistema de som, que muito provavelmente não tocaria música clássica. Mas qual não foi a minha surpresa ao ouvir a Sonata ao Luar de Beethoven vinda do carro? Só não fiquei surpreso quando o pessoal ao redor começou a virar o carro, e o motorista rolando de rir, só pra colocar uma música de baixo calão sociológico pra tocar. Fiquei mais tranqüilo; aquilo sim era normal, embora fosse uma bosta, no fim das contas. Mas senti a desaprovação no meu olhar quando o pessoal começou a... dançar, na falta de um adjetivo melhor. Com aquele rebolado, Elvis decidamente ficaria envergonhado. Só aqui mesmo pra ter essas coisas.
Mais à frente, mais gringos. Dessa vez, um casal, cujo português aparentemente se limitava a 'pagode' e 'fogos artifício'. Pelo inglês sofrível e por algumas frases sem sentido, deviam ser alemães. Arrisquei um "Aus dem Land der Führer?", só pra ver a mulher me mostrar o dedo e o homem lançar impropérios sem sentido. Sim, eram alemães. Afastei-me com um meio sorriso.
Resolvi voltar, quase podia sentir o casal de alemães bufando no meu pescoço. Tinha um posto de gasolina ali perto (devidamente barricado, pra evitar ataques/saques de engraçadinhos), resolvi parar ali pra comprar uma coca. Entre mortos, feridos e bêbados - com predominância dos últimos - tinham alguns moleques, um pouco mais jovens que eu, enchendo a cara, e sobressaltados, porque olhavam toda hora para os lados; deviam estar preocupados com os pais, quem sabe? Entre eles, estava uma menina, guria mesmo, nem peito formado tinha ainda, com uma garrafa de Smirnoff na mão. Não a Ice, a vodka mesmo. A julgar pelo seu comportamento exuberante e sua fala embolada, ela ia virar o ano recebendo glicose. Até pensei em pedir uma dose, mas era melhor manter minha dignidade. Mentira, os pais dela chegaram nesse momento, e enquanto a mãe se acabava de chorar pela filhinha santa que supostamente nunca tinha colocado uma gota de álcool na boca (conta outra), o pai pegou a garrafa e a jogou alucinadamente para trás.
Enquanto essa fazia um arco perfeito no ar, uma multidão de mendigos, surgidos Deus sabe de onde, começou a se juntar no provável lugar que cairia. Entretanto, o destino pode ser bem cruel vez ou outra, já que uma pomba bateu na garrafa e esta caiu nas mãos de um homem mirrado que estava segurando seu champanhe. Foi uma cena insólita, porém cômica, ver os mendigos voando em cima do coitado. Estava engraçado até o sujeito correr na minha direção e me entregar a vodka. No momento que vi aquela multidão crescente de mendigos vir ao meu encontro, pulei o muro que separava a calçada da areia, joguei a garrafa lá longe no mar, e saí correndo. Quando achei que já tinha uma distância segura, olhei para trás. O que tinha de mendigo pulando o mesmo muro que eu - que, percebi agora, tinha bem uns dois metros de altura; o que o desespero não faz -, enfiando a cara na areia, e nadando na direção que eu tinha jogado a garrafa. Só podia esperar que Iemanjá não considerasse aquilo como uma oferenda.
O ano estava acabando, era melhor voltar pra encontrar o pessoal. Desviei de umas duas tampas prematuras no caminho, mas encontrei o povo. E, ao lado deles, na calçada, visualizo um par, digamos, um tanto quanto íntimo. Nada demais, mas visivelmente eram dois homossexuais. Não me importava que eles estivessem ali, mas para quem cresceu ouvindo que homem só gosta de mulher e vice-versa, e tudo o que não fosse isso era, hã, errado. Lógico que não é assim que a coisa funciona, mas enfim... tão somente virei o rosto e fiquei olhando a calçada. O pior é que tinha um homem olhando fixamente pros dois; sua expressão estava entre o divertido e o enojado. E ainda olhou pra mim, rindo. Tive que rir também, a cara do homem estava cômica. É engraçado como ainda existem preconceitos como esse hoje em dia. A julgar pelo olhar do cara, ele devia ser do interior, nunca deve ter visto algo do tipo. Ao menos, não tão escancarado. Só tive certeza que o cabra era mesmo do interior quando ele gritou: "Num tem Caninha da Roça nessa porra não?".
Sentei na calçada, faltavam dez minutos pra meia-noite. Ela tinha tentado abrir o plástico, sem sucesso, e me passou. Mas consegui tirá-lo, só que não podia tirar a fio de metal sobre a tampa, o que resultou na mesma voando na cara de minha mãe. Mas após um gancho de direita (dela), a situação se acalmou. Cinco minutos. Desci para a praia, devaneando.
Era engraçado como todas aquelas pessoas ali, e outras tantas deixavam suas rotinas de lado por um dia, faziam planos e promessas - que eventualmente não seriam cumpridos, em sua maioria - para um novo ano que entrava. Talvez me falte um tanto de sensibilidade, ou compreensão, mas pra mim não fazia diferença, era apenas um dia após o outro, com o sol nascendo no dia seguinte como todos os outros, sem essa real necessidade de tanto alarde. Mas também fico pensando como as pessoas deixam todas as discussões, pendências, e festejam por uma noite inteira como se não houvesse problemas a resolver. Idiotas, porém felizes. Mas felizmente, só existe um réveillon por ano. Mas talvez as pessoas precisem mesmo dessa mentalidade mais fresca, mais tranqüila, mais vezes no ano. Olhei para as estrelas e me virei para encarar as pessoas na areia e na calçada logo atrás, enquanto os fogos explodiam logo atrás. É... é bom que as pessoas se sintam idiotas, porém felizes, nem que seja por uma única noite no ano. Sei lá.
Nesse momento, apareceu uma senhora distribuindo rosas; ela me ofereceu uma e foi embora. Olhei pra flor naquele momento, e fui me lembrando de todos com quem dividi meu ano. Só podia esperar que o ano fosse tão bom para eles quanto seria para mim. Sim, tenho certeza que o ano seria bom, era esperar pra ver. Joguei a rosa no mar, sem saber exatamente pra que aquilo servia. Talvez fosse melhor fazer isso, dona Iemanjá talvez ficasse mais feliz com uma rosa do que com um bando de mendigos. É, é isso aí.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Uma apresentação mais decente

Eu aqui, sem mais nem menos, escrevendo um monte de besteira sem me apresentar devidamente, que coisa.

O nome é Leonardo, ensino médio completo, desempregado, e escritor nas horas vagas.
Afinal, qual é a minha? Fiz esse blog a partir de uma idéia de um amigo, que vivia dizendo que meus textos eram muito bons, coisa e tal. Nunca tinha levado isso a sério, mas achei que seria um bom espaço para espalhar minha mensagem de dominação mundial.
Já tem algum tempo que escrevo; posso quase dizer que foi parecido com o Laerte, que começou a fazer seus próprios quadrinhos quando os seus acabaram.
Não sei exatamente porque escrevo; talvez por não ser uma pessoa muito comunicativa, verbalmente, mas posso dizer que sou um bom observador. Percebo razoavelmente bem as coisas ao meu redor, e escolhi a escrita como forma de expressar minha visão de mundo. E principalmente, gosto do que faço.
Uma coisa que ouço demais é que sou uma pessoa criativa. Sou meio suspeito para confirmar isso, porém, se mais de uma pessoa já disse isso, quem sabe? Então, nada mais natural que essa criatividade fosse usada nos textos.

Enfim, a da qualé desse blog tem essa finalidade, de ser um espaço de divulgação do meu trabalho, que já venho fazendo há algum tempo. Deixo a cargo de vocês a difícil missão de ler os textos, e, quem sabe, apreciá-los! Afinal, de nada me serviriam esses textos se não fosse para mostrar a alguém!
Até porque não quero terminar como Van Gogh, que pintou pra caralho, morreu probe e só teve seu talento reconhecido mil anos depois. Acho que foi porque naquele tempo não tinha internet -_-

Até a próxima!

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Duas historinhas do cotidiano

1ª historinha.

Estava o senhor andando placidamente no seu carro, e estava prestes a atravessar um cruzamento. Por um momento, ele se distraiu olhando pro sinal mudar para o amarelo exatamente quando ele ia atravessa-lo, quando, acidentalmente, atropelou uma senhora idosa que ia atravessando a faixa bem naquele momento.
A sorte é que o senhor não estava andando muito rápido, por isso o acidente não foi tão fatal. Aparentemente. Ele estava para sair do carro quando viu algo rolando de debaixo do carro. O senhor entrou em pânico. "Porra, é a cabeça da velha! Caralho, o que foi que eu fiz?". Imediatamente ele saiu do carro para ver o estrago, quando a senhora se levanta do chão, reclamando. E aí o senhor nota que tinha algo diferente. Ele dá uma boa olhada na suposta cabeça, e a ficha cai.

Era a peruca da velha, que tinha caído no acidente.


2ª historinha.

Estava tendo um café da manhã no escritório naquele dia, organizado pela Adriana. O pessoal conversava distraidamente, enquanto comia. E Adriana se servia de um pão de sal, quando o Farias, um velho um tanto quanto incoveniente, pra não dizer sem-noção, chega pra ela e pergunta:
- Adriana, me diz. De manhã, quando você acorda, o que você costuma passar no cacetinho?
Ela, por sua vez, estava meio sem paciência, depois de ter apartado uma briga homérica entre dois colegas, que iriam disputar na mão o último pedaço de queijo. E aí:
- Olha, tem uma coisa. Se o cacetinho for bom mesmo, não precisa passar nada. Agora, se tiver velho e mole, dou pro gato comer.

O pessoal estranhou o comportamento do Farias no resto do dia; estava quieto, como se tivesse escutado algo que o deixou constrangido. Quando algum aventureiro se dispunha a perguntar o que foi, a Adriana respondia da sua mesa:
- Foi o cacetinho!



Duas histórias reais, diga-se.

domingo, 10 de janeiro de 2010

Terceira e última parte dessa novela de guia! Agora acabou!


- Algo importante no andamento da novela é que você tenha duas vilãs, já que, no meio da história, acontecerá algum acidente com a vilã principal, envolvendo algum veículo (carro, moto, velocípede... é com você), fazendo parecer que ela morreu. Aí a segunda vilã assume as maldades e fazendo pior que sua antecessora, mas só até esta voltar de uma cirurgia feita nos Estados Unidos, que é ali do lado (não se esqueça, estamos no México, não no Brasil). Aí você pode escolher: ou a segunda vilã aquieta o facho, ou arruma confusão com a primeira vilã, sendo essa briga das duas a principal queda das duas no fim da novela;
- Vejamos... Se desejar, há a possibilidade de continuar a novela com uma história depois da história principal, como por exemplo, a filha da personagem principal, que cresceu ouvindo as histórias da mãe, e seus sonhos não realizados por causa de tudo o que aconteceu antes (a primeira parte da novela, esqueceu?). Assim, no dia que ela completa 17 anos, a menina larga sua vida rica e monótona e sai pelo mundo para viver as aventuras que a mãe não viveu. E, claro, sem os pais saberem. O pai desaprova, mas a mãe solta aquela frase clichê: “Deixe-a seguir seu coração...”. E lógico que você poderia fazer uma releitura da história do filho pródigo e botar a menina pra comer com os porcos, literalmente ou não, mas além disso ser sacanagem, não daria muita audiência, não acha?
- Outro lugar-comum bastante... er, comum, é a empregada enxerida. Na casa do mocinho, sempre tem aquele grupo de empregadas vestidas à caráter, e sempre tem aquela que é mais bisbilhoteira que as outras que as outras, que vive entreouvindo conversas, vendo pelo buraco da fechadura, fingindo que está limpando a estante da sala quando na verdade está ouvindo a conversa dos patrões, além de ouvir conversas telefônicas. É bastante discreta, mas se faz de sonsa quando descoberta. Pode ser útil como informante, mas sempre a um custo alto, como ser liberada do serviço durante a semana, causando ciúmes e intriga nas outras empregadas. Aí, no final, você decide se ela acaba bem, chamada para ser a chefe da limpeza da nova casa dos mocinhos, agora casados de vez, ou se acaba mal, trucidada pelas outras empregadas;
- Duas coisas são fundamentais no fim da novela: revelações e casamentos. As revelações são fundamentais para amarrar qualquer ponta que você tenha deixado solta durante a novela, como a pessoa que aparece do nada no meio da história pra ajudar a mocinha, que depois se revela como a mãe/o pai da mesma, ou quem foi que matou um dos pais do mocinho (não se esqueça, foi o Paco), ou então porque a vilã ficou tanto tempo de molho nos States... sei lá, qualquer coisa que tenha ficado em suspensão durante a história, você revela no último capítulo. E os casamentos. Eu não sei e nem quero saber de onde você vai tirar tantos casais pra casar, mas é de lei, todo último episódio que se preze tem que ter uma porrada de casórios. Além do óbvio casal dos mocinhos, você pode armar a vilã com algum pobre coitado que tenha dinheiro, ou com o Paco, sei lá. Pode também fazer a emocionante cena do reencontro dos pais da mocinha, que ficaram sem se ver por causa de algum quebra-pau do passado, mas eles deixam isso de lado e vão se casar de novo. Se achar algum par pro cachorro da história (o animal mesmo), também está valendo.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Segunda parte do guia novelístico!


- No início, um contraste ente o mocinho e a mocinha é imprescindível. É fundamental colocá-la como uma pessoa desprovida de recursos materiais, com uma vida difícil, e que precisa sustentar a família e o cachorro que vive com eles (outro personagem bastante comum). Já o mocinho precisa ser um cara rico e infeliz, que está noivando com uma perua;
- Falando no cachorro, é interessante colocá-lo como um personagem esporádico, mas essencial em momentos-chave. Uma possibilidade é o primeiro encontro entre o mocinho e a mocinha; ela está passeando com o animal (o cachorro) pelo parque, com o diálogo: “Ai Bitola, como a vida está difícil” (sim, ele precisa ter um nome babaca, nessa linha), ao mesmo tempo em que o mocinho passeia com a vilã da novela, com quem está noivando. Aí, o cachorro avista este casal insólito, e sai correndo para morder a perna da vilã. Após o momento de confusão, os olhares dos mocinhos se cruzam pela primeira vez, com direito a close no rosto e brilho nos olhos. São em situações assim que o cachorro deve estar presente. Vale ressaltar que ele deve ser mais esperto que muita gente na novela inteira, e exatamente por isso deve ser deixado em segundo plano;
- O nome da mocinha também é algo essencial. É uma boa chamá-la de Maria-alguma-coisa, como Maria Aparecida, Maria do Bairro, Maria Esperança, Maria da Penha... Uma inovada de vez em quando não seria nada mal, como Marisol;
- Se porventura você tiver pouca audiência no meio da novela, mate algum personagem próximo dos principais, como o pai ou a mãe do mocinho, para dar um drama a mais, ou então coloque a mocinha de cama, sob o pretexto de ter pegado uma doença rara e incurável. Só não se esqueça de curá-la umas duas semanas depois;
- Sempre tem um personagem engraçadinho no início da novela, que normalmente é próximo da mocinha. Pode ser tanto o padeiro como o dono da mercearia que vendem fiado porque ela era bonitinha. Se for o caso, mate-o mais para o meio da novela (na dúvida, o Paco é um ótimo quebra-galho pra essas horas), para a mocinha ficar de luto e não ter a quem pedir fiado;
- As crianças são um assunto um tanto quanto melindroso. Dependendo do horário de sua novela, coloque-as como principais ou coadjuvantes. Sendo uma novela das 4, que só avós e empregadas domésticas assistem, coloque os guris na escola, e a personagem principal sendo a professora, que, eventualmente, pode ser assediada pelo diretor, mas que acaba tendo um romance com o pai do líder dos moleques. Se tiver que trocar um personagem nesse tipo de novela, faça-o com aviso prévio, e com diferenças sutis, não abruptamente e um ator que não tenha nada a ver com o anterior. Isso costuma acontecer com os zeladores da escola. Entretanto, se a novela for depois das 6 e meia, coloque as crianças como sub-coadjuvantes, para que não encham muito o saco;
- Uma situação de enredo que você pode usar é aquela história de os pais da mocinha estar desaparecidos no início da novela, aparentemente mortos. Aparentemente, lógico. Mas há uma restrição: só um dos dois pode aparecer, senão seria muito melodrama para o horário nobre. Se optar pela mãe, esta aparecerá no meio da novela, ajudando a filha e dizendo: “Eu já te vi em algum lugar...”, e ela só diz o que todos já sabem à mocinha, a única ignorante, que ela é a mãe que desapareceu anos atrás. Ressaltando que ela só o faz quando vê que pode ser sustentada pela filha. Se escolher o pai, coloque-o como um cara que perdeu a memória e trabalha como marinheiro no porto ou então como mordomo na casa do mocinho rico. E ele também diz “Eu já te vi em algum lugar...” mesmo tendo perdido a memória. A mãe costuma ser mais popular. E a cena do reencontro deve ser desnecessariamente emocionante, pra dar bastante audiência;
- Outra situação do tipo é a troca de bebês na maternidade logo no início. É aquela história: o casal rico tem uma filha, ao mesmo tempo em que o casal humilde também dá à luz uma filha. Sim, inexplicavelmente eles fazem uso do mesmo hospital. Aí, devido a um problema com a triagem dos recém-nascidos, as meninas vão para um casal diferente cada uma. E, depois, ninguém questiona de os pais ricos e loiros criarem uma filha morena, e vice-versa. A revelação naturalmente só aparece no último episódio;

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Algumas regras para se fazer uma novela mexicana

Texto do dia: a primeira parte de um guia de como fazer sua própria novela mexicana, sem erro, testada e aprovada por milhares de autores sem imaginação! Faça você também!

Algumas regras para se fazer uma novela mexicana

- Primeiramente, aquela viadagem de sempre: coloque o amor acima de todas as coisas, prioritariamente. Se não tiver amor, pode jogar uma amizade colorida que dará no mesmo;
- Segundamente, crie uma situação. Temas batidos como "mulher pobre se apaixona por cara jovem e rico, que está tendo um noivado infeliz com a vilã da novela" ainda dão ibope, mas é bom dar uma inovada de vez em quando;
- Eu já disse que precisa ser gravada no México?;
- Sempre, SEMPRE tem uma personagem chamada Paola. Parece até conversa fiada, mas sempre tem, de verdade. Pode ser que na dublagem mudem para Paula, mas o recado está dado. É importante colocá-la como uma personagem relevante, como a mãe do personagem principal, sei lá. Mas precisa aparecer;
- O mesmo vale pra Paco. Muito embora o nome em si não tenha tanta repercussão quanto Paola, é legal de se ouvir. Não é necessário colocá-lo como um personagem importante, pode ser o cara que mata a mãe rica e esnobe da vilã ou do mocinho e se arrepende depois;
- Quando o mocinho e a mocinha se casarem, a despeito dos protestos dos pais do mocinho rico, que queriam que ele casasse com a vilã da história (pode ser Paola, quem sabe?), leve os dois pra Acapulco, porque toda lua-de-mel que se preze tem que ser lá;
- Se estiver precisando de audiência, chame umas "muchachas" durante a lua-de-mel pra "brincar" com o mocinho, pra criar o primeiro drama dos casados. Isso sempre dá Ibope;
- Importante: use e abuse de clichês baratos, tais como: "Oh, Jose Daniel... eu te amarei pra sempre!", ou "Case-se com Paola, precisamos de dinheiro", ou então "Eu não estou interessada no seu dinheiro, só quero te amar!", ou até mesmo "Quando nos casarmos numa cerimônia secreta, iremos para longe, meu amor. Talvez para Acapulco". As possibilidades e combinações são infinitas, ficam ao seu critério;
- Os personagens masculinos da história precisam, de qualquer forma, ter nomes compostos; por exemplo: Antonio Carlos, Mateus Fernando, José Daniel, Jorge Raul... São tantas possibilidades que daria pra encher uma lista telefônica;

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Interpretando sonhos

Não acostumem, duas postagens no mesmo dia não será algo comum daqui pra frente. De qualquer forma, tomem aí, mais um texto!

Interpretando sonhos

- ... E é isso, dona vidente. Tive um sonho muito estranho esta noite, e fiquei intrigado pra saber o que significava.
- Muito bem, meu filho. Mas você se importaria de repetir o sonho? Só então as cartas lhe dirão o que te aguarda.
- Certo. O sonho começou comigo acordando numa cama branca numa cabana de bambu, em frente à praia. Até que uma mulher com um maiô brilhante se levantou da areia. Ela me viu e me chamou pra nadar, e fui com ela. Dentro d'água, ela segurou minhas mãos e me imobilizou. E aí ela tirou meus shorts e os trocou por uma paçoca. Nesse momento eu acordei, com vontade de comer paçoca. Isso faz algum sentido?
- Sim, meu filho, todo o sentido do mundo... agora, escolha uma carta. Qualquer uma.
- Hum... escolho essa.
- Que surpresa! Os Amantes!
- E o que isso quer dizer?
- Que você terá uma morte lenta e dolorosa. Sinto muito, meu filho.
- Mas o que é que Os Amantes tem a ver com morte?
- Não discuta, rapaz. Vá pela sombra, e aproveite enquanto pode...

Dias depois:
- Dona vidente, tive outro sonho. E de novo fiquei curioso pra saber do que se tratava.
- Certo, certo... divida-o comigo.
- Dessa vez, vi um grande pincel pintando um prédio, e depois colori-lo de azul e branco. Depois, o pincel pintou uma grande bola de demolição, que derrubou o prédio logo após ser desenhado. E então, um arco-íris apareceu, junto com um pote de ouro e um duende. E bem quando acordei, havia um pincel e um frasco de tinta azul em cima do criado-mudo.
- Curioso... agora escolha uma carta. Ah sim, O Louco. Já esperava por isso.
- O que isso significa?
- Que você terá uma morte lenta e dolorosa. Passe bem, meu filho.
- De novo? Mas isso é ridículo!
- Não queira discutir com as cartas, elas podem se voltar contra você. E passe esse dinheiro pra cá.

Dois dias depois:
- Olá, meu filho, de volta tão cedo? Tem sonhado muito ultimamente, não é?
- Sim, de fato, tive outro sonho.
- Então conte-o, para que as cartas o interpretem.
- Na verdade, esse último foi bem simples. Eu estava morrendo de forma lenta e dolorosa.
- Previsível. Agora, tire uma carta.
- Aqui está.
- Ah, claro... a carta Morte Lenta e Dolorosa.
- Acho que isso não precisa de interpretação.
- Não é bem assim. Isso quer dizer que você terá uma vida próspera e saudável.
- Hã? Como assim?
- Você ouviu, vida próspera e saudável. Com direito a dois carros na garagem.
- Mas isso não faz sentido!
- Claro que faz. A morte faz analogia à sua antítese, a vida. O fato de você estar morrendo de forma lenta, juntamente com a carta tirada, faz menção à uma vida longa. É tipo matemática, menos com menos dá mais, entende?
- E ainda tem gente que acredita nessas besteiras...

Piada Pronta 001

E vamos à primeira piada pronta do ano, que por sinal só funciona in english.
Shall we start?

Ahem. During my travels on Last.fm, I started chatting with a girl from Poland. Nice talk and everything. I wished her a happy new year, and she did the same, but in portuguese (google translator is so useful, don't you think?).
Thanks to this, I wrote the wishings in polish, but she pointed an error, commenting her language was quite hard.

So, it came. "Hm, I understand. I think my polish needs some polishing =/"

Hey, hey, got it?

Se você entendeu e riu, ótimo, seu inglês é fantástico.
Se você entendeu e não riu, é porque não tem senso de humor.
Se não entendeu, vá pro curso de inglês mais próximo de sua casa. Urgente. Nada de aprender pela internet, não vai dar certo.

Cherrio!

domingo, 3 de janeiro de 2010

Como se livrar de um vício

Pra bater o primeiro ponto do ano, e de 2010, deixo esse texto pra vocês. Enjoy!

Como se Livrar de um Vício

Dois considerado se encontram, após muito tempo sem se ver:
- Julia, quanto tempo!
- Amaral, como está? Nossa, já fazem cinco anos, não é?
- Só isso? Achei que fossem mais. E a vida, como está?
- Ah, trabalhando bastante...
E começaram a conversar, sobre trivialidades e afins, até que...
- Pois é, meu chefe também é um desocupado, fica querendo saber pra que saímos do serviço! E me diz... são meus olhos ou você está mais magra?
- Ah, sim... é, eu emagreci, me livrei daquele maldito vício de guaraná!
- Logo vi. Conseguiu sozinha, ou fez tratamento?
- Tive que fazer tratamento psicológico... um colega de trabalho me recomendou um psiquiatra, mas assim que fui lá, o doutor me disse que psiquiatra cuida de maluco, e que o meu caso ainda não era preocupante, e sugeriu um psicólog reconhecido na área.
- Achei que psiquiatras cuidavam dos malucos que psicólogos não conseguiam curar...
- É, eu também. Mas ele me esclareceu isso, dizendo que psicólogos resolvem nossos problemas na esfera da normalidade... mas isso não vem ao caso! Logo na primeira consulta, ele disse que resolveria meu problema em até um mês!
- Hum. E qual foi o método que ele usou?
- Ele foi até minha casa, num sábado. No primeiro, ele já chegou pedindo que eu tomasse um copo constantemente enquanto conversávamos. E ficamos assim por quatro horas. Quando terminamos, eu já estava passando mal de tanto guaraná!
- E ele disse que voltaria na semana seguinte?
- Foi! E eu sempre tinha um estoque de emergência, e na outra seguinte, acabamos com duas caixas! Acabei vomitando, não deu. E na terceira semana, eu não podia ver uma garrafa de guaraná que passava mal. E aí ele me disse que o tratamento era exatamente esse, uma imersão intensa no vício. Por isso, sempre que eu visse guaraná dali pra frente, me lembraria das más experiências e o ignoraria!
- E pelo que vejo, o tratamento funcionou...
- É, agora larguei o vício!
- Agora me diz, qual o nome desse psicólogo?
- Doutor Costa Ferreira, porquê?
- Eu sabia que era ele! Também fiz esse mesmo tratamento, e olha que o estoque lá de casa era imenso!
- Nossa, sério? Você era viciado em quê?
- Em cigarro!

E nesse momento, o doutor se aproxima deles, do nada, e diz:
- Isso não é nada! Ainda me lembro da primeira pessoa que utilizei esse tratamento, tive que cuidar de uma mulher viciada em sexo!

sábado, 2 de janeiro de 2010

Hola, camaradas!

Falta do que fazer é uma desgraça. Felizmente, tive com o que ocupar meu tempo livre: rabiscar textos. Textos sem-noção, lógicos, engraçados. Mas textos, mesmo assim. Isso há uns quatro anos. E recentemente, me deram a idéia de fazer um blog com os textos. É, porque não?

E cá estou, oferecendo minhas superproduções a todos vocês. Vez ou outra, atualizarei essa joça, ou assim espero. Só não esperem periodicidade.

Inté a vista!