Bem, o que posso dizer? É só uma mensagem tosca de natal, algo como aqueles textos prontos dos cartões de natal, só que um pouco mais elaborado!
Antes ia por scrap, mas agora que tenho um blog, não tenho mais necessidade nem saco pra fazer isso. Muito mais fácil pra mim mandar pra vocês!
Só posso esperar que gostem! Aproveitem!
Uma tarde no psiquiatra - especial de Natal
- E essa agora, meu Deus?
O doutor não acreditava na ligação que acabara de receber. Um maluco tinha ligado pedindo para reservar TODO o dia 24 de dezembro, pra uma terapia intensiva.
- Mas senhor, esse pedido está fora de cabimento, não tenho tantos horários disponíveis para esse dia!
- Você acabou de dizer que não tinha nenhum paciente, que todos estavam viajando.
- Err, bem... é verdade, mas mesmo assim!
- Se o problema é o preço, pagarei duas vezes o preço normal, de forma particular. E ainda pago um almoço no Outback mais próximo.
Propostas assim realmente mexiam com o brio do doutor. Ainda mais considerando-se a última vez que comera no Outback.
- Huuum. Diga-me o seu telefone, ligarei quando decidir.
- Fale sério, homem. Você não tem paciente pra atender, sua secretária gostosa está de férias, e acho que ficar organizando a papelada que você deixou de lado o ano inteiro não é exatamente a melhor coisa do mundo. Você está oficialmente sem porra nenhuma pra fazer.
- Ok, você venceu. Diga quando chegará, para eu me organizar.
A rigor, ele sempre dava um jeito de não estar no consultório nessa época do ano. Mas essa exceção parecia ser uma boa. "Não recebo merda nenhuma dos convênios mesmo. Além de um almoço no Outback!"
Nesse momento de devaneio, a campainha toca e a porta do consultório se abre. Um senhor, com uma camisa vermelha com detalhes brancos e uma calça jeans, além de óculos escuros e uma espessa barba branca adentra a sala. Não por acaso, o doutor o achou vagamente familiar.
- Torcedor do Bahia, meu senhor?
- Deus me livre. Tudo bem, doutor?
- Vamos indo. Vejamos, se está aqui, deve ser por um bom motivo. Por sinal, seu nome é?...
- Claro, doutor. O nome é Noel, mas as pessoas costumam me chamar por Papai. Papai Noel.
O doutor sabia que o conhecia de algum lugar. "Que cacete, era só o que me faltava! Meus pacientes são um bando de sequelados! Porque eu não sou como meus outros colegas, que só têm pacientes doidinhos, num nível aceitável? Depois daquele moleque retardado, agora me vem esse véio caduco achando que é Papai Noel!"
- Papai Noel, meu senhor? Isso é alguma brincadeira?
- Não, é sério, olha aqui a carteira de trabalho.
Realmente, estava escrito: "Fabricante e Comerciário de Artigos Diversos".
- Mas desde quando Papai Noel comercia os presentes?
- Ah, foi uma merda que assinaram aí quando eu estava fazendo curso no Senac. Enfim, apresentações feitas, vamos começar a terapia?
- Ô, que jeito...
- Ultimamente, os duendes estão enchendo muito o saco com o salário. Eu já disse que foi por causa da crise que tive que dar um corte com despesas inúteis, tipo transporte. Porra, eles moram lá mesmo, ao lado da fábrica de brinquedos, não precisam nem pegar ônibus!
- E qual foi a justificativa deles?
- Eles ficam dizendo que o espaço de 50 metros que separa o alojamento e a fábrica é intransponível no frio, que precisam de um veículo adequado, blábláblá. Quando me ofereci pra construir um túnel, eles chiaram pra caralho, disseram que iam reclamar no sindicato dos duendes, só pra lembrar que não existia, e que eles estavam malvistos no sindicato dos anões, só por causa de um questionamento sobre a existência de anãs. Eles ficaram putos, reclamaram pra cacete, alegando que anões não se reproduziam assexuadamente, coisa e tal. Veja se tem cabimento, doutor.
- De forma alguma.
- Daí, foi tanta reclamação que acabei apelando. Disse que se eles não parassem de encher meu saco - não literalmente falando -, eu ia terceirizar a produção, demitindo todo mundo e chamando chineses pra trabalhar no lugar deles.
- Nossa. Mais alguém reclamou?
- Ah, tiveram as renas, mas a discussão não foi muito longe; a Grécia, na pendenga que tá, estava com uma liquidação fantástica de animais fantásticos, incluindo cavalos pégasus. Foi o suficiente pra acabar com a pseudo-greve.
- Entendo. Bastante sagaz. Mas tem uma coisa que não entendi; se é o senhor que fabrica seus produtos, como é que tem "Made in China" em praticamente todos?
- Sabe como é, matéria-prima na China é muito mais barata. Não vou mentir que faço revenda pra eles. Ganho a minha parte, mas a única exigência deles é colocarem essa frase maldita em tudo. Putos. Ao menos meus brinquedos têm garantia.
- Me responda, Papai Noel. Afinal de contas, como é que o senhor consegue viajar o mundo inteiro e entrar escondido em tantas casas em apenas uma noite?
- Ah, meu rapaz. Confio no seu código de ética, vou te contar um segredinho. Na verdade... eu sou um ninja.
- Um ninja? Comassim, véi?
- Seja realista: como um velho da minha idade poderia entrar despercebido em tanta casa, passando por cima de cachorros e gatos homicidas, atravessar lasers de segurança e arames farpados enferrujados, enganar porteiros e afins? Só sendo muito ninja!
- Ahn, tá bom. Só falta dizer que o vermelho das suas roupas é do sangue das crianças que tentam encontrar com o senhor.
- Como foi que você adivinhou?
- O_O
- Pois é, tem o Ninja Codex, que, entre outras coisas, me obriga a matar quaquer criança que tente me ver na calada da noite deixando presente debaixo da árvore. Minha roupa era branca, mas acabou sujando tanto que acabei desistindo e deixando como estava. Pior era quando não deixavam o leite com biscoitos.
- Meldels.
- Mas está tudo certo, prefiro acreditar que você não sairá contando essa história pro mundo. Só se você colocasse, sei lá, num blog de besteiras, mas talvez não levassem tão a sério.
- Bote fé, Noel. Bote fé.
- E aquele patrocínio bacana, hein?
- Porra, nem me fale. Até que rolava um ou outro merchan antes, mas nada que supere o da Coca-Cola. Cacete, você não tem noção! Lembro de uma vez, a filial do Alasca enviou lá pro Pólo Norte um carregamento de galões de 20 litros! Nem eu seria capaz de dar um presentão desses! E era um tal de nego deixando o trabalho só pra beber um pouco, parecia até a fábrica da Ambev!
- Porque da Ambev?
- Não sabia? Lá, eles param o serviço vez por outra pra ir numa salinha cheia de refrigerantes! Melhor que isso, só se tivesse cerveja na geladeira; iam fazer uma happy-hour sem sair do trabalho!
- E lá na sua fábrica não deu problema com isso não?
- Porra nenhuma! Dei uma rasteira naqueles duendes descarados e coloquei copinhos de café ao lado do filtro! Nunca vi tanto arranca-rabo por causa de copo! Teve outra vez, isso bem no início, a matriz me arranjou a fórmula, por ter ajudado nas vendas da Coca! Tinha um duende na ocasião que tinha trabalhado com sistemas hidráulicos, aí eu botei o sacana pra montar um bebedouro de refrigerante!
- Um bebedouro?
- É, tipo aqueles que você vê em colégios! Eram vários, um pra cada sabor, foi lindo. Só faltou o bebedouro de tubaína, mas tudo bem. Até pensei em oferecer a alguma criança que tenha se comportado excepcionalmente bem ao longo do ano, mas depois que soube de um colégio aí adaptou a idéia na sua gincana, desisti. Seria perigoso. Mas o patrocínio é fodão! Todo ano faço um comercial pros caras, e eles retribuem com algum presentinho maneiro. Às vezes é um generoso depósito na conta do banco, mas ano passado mesmo me deram uma garrafinha de diamante em cima de um pedestal, que tinha escrito: "Pelos serviços prestados". Mas tenho a ligeira impressão de que o presidente estava meio quebrado, não tinha idéia do que me enviar, e acabou me mandando alguma coisa da mesa dele, não tinha meu nome escrito...
E nisso o tempo foi passando...
- Papai Noel, olha a hora! Ficamos aqui de resenha, nem vi o tempo passar! Acho que o senhor precisa "fazer suas entregas"!
- Por que essas aspas? Estou com a impressão de você não acreditou em uma palavra que eu disse.
- Veja bem, tem o limite do aceitável pra certas coisas...
- Venha comigo que você irá entender tudo. Seu carro está no conserto mesmo, você iria pegar um ônibus se não fosse por minha causa.
- Odeio quando as pessoas jogam esse tipo de coisa na minha cara.
Eles desceram, e em vez de seguir para o estacionamento, os dois foram para um beco escuro, onde havia uma enorme lona preta cobrindo algo bem grande.
- Seu possante, Noel?
Ele nada respondeu, só puxou a lona pra revelar...
- CA-RA-LHO, RENAS DE VERDADE! No zoológico daqui não tem essas coisas, só tem veadinhos!
- Sinistro, não é? Entra aí, que eu te dou uma carona!
- VÉI, a rena da frente realmente tem o nariz vermelho!
- Deixe de viadagem e sobe aí no trenó que vou dar a partida!
Mas nada de as renas se mexerem.
- Ih, acabou a gasolina da charrete. Renas filhas das putas, terei que apelar pro chicote!
- E aquele papo do bom velhinho, generoso e paciente, hein?
- É marketing! Essas renas adoram uma moleza, só trabalham uma vez no ano, tenho que pegar pesado de vez por outra!
E, após muita chicoteação, as renas voaram, ainda que de má vontade. Enquanto o doutor se maravilhava com a vista e os presentes voando, Papai Noel começou a falar:
- Sabe, doutor? O senhor é uma boa pessoa no íntimo, só precisa controlar essa sua escrotidão com seus pacientes. Além do mais, nem tudo na vida é receber pacientes que pagam particular. Repense melhor sua atitude, tenho certeza que você se tornará um profissional melhor. Pense nisso.
- Poxa Noel, eu sei, mas às vezes as coisas não são tão simples...
- Apenas pense no que disse. Bon voyage! - tendo dito isso, apertou o botão do assento ejetor. O doutor deu um berro de furar os tímpanos. - Não se preocupe, tem um pára-quedas embutido, só não sei se a vistoria dele está em dia! Feliz natal, doutor!
E ele foi caindo aos poucos, e nada de o pára-quedas abrir. Próximo do chão, o doutor sentiu um solavanco, e perdeu a consciência. Pelo menos o pára-quedas tinha abrido.
No dia seguinte, o doutor acorda sobressaltado, em sua cama.
- Porra, que pesadelo escroto. Sonhei que atendia um maluco que se achava o Papai Noel. Que coisa ridícula - e então ele colocou os óculos e viu um cheque estranho em cima do criado mudo, curiosamente no valor duplicado de um dia inteiro de consultas. Ele não acreditou.
- Será que aquele viado era mesmo o Noel? Marveja! Com esse dinheiro, posso muito bem aumentar o consultório, melhorar a qualidade do atendimento... ou posso fazer um cruzeiro pelo Caribe. Ah, fodam-se os pacientes, sou mais eu!
Nesse momento, um forte vento adentra o quarto, tirando o cheque da mão do doutor e atirando-o pela janela.
- NÃÃÃÃO, DESGRAMA! Eu prometo, farei uma reforma no consultório pros pacientes!
Instantaneamente, o vento que soprava pra baixo inverteu sua direção, levando o cheque de volta para a janela, que pousa suavemente em cima do criado mudo.
- Bosta. Acho melhor eu tomar vergonha na cara e cumprir a promessa. Feliz natal pro senhor também, Noel.
É isso aí, povo, feliz natal pra vocês!
quinta-feira, 23 de dezembro de 2010
quarta-feira, 22 de dezembro de 2010
Uma tarde no psiquiatra nº 03
Depois de mil anos sem postar (dois meses), o blog IS BACK TO ACTION, BABY!
Enfim, continuemos com a série 'Uma tarde no psiquiatra'. Enjoy!
Uma tarde no psiquiatra nº 03
- E aí maluco, o que você manda hoje?
- Doutor, não seria antiético pro senhor, um psiquiatra de respeito, chamar seu paciente de 'maluco'?
- Mas é exatamente disso que eu trato, de maluco. Por tabela, você é maluco!
- ...
- Deixe de viadagem, tenho um jogo do Flamengo pra assistir logo mais.
- Estava me sentindo meio... literário hoje, queria falar sobre isso.
- Fala que eu te ouvo.
- Sei lá, estava aqui imaginando com qual estilo literário eu me identificaria melhor.
- Espero honestamente que você só esteja se referindo aos estilos brasileiros mais recentes, porque, convenhamos, você aí, todo dependente de remédios tarja preta, não se daria muito bem com o bucolismo do Arcadismo. A não ser que você procure as matérias-primas direto no mato.
- É, tem razão. Tem o Romantismo do início do século XIX... uma vida regada a amores, desilusões, algumas tragédias, mas com óbvios finais felizes e abruptos. Mas não sei se seria legal viver sentindo saudade da terrinha, onde tem palmeiras e onde canta o sabiá.
- Sem contar que você não teria muita paciência pra lidar com mocinhas pentelhas que te enrolariam por meio livro só dar permissão de segurar a mão dela, e outro livro pra dar um beijinho na bochecha.
- É, tem razão. Mas eu ia curtir que lessem meus poemas num teatro qualquer da Corte!
- Ah, claro. Só não posso dizer que sua vida seria muito longa, você provavelmente iria morrer aos 20 e poucos e de tuberculose.
- Verdade. Temos mais o quê?
- Vejamos... tem o Parnasianismo.
- O senhor tem exemplos de gente assim?
- Ah, vários. Aqueles empresários que precisam de uma secretária, e têm que escolher entre uma inteligentíssima, que fala cinco idiomas, mas é feia de doer, ou uma que copiou e colou um modelo de currículo da internet, porque nem isso sabe fazer, mas é gostosa pra caralho.
- Mas o que isso tem a ver?
- Simples. A maioria dos empresários, nessa situação, tende a ser parnasianista; isto é, prefere a forma ao conteúdo.
- Fale sério doutor, o que você faria nessa situação?
- Eu certamente não seria realista, que seria a outra opção do empresário.
- E como seria viver como um realista?
- Rapaz, repare só. Você ia viver pra falar mal de tudo e todos, como o mundo está errado, como a escravidão está fudendo com o país, muito pobre pra pouco rico, mas uma hora ia encher o saco.
- Porquê?
- Porque ser realista não enche barriga de ninguém, sem contar que você ia pegar fama de pentelho resmungão. Todo mundo cheio de problema, de conta pra pagar, e você ainda fica enchendo o saco alheio fazendo propaganda da corrupção na Inglaterra e o calote econômico da Grécia. Faça o favor.
- Ainda tem o Simbolismo.
- Esqueça. Você ia falar um monte de besteira da forma mais metaforizada possível, de uma forma tal que ninguém te entenderia. Você ia terminar passando uma imagem de chato incompreendido, tipo Jim Morrisson.
- E o Dadaísmo?
- Bobagem. Iam pensar que você é um débil-mental que só fica falando monossílabos em sua maioria, e frases desconexas, enquanto na sua ilusão você estaria fazendo crítica social. Me poupe.
- Que merda, doutor! Não tem nenhum estilo literário que eu poderia me identificar?
- Tem o Modernismo, que na minha opinião é o melhor de todos. A arte de quem conhecia o povo, fazendo arte para o povo, ignorando ideais europeus e fazendo algo mais autêntico, mais brasileiro, de uma forma que os intelectuais ignoraram a princípio, porque não tinha refinamento, glamour, personagens virtuosos que eles pudessem se identificar; em vez disso, personagens populares, que agiam como tal, refletindo mais a essência do próprio brasileiro.
- Trocando em miúdos, o que isso tudo quer dizer?
- De uma forma reducionista, quer dizer que tinha o povão falando palavrão nas histórias. Até a próxima consulta.
Enfim, continuemos com a série 'Uma tarde no psiquiatra'. Enjoy!
Uma tarde no psiquiatra nº 03
- E aí maluco, o que você manda hoje?
- Doutor, não seria antiético pro senhor, um psiquiatra de respeito, chamar seu paciente de 'maluco'?
- Mas é exatamente disso que eu trato, de maluco. Por tabela, você é maluco!
- ...
- Deixe de viadagem, tenho um jogo do Flamengo pra assistir logo mais.
- Estava me sentindo meio... literário hoje, queria falar sobre isso.
- Fala que eu te ouvo.
- Sei lá, estava aqui imaginando com qual estilo literário eu me identificaria melhor.
- Espero honestamente que você só esteja se referindo aos estilos brasileiros mais recentes, porque, convenhamos, você aí, todo dependente de remédios tarja preta, não se daria muito bem com o bucolismo do Arcadismo. A não ser que você procure as matérias-primas direto no mato.
- É, tem razão. Tem o Romantismo do início do século XIX... uma vida regada a amores, desilusões, algumas tragédias, mas com óbvios finais felizes e abruptos. Mas não sei se seria legal viver sentindo saudade da terrinha, onde tem palmeiras e onde canta o sabiá.
- Sem contar que você não teria muita paciência pra lidar com mocinhas pentelhas que te enrolariam por meio livro só dar permissão de segurar a mão dela, e outro livro pra dar um beijinho na bochecha.
- É, tem razão. Mas eu ia curtir que lessem meus poemas num teatro qualquer da Corte!
- Ah, claro. Só não posso dizer que sua vida seria muito longa, você provavelmente iria morrer aos 20 e poucos e de tuberculose.
- Verdade. Temos mais o quê?
- Vejamos... tem o Parnasianismo.
- O senhor tem exemplos de gente assim?
- Ah, vários. Aqueles empresários que precisam de uma secretária, e têm que escolher entre uma inteligentíssima, que fala cinco idiomas, mas é feia de doer, ou uma que copiou e colou um modelo de currículo da internet, porque nem isso sabe fazer, mas é gostosa pra caralho.
- Mas o que isso tem a ver?
- Simples. A maioria dos empresários, nessa situação, tende a ser parnasianista; isto é, prefere a forma ao conteúdo.
- Fale sério doutor, o que você faria nessa situação?
- Eu certamente não seria realista, que seria a outra opção do empresário.
- E como seria viver como um realista?
- Rapaz, repare só. Você ia viver pra falar mal de tudo e todos, como o mundo está errado, como a escravidão está fudendo com o país, muito pobre pra pouco rico, mas uma hora ia encher o saco.
- Porquê?
- Porque ser realista não enche barriga de ninguém, sem contar que você ia pegar fama de pentelho resmungão. Todo mundo cheio de problema, de conta pra pagar, e você ainda fica enchendo o saco alheio fazendo propaganda da corrupção na Inglaterra e o calote econômico da Grécia. Faça o favor.
- Ainda tem o Simbolismo.
- Esqueça. Você ia falar um monte de besteira da forma mais metaforizada possível, de uma forma tal que ninguém te entenderia. Você ia terminar passando uma imagem de chato incompreendido, tipo Jim Morrisson.
- E o Dadaísmo?
- Bobagem. Iam pensar que você é um débil-mental que só fica falando monossílabos em sua maioria, e frases desconexas, enquanto na sua ilusão você estaria fazendo crítica social. Me poupe.
- Que merda, doutor! Não tem nenhum estilo literário que eu poderia me identificar?
- Tem o Modernismo, que na minha opinião é o melhor de todos. A arte de quem conhecia o povo, fazendo arte para o povo, ignorando ideais europeus e fazendo algo mais autêntico, mais brasileiro, de uma forma que os intelectuais ignoraram a princípio, porque não tinha refinamento, glamour, personagens virtuosos que eles pudessem se identificar; em vez disso, personagens populares, que agiam como tal, refletindo mais a essência do próprio brasileiro.
- Trocando em miúdos, o que isso tudo quer dizer?
- De uma forma reducionista, quer dizer que tinha o povão falando palavrão nas histórias. Até a próxima consulta.
segunda-feira, 11 de outubro de 2010
Uma partida de futebol... diferente
Após um período tenso de provas e afins, mais um texto pra vocês!
Uma partida de futebol... diferente
Era dia de jogo naquela cidade do interior da Bahia. Como não havia muito o que fazer, descosiderando as diversas opções de botecos, o pessoal se dirigia ao estádio naquela tarde. Outro motivo pelo qual alguns iriam ao estádio era pra saber se o novo narrador era tão bom quanto o anterior, que, infelizmente, havia falecido fazia pouco tempo, de cirrose hepática. Bem verdade, ele nem era tão bom assim, mas depois de cada jogo, ele pagava várias rodadas de cerveja para quem quisesse aparecer - era um aposentado da chefia do Pólo Petroquímico. Além da saudade, uma enorme conta ficou pendurada no nome dele, que deixara de pagar por causa dos remédios e hospitais. Dessa forma, se o novo narrador agradasse, o pessoal aliviaria a conta pra ele. Senão...
- "E vaaaaaaaaaai começar a partida! Fortes emoções, amigos telespectadores!"
Os torcedores se entreolharam, constrangidos. "Ele parece o Galvão Bueno", diziam alguns. "Coitado, acho que ele vai pagar a conta sozinho..."
- "Hoje temos uma decisão importantíssima para os rumos do campeonato, Feirense de Santana e Piauiense de Fortaleza! E os dois times se cumprimentam - olha só, o goleiro do Piauiense deu um tapa na cabeça do zagueiro do outro time! Revide, viado! Não vá me dizer que a moça vai deixar essa passar! É uma bicha mesmo! E os jogadores assumem suas posições, vamos começar o jogo, amigos telespectadores! E o treinador dá um esporro no jogador, bem-feito, fila da puta! Quem mandou ser feio? Acabam de chegar às minhas mãos dois avisos, um diz que o goleiro do Piauiense é irmão do zagueiro do... do... o outro time é tão fuleiro que nem me lembro a zorra do nome! Feirense, isso! O outro aviso diz pra moderar um pouco o tom. Ouviram, viados? Não é porque vocês são irmãos que podem ficar se comendo em campo! Mais respeito com os torcedores, que podiam estar comendo água mas estão aqui, vendo essa merda de jogo! E o centro-avante do Feirense avança, pega um pique da porra, parece uma gazela correndo, tenta um passe pro atacante, mas o zagueiro não deixa, e chuta a canela do atacante! É pra ir na bola, ignorante! O juiz tá de cara feia, não piore sua situação, rapaz... se bem que não foi na intenção, relaxa aí, seu juiz! Mas esse atacante também, parece uma patricinha jogando, é só a bola encostar nele que faz um escândalo! Deixa, seu juiz, ele te paga uma rodada de cerveja depois do jogo! E o zagueiro devolve pro goleiro, e esse chuta pro meio de campo - vá cortar esse cabelo, seu marginal! -, e o meia tenta um passe aéreo pro atacante... ih, muito forte, a bola saiu do campo, e bate na cabeça no gandula! HA, otário! E vá apontar esse dedo pra sua mãe, puto! Dando continuidade ao jogo, o goleiro do Piauiense joga pro zagueiro, mas o adversário está vindo em sua direção... QUE CHAPÉU, AMIGOS TELESPECTADORES! Depois de receber um drible desses, eu me aposentava! Seu juiz, pare de rir, tenha pena desse caboclo, dá um cartão vermelho pra ele sair sem remorso! E o lateral recebe a bola, passa pro meio-campo, e a defesa do Feirense fecha a área do gol... mas peraí, isso não seria impedimento? Porra, cinco jogadores na pequena área, bando de banheirista preguiçoso! Vão aprender a correr! E é falta pro Piauí. O quê, o goleiro vai bater a falta? Que ótimo, temos uma imitação de Rogério Ceni aqui no estádio, palmas pra ele! Momento de tensão, meus amigos... hum, sinto cheiro de frango. E a bola vai no ângulo, o goleiro nem se mexe... E É GOL DO FEIREN... o quê, não! É gol do Piauí! Tanto faz, são dois times fudidos mesmo, série D e merda pra mim é a mesma coisa! E só agora o goleiro foi se mexer, ACORDA, DISGRAMA! Lembrando que gol de goleiro vale dois! Quié, seu torcedor pentelho? Eu sei que isso não é totó, zorra, esses torcedores de timecos de interior são tudo uns ignorantes!"
O que era mais curioso na partida, desconsiderando-se o fato de não estar sendo televisionada, era que todos ouviam a irradiação. Todos mesmo, inclusive os torcedores e o juiz, que, vez por outra, olhavam pra cabine do locutor e trocavam gestos entre si, como se estivessem se preparando pra uma briga. O próprio juiz já tirara uma lixa do bolso e estava afiando uma faca portátil. Mas enfim.
- "E o jogo não está muito emocionante, amigos telespectadores, até baba de pedreiro supera isso! Ninguém xingando a mãe de ninguém, que porra é essa? A única coisa digna de nota foi o goleiro do Feirense ter chutado a bola no saco do atacante adversário! Vocês querem uma sugestão? Que tal colocar outra bola no jogo? E daí que esses putos vão cansar mais rápido, assim que é bom, aí eu terei o que narrar! E o zagueiro do Feirense avança, passa pro meio de campo, o centro-avante assume, dá uma pedalada no lateral do Piauí, imitação barata de Robinho, passa pro atacante, que merda é essa, o atacante está fazendo embaixadinhas? Só tem maluco nessa porra! Ah, entendi, ele queria fazer uma bicicleta! Pena que não deu muito certo, ele caiu de cara na grama, que mané! Mas o chute foi bastante potente, chega atravessou o campo... alguém acorde o goleiro do Feirense, tem algo vindo na direção dele... eita, não entrou. Mas o zagueiro do Piauí corre a toda, atravessa o campo numa velocidade impressionante, chega perto da bola, com cara de quem vai matar alguém... ele vai chutar, ele vai chutar! E o goleiro do Feirense desperta do seu sono de beleza, vai pegar a bola! Ah, vão se fuder, o zagueiro furou a bola e chutou a cara do goleiro! Porra, namoral, vão ser burros assim na casa do caralho, vou ali tomar um cafézinho e já volto!"
Alguns minutos depois, o juiz apitou. Era o fim do primeiro tempo. E, a julgar pela movimentação dos jogadores, não haveria segundo. Não com aquele narrador, pelo menos. Assim, todos se juntaram no vestiário, e discutiram o que iam fazer. Decidiram que o pegariam quando voltasse pra cabine, que ficava acima do portão de entrada. Então, o juiz deu uma forte apitada pra finalizar o intervalo. E não deu outra:
- "Hm, o quê? Já terminou essa porra? Nem terminei de fazer o cafézinho, e ainda ia fazer o show do intervalo com esses bostas, mas nenhum jogou bem mesmo, então foda-se! E o juiz apita, começa o segundo tempo, cambada!... Oxente, cadê esses putos? Já saíram pra comer água? Cadê aquele juiz viado pra passar o cartão vermelho na bunda daqueles folgados?
Ao mesmo tempo, os jogadores, o juiz e alguns torcedores mais exaltados davam a volta no estádio, para chegar na cabine da discórdia. Com o locutor lá dentro, lógico.
- "Amigos telespectadores, parece que os jogadores debandaram! E já que não tem mais o que narrar, vou ler o jornal da cidade pros desocupados que ficaram! Aqui está a manchete, "filho de fazendeiro de renome morre de cirrose"; grande merda, como se ninguém soubesse o que ia acontecer... mas que diabo, uma horda de bárbaros invadiu a minha cabine! Estão vindo em minha direção, socorro! Alguém me ajude, por fav-"
Silêncio. Pouco depois, todos os que tinham sumido voltaram ao campo para continuar a partida, como se nada tivesse acontecido. Para encurtar a história, deu 2 x 1 pro Feirense. E, como de costume, foram todos encher a cara no bar da esquina. E após algumas (várias) grades, o garçom perguntou como eles iriam pagar. Todos riram com vontade. O juiz respondeu:
- Lembra do locutor anterior? No testamento, deixou tudo pro irmão, principalmente o dinheiro da aposentadoria, que ele se recusava a usar! E adivinhe quem é o tal irmão? Aquele puto ali! - e apontou pro atual narrador, amarrado com uma corda grossa, sob os pés do zagueiro do Feirense, esbravejando sobre o tamanho da conta do bar.
Uma partida de futebol... diferente
Era dia de jogo naquela cidade do interior da Bahia. Como não havia muito o que fazer, descosiderando as diversas opções de botecos, o pessoal se dirigia ao estádio naquela tarde. Outro motivo pelo qual alguns iriam ao estádio era pra saber se o novo narrador era tão bom quanto o anterior, que, infelizmente, havia falecido fazia pouco tempo, de cirrose hepática. Bem verdade, ele nem era tão bom assim, mas depois de cada jogo, ele pagava várias rodadas de cerveja para quem quisesse aparecer - era um aposentado da chefia do Pólo Petroquímico. Além da saudade, uma enorme conta ficou pendurada no nome dele, que deixara de pagar por causa dos remédios e hospitais. Dessa forma, se o novo narrador agradasse, o pessoal aliviaria a conta pra ele. Senão...
- "E vaaaaaaaaaai começar a partida! Fortes emoções, amigos telespectadores!"
Os torcedores se entreolharam, constrangidos. "Ele parece o Galvão Bueno", diziam alguns. "Coitado, acho que ele vai pagar a conta sozinho..."
- "Hoje temos uma decisão importantíssima para os rumos do campeonato, Feirense de Santana e Piauiense de Fortaleza! E os dois times se cumprimentam - olha só, o goleiro do Piauiense deu um tapa na cabeça do zagueiro do outro time! Revide, viado! Não vá me dizer que a moça vai deixar essa passar! É uma bicha mesmo! E os jogadores assumem suas posições, vamos começar o jogo, amigos telespectadores! E o treinador dá um esporro no jogador, bem-feito, fila da puta! Quem mandou ser feio? Acabam de chegar às minhas mãos dois avisos, um diz que o goleiro do Piauiense é irmão do zagueiro do... do... o outro time é tão fuleiro que nem me lembro a zorra do nome! Feirense, isso! O outro aviso diz pra moderar um pouco o tom. Ouviram, viados? Não é porque vocês são irmãos que podem ficar se comendo em campo! Mais respeito com os torcedores, que podiam estar comendo água mas estão aqui, vendo essa merda de jogo! E o centro-avante do Feirense avança, pega um pique da porra, parece uma gazela correndo, tenta um passe pro atacante, mas o zagueiro não deixa, e chuta a canela do atacante! É pra ir na bola, ignorante! O juiz tá de cara feia, não piore sua situação, rapaz... se bem que não foi na intenção, relaxa aí, seu juiz! Mas esse atacante também, parece uma patricinha jogando, é só a bola encostar nele que faz um escândalo! Deixa, seu juiz, ele te paga uma rodada de cerveja depois do jogo! E o zagueiro devolve pro goleiro, e esse chuta pro meio de campo - vá cortar esse cabelo, seu marginal! -, e o meia tenta um passe aéreo pro atacante... ih, muito forte, a bola saiu do campo, e bate na cabeça no gandula! HA, otário! E vá apontar esse dedo pra sua mãe, puto! Dando continuidade ao jogo, o goleiro do Piauiense joga pro zagueiro, mas o adversário está vindo em sua direção... QUE CHAPÉU, AMIGOS TELESPECTADORES! Depois de receber um drible desses, eu me aposentava! Seu juiz, pare de rir, tenha pena desse caboclo, dá um cartão vermelho pra ele sair sem remorso! E o lateral recebe a bola, passa pro meio-campo, e a defesa do Feirense fecha a área do gol... mas peraí, isso não seria impedimento? Porra, cinco jogadores na pequena área, bando de banheirista preguiçoso! Vão aprender a correr! E é falta pro Piauí. O quê, o goleiro vai bater a falta? Que ótimo, temos uma imitação de Rogério Ceni aqui no estádio, palmas pra ele! Momento de tensão, meus amigos... hum, sinto cheiro de frango. E a bola vai no ângulo, o goleiro nem se mexe... E É GOL DO FEIREN... o quê, não! É gol do Piauí! Tanto faz, são dois times fudidos mesmo, série D e merda pra mim é a mesma coisa! E só agora o goleiro foi se mexer, ACORDA, DISGRAMA! Lembrando que gol de goleiro vale dois! Quié, seu torcedor pentelho? Eu sei que isso não é totó, zorra, esses torcedores de timecos de interior são tudo uns ignorantes!"
O que era mais curioso na partida, desconsiderando-se o fato de não estar sendo televisionada, era que todos ouviam a irradiação. Todos mesmo, inclusive os torcedores e o juiz, que, vez por outra, olhavam pra cabine do locutor e trocavam gestos entre si, como se estivessem se preparando pra uma briga. O próprio juiz já tirara uma lixa do bolso e estava afiando uma faca portátil. Mas enfim.
- "E o jogo não está muito emocionante, amigos telespectadores, até baba de pedreiro supera isso! Ninguém xingando a mãe de ninguém, que porra é essa? A única coisa digna de nota foi o goleiro do Feirense ter chutado a bola no saco do atacante adversário! Vocês querem uma sugestão? Que tal colocar outra bola no jogo? E daí que esses putos vão cansar mais rápido, assim que é bom, aí eu terei o que narrar! E o zagueiro do Feirense avança, passa pro meio de campo, o centro-avante assume, dá uma pedalada no lateral do Piauí, imitação barata de Robinho, passa pro atacante, que merda é essa, o atacante está fazendo embaixadinhas? Só tem maluco nessa porra! Ah, entendi, ele queria fazer uma bicicleta! Pena que não deu muito certo, ele caiu de cara na grama, que mané! Mas o chute foi bastante potente, chega atravessou o campo... alguém acorde o goleiro do Feirense, tem algo vindo na direção dele... eita, não entrou. Mas o zagueiro do Piauí corre a toda, atravessa o campo numa velocidade impressionante, chega perto da bola, com cara de quem vai matar alguém... ele vai chutar, ele vai chutar! E o goleiro do Feirense desperta do seu sono de beleza, vai pegar a bola! Ah, vão se fuder, o zagueiro furou a bola e chutou a cara do goleiro! Porra, namoral, vão ser burros assim na casa do caralho, vou ali tomar um cafézinho e já volto!"
Alguns minutos depois, o juiz apitou. Era o fim do primeiro tempo. E, a julgar pela movimentação dos jogadores, não haveria segundo. Não com aquele narrador, pelo menos. Assim, todos se juntaram no vestiário, e discutiram o que iam fazer. Decidiram que o pegariam quando voltasse pra cabine, que ficava acima do portão de entrada. Então, o juiz deu uma forte apitada pra finalizar o intervalo. E não deu outra:
- "Hm, o quê? Já terminou essa porra? Nem terminei de fazer o cafézinho, e ainda ia fazer o show do intervalo com esses bostas, mas nenhum jogou bem mesmo, então foda-se! E o juiz apita, começa o segundo tempo, cambada!... Oxente, cadê esses putos? Já saíram pra comer água? Cadê aquele juiz viado pra passar o cartão vermelho na bunda daqueles folgados?
Ao mesmo tempo, os jogadores, o juiz e alguns torcedores mais exaltados davam a volta no estádio, para chegar na cabine da discórdia. Com o locutor lá dentro, lógico.
- "Amigos telespectadores, parece que os jogadores debandaram! E já que não tem mais o que narrar, vou ler o jornal da cidade pros desocupados que ficaram! Aqui está a manchete, "filho de fazendeiro de renome morre de cirrose"; grande merda, como se ninguém soubesse o que ia acontecer... mas que diabo, uma horda de bárbaros invadiu a minha cabine! Estão vindo em minha direção, socorro! Alguém me ajude, por fav-"
Silêncio. Pouco depois, todos os que tinham sumido voltaram ao campo para continuar a partida, como se nada tivesse acontecido. Para encurtar a história, deu 2 x 1 pro Feirense. E, como de costume, foram todos encher a cara no bar da esquina. E após algumas (várias) grades, o garçom perguntou como eles iriam pagar. Todos riram com vontade. O juiz respondeu:
- Lembra do locutor anterior? No testamento, deixou tudo pro irmão, principalmente o dinheiro da aposentadoria, que ele se recusava a usar! E adivinhe quem é o tal irmão? Aquele puto ali! - e apontou pro atual narrador, amarrado com uma corda grossa, sob os pés do zagueiro do Feirense, esbravejando sobre o tamanho da conta do bar.
sexta-feira, 20 de agosto de 2010
Uma tarde no psiquiatra nº02
Mais um capítulo pra vocês!
Uma tarde no psiquiatra
Como estava sem pacientes, o doutor estava assinando alguns papéis e carimbando outros - sendo que os carimbos foram especialmente feitos para exprimir a atual situação dos pacientes, com frases de efeitos como: "caso perdido", "ainda há salvação", "morre virgem", "psicopata crônico - não que ele se importe", entre outros. Nesse momento, ouve o telefone de sua secretária tocar, e seu paciente favorito entrar. Favorito porque seu plano de saúde não cobria tanto tempo de consulta e agora ele tinha que pagar de forma particular. O único da lista de pacientes, por sinal. E ele parecia revoltado. "Aposto que a Milena acabou de avisá-lo sobre a nova forma de pagamento", pensou o doutor com seus botões.
- Doutor, me responda uma coisa. Porque todo gordo é escroto?
O doutor riu com gosto.
- AHHHH, meu Deus, hoje a consulta vai ser boa! Deita aí no divã, rapá!
- Porra, isso é um absurdo. Porque todo gordo é escroto?
- De onde você tirou essa conclusão, meu filho?
- É só ver por aí, doutor! É uma falta de vergonha na cara e excesso de banha! Veja só, Tim Maia era um escroto. Tá, eu admito, adorava as músicas dele quando era pequeno, mas fui crescendo e sabendo das coisas que ele fazia... era um puta escroto!
- Ok, ok. Mais algum?
- Deixa ver.... João Gordo, escroto até no nome. Agora virou hippie, o que o deixa ainda mais escroto!
- Essa aí eu concordo, aquele Gordo Freak Show era uma... bem, mais algum em mente?
- Faustão. Tudo bem, ele não é mais gordo, parece uma tartaruga sem casco, mas ele já foi gordo, então não deixa de ser escroto.
- A lista está ficando previsível.
-Tem o Jô Soares. Todo mundo vive falando bem dele, sei lá, não gosto dele. Se fosse bom mesmo, o programa passava mais cedo. É gordo e escroto.
- Mas ele é engraçado.
- Aquele César Menotti e Fabiano! Não sei qual dos dois é o gordo da dupla, mas um deles é escroto!
- Vamos lá, você consegue melhor que isso.
- Estou ficando sem opções. Victor Wooten, um escroto no baixo, no bom sentido!
- Quem? Essa daí foi apelação!
- Garfield, doutor! Gato é um bicho escroto por natureza, e gordo então! A pior combinação do mundo! Um gato gordo e escroto!
- Eu podia ser um membro do PETA e você nem saberia...
- O senhor Barriga! É escroto porque é gordo e pertence à terceira pior raça que existe, cobradores de aluguel!
- Quais são as outras duas?
- Taxista e cobrador de ônibus. O senhor já viu aqueles sapatos de liquidação dos cobradores, doutor? Não é uma visão muito agradável...
- Huum, justa causa. Está melhorando.
- Vejamos... Geddel, porra! Quer gordo mais escroto que ele? Podia ter mandado um auxílio praqueles desgraçados no deslizamento no Rio, mas não! Enviou a porra do dinheiro pra um monte de prefeitura nos interiores fins-de-mundo da Bahia! Escrotidão do caralho! Ele devia ir pro inferno com aquele outro escroto, o ACM!
- Diga isso não, eu ia votar nele...
- Qual é, doutor! Agora que eu vejo... e essa barriguinha aí? E aquele aumento na conta no fim do mês, hein? O senhor também é um belo de um escroto!
- Muito bem, acabou o tempo da consulta. Passe bem, puto!
- O quê? Mas que porra, não posso nem te criticar, que sou expulso do consultório!
- Anda logo, cacete, tá na hora do seu remédio! E separe o dinheiro da consulta, ouviu!
Uma tarde no psiquiatra
Como estava sem pacientes, o doutor estava assinando alguns papéis e carimbando outros - sendo que os carimbos foram especialmente feitos para exprimir a atual situação dos pacientes, com frases de efeitos como: "caso perdido", "ainda há salvação", "morre virgem", "psicopata crônico - não que ele se importe", entre outros. Nesse momento, ouve o telefone de sua secretária tocar, e seu paciente favorito entrar. Favorito porque seu plano de saúde não cobria tanto tempo de consulta e agora ele tinha que pagar de forma particular. O único da lista de pacientes, por sinal. E ele parecia revoltado. "Aposto que a Milena acabou de avisá-lo sobre a nova forma de pagamento", pensou o doutor com seus botões.
- Doutor, me responda uma coisa. Porque todo gordo é escroto?
O doutor riu com gosto.
- AHHHH, meu Deus, hoje a consulta vai ser boa! Deita aí no divã, rapá!
- Porra, isso é um absurdo. Porque todo gordo é escroto?
- De onde você tirou essa conclusão, meu filho?
- É só ver por aí, doutor! É uma falta de vergonha na cara e excesso de banha! Veja só, Tim Maia era um escroto. Tá, eu admito, adorava as músicas dele quando era pequeno, mas fui crescendo e sabendo das coisas que ele fazia... era um puta escroto!
- Ok, ok. Mais algum?
- Deixa ver.... João Gordo, escroto até no nome. Agora virou hippie, o que o deixa ainda mais escroto!
- Essa aí eu concordo, aquele Gordo Freak Show era uma... bem, mais algum em mente?
- Faustão. Tudo bem, ele não é mais gordo, parece uma tartaruga sem casco, mas ele já foi gordo, então não deixa de ser escroto.
- A lista está ficando previsível.
-Tem o Jô Soares. Todo mundo vive falando bem dele, sei lá, não gosto dele. Se fosse bom mesmo, o programa passava mais cedo. É gordo e escroto.
- Mas ele é engraçado.
- Aquele César Menotti e Fabiano! Não sei qual dos dois é o gordo da dupla, mas um deles é escroto!
- Vamos lá, você consegue melhor que isso.
- Estou ficando sem opções. Victor Wooten, um escroto no baixo, no bom sentido!
- Quem? Essa daí foi apelação!
- Garfield, doutor! Gato é um bicho escroto por natureza, e gordo então! A pior combinação do mundo! Um gato gordo e escroto!
- Eu podia ser um membro do PETA e você nem saberia...
- O senhor Barriga! É escroto porque é gordo e pertence à terceira pior raça que existe, cobradores de aluguel!
- Quais são as outras duas?
- Taxista e cobrador de ônibus. O senhor já viu aqueles sapatos de liquidação dos cobradores, doutor? Não é uma visão muito agradável...
- Huum, justa causa. Está melhorando.
- Vejamos... Geddel, porra! Quer gordo mais escroto que ele? Podia ter mandado um auxílio praqueles desgraçados no deslizamento no Rio, mas não! Enviou a porra do dinheiro pra um monte de prefeitura nos interiores fins-de-mundo da Bahia! Escrotidão do caralho! Ele devia ir pro inferno com aquele outro escroto, o ACM!
- Diga isso não, eu ia votar nele...
- Qual é, doutor! Agora que eu vejo... e essa barriguinha aí? E aquele aumento na conta no fim do mês, hein? O senhor também é um belo de um escroto!
- Muito bem, acabou o tempo da consulta. Passe bem, puto!
- O quê? Mas que porra, não posso nem te criticar, que sou expulso do consultório!
- Anda logo, cacete, tá na hora do seu remédio! E separe o dinheiro da consulta, ouviu!
terça-feira, 10 de agosto de 2010
Uma consulta no médico
Antes de mais nada, gostaria de dedicar esse texto à minha amiga SÁFIRA (com acento mesmo), que aniversariou há precisamente um mês, e entrego esse texto com atraso!
Espero que gostem, e principalmente você, Saf!
Uma consulta no médico
Hereditariedade é uma merda. O cara, vivendo numa boa, fazendo a corridinha dele num fim de semana qualquer, de repente ficou com a vista escurecida e caiu no chão. No pronto-socorro, ele finalmente acorda, com a mulher e o pai ao seu lado. Este, por sua vez, conta-lhe o segredo, guardado por tanto tempo: ele tinha um tipo de hipertensão levemente acentuado, assim como toda a família por parte de pai.
- Pô, pai! Como é que o senhor nunca me contou isso? - perguntou Augusto, o cara do início do texto.
- Bem, filho... não tinha como saber se você teria ou não. O último que teve foi seu bisavô, que teve um infarto pouco antes de ganhar a São Silvestre de 44. Foi tão triste, ninguém parou pra ajudá-lo, e ele só conseguiu chegar em ducentésimo quinto se arrastando.
- Tá, mas o senhor e meu avô nunca sentiram nada?
- Até que não, eu e ele também competimos várias vezes, e nunca teve nada. A não ser da vez que seu avô desmaiou na largada em 79, mas suspeito que foi uma rabada que ele comeu no dia anterior.
- Caramba, o que eu faço agora? Nunca mais vou poder comer carne seca na vida?
Então a mulher dele, em silêncio até então, disse:
- Não se preocupe, Guzinho. Já marquei com um cardiologista pra ver o seu estado.
- Guzinho, é? Bonito apelido, filho. É assim que a Ivana te chama na cama?
- Silêncio, coroa. Ou você não recebe mais sua aposentadoria.
- Ok, você venceu.
Então, duas semanas depois:
- Amor, quer que eu entre com você no consultório?
- Não precisa... e eu não era Guzinho até anteontem, quando meus pais vieram nos visitar?
- Ah, aquilo foi só pra te envergonhar na frente deles.
- Então tá. Você fica aqui fora.
Adentrando o consultório, Augusto deparou-se com um médico nos seus 50 anos, cabelo rareando. Era troncudo, e dava uma impressão de vitalidade. E de algo mais, que ele não soube dizer.
- Boa tarde, doutor.
- Boa tarde, meu jovem! Como vai esse coração? Ah, espera aí... se estivesse bom, você não estaria aqui!
Agora Augusto soube dizer o que pensara. Ele não só tinha cara de sacana como o era.
- Que cara é essa, meu jovem? Está com um princípio de infarto?
- Não, doutor Ado... na verdade, é o seguinte... - e expôs a situação ao médico.
- Deixe-me ver se entendi. Toda a sua família por parte de pai é hipertensa, e só te contaram isso agora, quando teve uma complicação?
- Exatamente.
- Ha! Provavelmente pra você não ter um ataque antes da hora!
- ...
- Sossegue, meu rapaz! Marcarei uma série de consultas, pra ver se um tratamento resolve!
- Série de consultas? E quantas seriam?...
- Ah, quantas forem necessárias!
- Oh, céus...
E assim foram transcorrendo as consultas, sempre no mesmo tom.
- Faça um exame de sangue, mas não veja o resultado. Pode ser demais pro seu coração.
- Se eu fizer um corte aqui, o sangue vai sair de uma forma tal que vai esguichar na sala de espera. Olhe a pulsação!
- Você, quando está envergonhado, fica com a cara vermelha ou continua branca desse jeito? Porque eu tenho a ligeira impressão de que seu coração não realizaria essa façanha!
- Seu Augusto, me responda com sinceridade, sua mulher é fiel? Talvez seu coração não encare uma dor de corno!
- Olha Augusto, quando você ficar velho, não recomendo o uso de Viagra. O sangue iria todo pro pênis e não sobraria mais nada pra ser bombeado!
- Diz aí, pra você, como é a sensação de o sangue subir à cabeça e desmaiar por causa disso?
Até que o dia da consulta final chegou, após seis meses. Augusto não escondia sua felicidade. Mas o doutor parecia meio resignado.
- É, seu Augusto, parece que você enfim se livrará de mim! A partir de agora é só seguir a medicação e estará tudo em ordem!
- Que ótimo, doutor. Mal consigo conter minha felicidade - disse Augusto com um sorriso cínico.
- Pois bem, você atenuou bastante o seu problema. Vamos ver se o mesmo acontece comigo.
- Porque isso, doutor? Qual o caso?
- Parece que minha próstata anda capengando. Só espero que isso não se agrave muito daqui pra frente.
- Huuuum, entendo. Obrigado pelo tratamento, doutor Ado.
- Que é isso, meu filho. Vá pela sombra, e não se excite demais!
- Não se preocupe, vou me lembrar disso.
O que ninguém esperava é que Augusto desistisse de sua consultoria em favor de uma carreira na proctologia. Era realmente estranho. E ele ascendeu rápido, oito anos depois de formado, já tinha consultório próprio, com o qual conseguiu certo renome. Atendia a todos com a mesma sobriedade, mas interessou-se um senhor, cardiologista aposentado, com problemas na próstata.
- Bom dia, doutor Augusto. Como vai?
- Vou bem, doutor Ado, muito bem...
- Espera aí, como sabe que sou doutor?... Ah, lembro de você! O garoto do coração fraco!
- Esse mesmo, o que você costumava sacanear toda consulta.
- Ora, vamos. Era só pra descontrair, coisa-à-toa.
- Claro que sim. Mas realmente não tinha como esquecer essas coisas-à-toa. Tanto que foi por causa delas que virei proctólogo.
- O que é isso, meu rapaz... esqueça isso, é coisa do passado.
- Já esqueci, já esqueci... não se preocupe. Agora vamos ao seu exame de toque.
- Ei, peraí! Hoje é só uma consulta rotineira! E pra quê você está colocando essa luva de ferro?
- Calma aí, doutor Ado. Se o senhor não tivesse nada, não estaria aqui. E essa belezinha aqui amansa o paciente rapidinho, dando tempo de sobra pra procurar o problema aí atrás. Agora, é só ter paciência, que nesses seis meses de tratamento, cuidarei dessa sua próstata! - e deu uma risada maníaca.
- Oh, céus...
Espero que gostem, e principalmente você, Saf!
Uma consulta no médico
Hereditariedade é uma merda. O cara, vivendo numa boa, fazendo a corridinha dele num fim de semana qualquer, de repente ficou com a vista escurecida e caiu no chão. No pronto-socorro, ele finalmente acorda, com a mulher e o pai ao seu lado. Este, por sua vez, conta-lhe o segredo, guardado por tanto tempo: ele tinha um tipo de hipertensão levemente acentuado, assim como toda a família por parte de pai.
- Pô, pai! Como é que o senhor nunca me contou isso? - perguntou Augusto, o cara do início do texto.
- Bem, filho... não tinha como saber se você teria ou não. O último que teve foi seu bisavô, que teve um infarto pouco antes de ganhar a São Silvestre de 44. Foi tão triste, ninguém parou pra ajudá-lo, e ele só conseguiu chegar em ducentésimo quinto se arrastando.
- Tá, mas o senhor e meu avô nunca sentiram nada?
- Até que não, eu e ele também competimos várias vezes, e nunca teve nada. A não ser da vez que seu avô desmaiou na largada em 79, mas suspeito que foi uma rabada que ele comeu no dia anterior.
- Caramba, o que eu faço agora? Nunca mais vou poder comer carne seca na vida?
Então a mulher dele, em silêncio até então, disse:
- Não se preocupe, Guzinho. Já marquei com um cardiologista pra ver o seu estado.
- Guzinho, é? Bonito apelido, filho. É assim que a Ivana te chama na cama?
- Silêncio, coroa. Ou você não recebe mais sua aposentadoria.
- Ok, você venceu.
Então, duas semanas depois:
- Amor, quer que eu entre com você no consultório?
- Não precisa... e eu não era Guzinho até anteontem, quando meus pais vieram nos visitar?
- Ah, aquilo foi só pra te envergonhar na frente deles.
- Então tá. Você fica aqui fora.
Adentrando o consultório, Augusto deparou-se com um médico nos seus 50 anos, cabelo rareando. Era troncudo, e dava uma impressão de vitalidade. E de algo mais, que ele não soube dizer.
- Boa tarde, doutor.
- Boa tarde, meu jovem! Como vai esse coração? Ah, espera aí... se estivesse bom, você não estaria aqui!
Agora Augusto soube dizer o que pensara. Ele não só tinha cara de sacana como o era.
- Que cara é essa, meu jovem? Está com um princípio de infarto?
- Não, doutor Ado... na verdade, é o seguinte... - e expôs a situação ao médico.
- Deixe-me ver se entendi. Toda a sua família por parte de pai é hipertensa, e só te contaram isso agora, quando teve uma complicação?
- Exatamente.
- Ha! Provavelmente pra você não ter um ataque antes da hora!
- ...
- Sossegue, meu rapaz! Marcarei uma série de consultas, pra ver se um tratamento resolve!
- Série de consultas? E quantas seriam?...
- Ah, quantas forem necessárias!
- Oh, céus...
E assim foram transcorrendo as consultas, sempre no mesmo tom.
- Faça um exame de sangue, mas não veja o resultado. Pode ser demais pro seu coração.
- Se eu fizer um corte aqui, o sangue vai sair de uma forma tal que vai esguichar na sala de espera. Olhe a pulsação!
- Você, quando está envergonhado, fica com a cara vermelha ou continua branca desse jeito? Porque eu tenho a ligeira impressão de que seu coração não realizaria essa façanha!
- Seu Augusto, me responda com sinceridade, sua mulher é fiel? Talvez seu coração não encare uma dor de corno!
- Olha Augusto, quando você ficar velho, não recomendo o uso de Viagra. O sangue iria todo pro pênis e não sobraria mais nada pra ser bombeado!
- Diz aí, pra você, como é a sensação de o sangue subir à cabeça e desmaiar por causa disso?
Até que o dia da consulta final chegou, após seis meses. Augusto não escondia sua felicidade. Mas o doutor parecia meio resignado.
- É, seu Augusto, parece que você enfim se livrará de mim! A partir de agora é só seguir a medicação e estará tudo em ordem!
- Que ótimo, doutor. Mal consigo conter minha felicidade - disse Augusto com um sorriso cínico.
- Pois bem, você atenuou bastante o seu problema. Vamos ver se o mesmo acontece comigo.
- Porque isso, doutor? Qual o caso?
- Parece que minha próstata anda capengando. Só espero que isso não se agrave muito daqui pra frente.
- Huuuum, entendo. Obrigado pelo tratamento, doutor Ado.
- Que é isso, meu filho. Vá pela sombra, e não se excite demais!
- Não se preocupe, vou me lembrar disso.
O que ninguém esperava é que Augusto desistisse de sua consultoria em favor de uma carreira na proctologia. Era realmente estranho. E ele ascendeu rápido, oito anos depois de formado, já tinha consultório próprio, com o qual conseguiu certo renome. Atendia a todos com a mesma sobriedade, mas interessou-se um senhor, cardiologista aposentado, com problemas na próstata.
- Bom dia, doutor Augusto. Como vai?
- Vou bem, doutor Ado, muito bem...
- Espera aí, como sabe que sou doutor?... Ah, lembro de você! O garoto do coração fraco!
- Esse mesmo, o que você costumava sacanear toda consulta.
- Ora, vamos. Era só pra descontrair, coisa-à-toa.
- Claro que sim. Mas realmente não tinha como esquecer essas coisas-à-toa. Tanto que foi por causa delas que virei proctólogo.
- O que é isso, meu rapaz... esqueça isso, é coisa do passado.
- Já esqueci, já esqueci... não se preocupe. Agora vamos ao seu exame de toque.
- Ei, peraí! Hoje é só uma consulta rotineira! E pra quê você está colocando essa luva de ferro?
- Calma aí, doutor Ado. Se o senhor não tivesse nada, não estaria aqui. E essa belezinha aqui amansa o paciente rapidinho, dando tempo de sobra pra procurar o problema aí atrás. Agora, é só ter paciência, que nesses seis meses de tratamento, cuidarei dessa sua próstata! - e deu uma risada maníaca.
- Oh, céus...
terça-feira, 27 de julho de 2010
Uma tarde no psiquiatra nº01
E vamos inaugurar uma nova série aqui no blog, Uma tarde no psiquiatra!
Periodicamente publicarei novas postagens, como aqueles folhetins do século XIX.
(me senti o Machado de Assis agora)
Espero que gostem, e que ao menos se pronunciassem, vocês parecem um bando de fantasmas, seus putos!
Uma tarde no psiquiatra
- Boa tarde, doutor. Como está?
- Muito bem, obrigado. E você, qual o problema?
- Problema, doutor? Acho que não tenho nenhum, até o momento.
- É o que todos dizem num consultório médico. Ainda bem que você não tem diabetes, senão diria que não comeu nada demais. Enfim, porque te mandaram aqui?
- Até agora não sei bem. Acho que preciso de alguém que ouça minhas conversas, sem reclamar.
- E o que exatamente aconteceu com o último que reclamou?
- Ah, o Ernesto, estávamos conversando sobre contagem de anos, e ele vem me dizer que a década de 90 começou em 1991, como acontece com os séculos! Vê se tem cabimento? Voei no pescoço dele pela audácia.
- Meio radical você, hein? Ainda bem que você não exige muito, é só conversa mesmo.
- Ah, e doutor? As conversas poderiam ser ali no divã? Sempre vi aqueles malucões de filmes tendo altas conversas com o psiquiatra naqueles divãs! Era meu sonho molhado fazer o mesmo?
- Seu sonho era ser maluco? Que intrigante.
- Não, doutor! Divãs são o máximo, sempre quis deitar e conversar em um!
- Como quiser, então; cada doido com sua mania...
- Engraçado, todos os consultórios de profissionais da área do senhor têm um divã. Acho que as lojas de móveis oferecem um desconto pros médicos da psique! Será que oferecem um descontinho pra psicopatas?...
- Sua piada foi deprimente. Só por causa disso, nada de divã essa consulta!
- Ah doutor, qual é? Quer que eu voe no seu pescoço também?
- Experimente, que você leva uma injeção de calmante, cujo efeito só passa depois de uma semana!
- Mas isso aí é Rivotril! Depois de umas horas, estarei pronto pra outra!
- Teremos um problema sério de relacionamento se você continuar sendo enxerido assim.
- Sem problema, doutor. Meu problema é a falta de gente pra conversar.
- O primeiro passo pra resolver o problema é admiti-lo.
- Todo metido a psicólogo fala isso ou é impressão?
- Nossa consulta acabou! Queira se retirar, que você está pagando por plano de saúde e o próximo paciente paga particular!
- Nossa doutor, que grosseria!
- Porra nenhuma, até semana que vem! Passe bem!
Periodicamente publicarei novas postagens, como aqueles folhetins do século XIX.
(me senti o Machado de Assis agora)
Espero que gostem, e que ao menos se pronunciassem, vocês parecem um bando de fantasmas, seus putos!
Uma tarde no psiquiatra
- Boa tarde, doutor. Como está?
- Muito bem, obrigado. E você, qual o problema?
- Problema, doutor? Acho que não tenho nenhum, até o momento.
- É o que todos dizem num consultório médico. Ainda bem que você não tem diabetes, senão diria que não comeu nada demais. Enfim, porque te mandaram aqui?
- Até agora não sei bem. Acho que preciso de alguém que ouça minhas conversas, sem reclamar.
- E o que exatamente aconteceu com o último que reclamou?
- Ah, o Ernesto, estávamos conversando sobre contagem de anos, e ele vem me dizer que a década de 90 começou em 1991, como acontece com os séculos! Vê se tem cabimento? Voei no pescoço dele pela audácia.
- Meio radical você, hein? Ainda bem que você não exige muito, é só conversa mesmo.
- Ah, e doutor? As conversas poderiam ser ali no divã? Sempre vi aqueles malucões de filmes tendo altas conversas com o psiquiatra naqueles divãs! Era meu sonho molhado fazer o mesmo?
- Seu sonho era ser maluco? Que intrigante.
- Não, doutor! Divãs são o máximo, sempre quis deitar e conversar em um!
- Como quiser, então; cada doido com sua mania...
- Engraçado, todos os consultórios de profissionais da área do senhor têm um divã. Acho que as lojas de móveis oferecem um desconto pros médicos da psique! Será que oferecem um descontinho pra psicopatas?...
- Sua piada foi deprimente. Só por causa disso, nada de divã essa consulta!
- Ah doutor, qual é? Quer que eu voe no seu pescoço também?
- Experimente, que você leva uma injeção de calmante, cujo efeito só passa depois de uma semana!
- Mas isso aí é Rivotril! Depois de umas horas, estarei pronto pra outra!
- Teremos um problema sério de relacionamento se você continuar sendo enxerido assim.
- Sem problema, doutor. Meu problema é a falta de gente pra conversar.
- O primeiro passo pra resolver o problema é admiti-lo.
- Todo metido a psicólogo fala isso ou é impressão?
- Nossa consulta acabou! Queira se retirar, que você está pagando por plano de saúde e o próximo paciente paga particular!
- Nossa doutor, que grosseria!
- Porra nenhuma, até semana que vem! Passe bem!
sexta-feira, 23 de julho de 2010
Aula de sintaxe
Coisa de momento. Divirtam-se.
Aula de sintaxe: concordância
A expressão 'filho da puta' é lugar-comum para a maioria dos brasileiros. Se não a usou, coisa rara, por decerto que já a ouviu, e mais decerto ainda, a usará em um futuro próximo.
Pois bem. Quando nos referimos a apenas UM cidadão, utilizamos a expressão raiz, 'filho da puta' mesmo, que é uma situação auto-explicativa. Quem passou por ela sabe.
Agora, quando DOIS ou MAIS cidadãos estão envolvidos, há que se prestar atenção à concordância.
Existem três casos, a seguir:
- FILHOS DA PUTA: utilizado quando os sujeitos em questão são oriundos de UMA ÚNICA PUTA. É algo simples de visualizar, é apenas uma meretriz que não usou camisinha nenhuma vez e teve vários rebentos, que, por sua vez, são chamados FILHOS DA PUTA. Por algum motivo, a expressão mais utilizada;
- FILHOS DAS PUTAS: outra situação simples de visualizar, são VÁRIOS mancebos procedentes de DIVERSAS putas. Não há muito o que explicar. A expressão, proferida em alta voz, costuma causar um ligeiro efeito cômico, visível nas pessoas ao redor. Não tão utilizada quanto a anterior;
- e por último, FILHO DAS PUTAS: expressão menos usada das três, em parte por sua difícil visualização, e também por sua relativa falta de sentido. Na verdade, existe um contexto por trás, em que um único rapaz foi abandonado pelos pais biológicos e amparado por mulheres da vida que habitavam um meretrício. A história gerou a frase 'filho criado pelas putas', que com o tempo, foi reduzida para 'filho das putas'. É uma expressão deveras antiga, e caída em desuso atualmente. Vez por outra, pode-se ouvir um homem da velha guarda proferir a tal. Tenha certeza que o homem conhece o contexto por trás.
E é isso aí. Espero ter esclarecido as possíveis dúvidas. Qualquer coisa, ponha as frases em prática, para as interrogações não prevalecerem.
segunda-feira, 21 de junho de 2010
Sobre como criar um texto dissertativo (texto sério)
E aqui, a segunda parte do manual, a parte séria!
Sobre como criar um texto dissertativo (texto sério)
A dissertação é uma modalidade de texto em que se emite opinião sobre determinado assunto. Em suma, é o posicionamento do emissor sobre um tema, abordando um assunto em especial. Dissertações estão bastante difundidas na atualidade, estando presentes em diversos meios de comunicação, em sua maioria os escritos: jornais, revistas e internet. Apesar de exigir menos que outras modalidades de texto, como uma narração, não é algo simples de se falar.
Para começar, deve-se saber, ou ao menos ter uma noção, do que será escrito. Então, para o início, faz-se necessária a apresentação dessa idéia já no primeiro parágrafo. E a seguir, nos outros parágrafos, há o desenvolvimento desta idéia a partir do posicionamento tomado durante o primeiro parágrafo, mas isso pode variar; numa dissertação, a opinião é neutra: geralmente são ditos os aspectos que pesam a favor, e em seguida os fatores desfavoráveis. Já numa argumentação, há que se adotar uma postura sobre o que está sendo escrito, a favor ou contra.
Mas independente do tipo de texto dissertativo, a estrutura dos textos costuma ser parecida: o primeiro parágrafo apresenta a tese a ser discutida, enquanto que no segundo e terceiro parágrafos, a tese é desenvolvida, com argumentos convincentes e relevantes; por exemplo, estatísticas mostram que 62% das dissertações escolares bem-escritas e coesas possuem estatísticas. Mas tenha sempre certeza da fonte: o IBGE diz que 49% das fontes ou informações das estatísticas são inventadas pelos alunos. Por isso, é importante basear seus argumentos com dados significativos, ainda mais se a modalidade for a argumentação, em que sua opinião, sendo unilateral, deverá ter mais motivos para convencer o leitor de seu ponto de vista.
Enfim, dissertações e argumentações são tipos de textos dissertativos, que nada mais são que a expressão impessoal de um ponto de vista, explorando-se os dois lados da questão ou apenas um. Claro que há os elementos que devem estar presentes em qualquer texto, como coesão e uma boa apresentação, mas a idéia desenvolvida é a chave das dissertações, não se esquecendo da conclusão ao final, amarrando as idéias presentes e fechando o texto.
Sobre como criar um texto dissertativo (texto sério)
A dissertação é uma modalidade de texto em que se emite opinião sobre determinado assunto. Em suma, é o posicionamento do emissor sobre um tema, abordando um assunto em especial. Dissertações estão bastante difundidas na atualidade, estando presentes em diversos meios de comunicação, em sua maioria os escritos: jornais, revistas e internet. Apesar de exigir menos que outras modalidades de texto, como uma narração, não é algo simples de se falar.
Para começar, deve-se saber, ou ao menos ter uma noção, do que será escrito. Então, para o início, faz-se necessária a apresentação dessa idéia já no primeiro parágrafo. E a seguir, nos outros parágrafos, há o desenvolvimento desta idéia a partir do posicionamento tomado durante o primeiro parágrafo, mas isso pode variar; numa dissertação, a opinião é neutra: geralmente são ditos os aspectos que pesam a favor, e em seguida os fatores desfavoráveis. Já numa argumentação, há que se adotar uma postura sobre o que está sendo escrito, a favor ou contra.
Mas independente do tipo de texto dissertativo, a estrutura dos textos costuma ser parecida: o primeiro parágrafo apresenta a tese a ser discutida, enquanto que no segundo e terceiro parágrafos, a tese é desenvolvida, com argumentos convincentes e relevantes; por exemplo, estatísticas mostram que 62% das dissertações escolares bem-escritas e coesas possuem estatísticas. Mas tenha sempre certeza da fonte: o IBGE diz que 49% das fontes ou informações das estatísticas são inventadas pelos alunos. Por isso, é importante basear seus argumentos com dados significativos, ainda mais se a modalidade for a argumentação, em que sua opinião, sendo unilateral, deverá ter mais motivos para convencer o leitor de seu ponto de vista.
Enfim, dissertações e argumentações são tipos de textos dissertativos, que nada mais são que a expressão impessoal de um ponto de vista, explorando-se os dois lados da questão ou apenas um. Claro que há os elementos que devem estar presentes em qualquer texto, como coesão e uma boa apresentação, mas a idéia desenvolvida é a chave das dissertações, não se esquecendo da conclusão ao final, amarrando as idéias presentes e fechando o texto.
Sobre como criar um texto dissertativo (texto zuêra)
Enfim, uma atualização depois de um tempo entregue às baratas!
Aqui vai o primeiro, um manual de como fazer uma dissertação!
Sobre como criar um texto dissertativo (texto zuêra)
Aqui vai o primeiro, um manual de como fazer uma dissertação!
Sobre como criar um texto dissertativo (texto zuêra)
Muito bem, mais um período de férias acabou e você tem que voltar ao colégio, mais uma vez. Pode dizer, é um saco. Entre as novidades, algumas provavelmente serão boas (“A professora de geografia é gostosa!”, “O professor de química é um gato!”, escolha o seu), algumas certamente serão ruins (“Física? NOOO!”), outras serão inexpressivas (“Literatura serve pra quê, véi?”). Porém, você descobrirá cedo ou tarde que aquelas narrativas bestinhas que você costumava fazer serão coisa do passado, a nova onda será fazer dissertações.
E você se questiona: “Pra que diabos serve uma dissertação? Prefiro muito mais continuar com minhas narrativas!”. Primeiro, elas servem pra muita coisa. E segundo, se você prefere fazer narrações, sinto dizer, mas você é um desocupado. Ou então um cara muito criativo que escreve esse tipo de texto por diversão. E, por tabela, um desocupado. Mas não se aflija. Dissertações são simples: é a sua opinião sobre determinado assunto, somente. Claro, respeitando-se a estrutura do texto. Por exemplo, numa dissertação, você não pode se incluir DE MANEIRA ALGUMA. Calma, que o texto em Caps Lock é pra enfatizar a idéia. A não ser que você esteja escrevendo uma carta argumentativa, mas isso é assunto pra outro texto. Coisas como “a pena de morte é repudiada pelas sociedades em geral, mas eu acredito que deveria ser instituída” matam um texto. Não importa se não tem nenhum erro de escrita ou de gramática, ou se a tinta de sua caneta é de ouro, seu texto será motivo de chacota para seu professor, que não hesitará em aplicar um zero bem oval a ele (porque o zero é mais oval que redondo, espertos). E por favor, não invente de colocar dois pontos e travessão, que isso não é uma narrativa. Não existe nada mais broxante do que ver uma tese bem apresentada, bem desenvolvida, só para notar um diálogo entre um parágrafo e outro.
Para ilustrar melhor, imagine que você é um conquistador aí, tipo Alexandre o Grande, só que heterossexual. Aí você chega numa região que possui dois castelos. Você só pode conquistar um deles. Sim, eu sei que não faz sentido você ser um conquistador e não poder conquistar o que quiser, mas relaxe aí. Pense na situação das tropas. Pois bem, você pede aos espiões que trouxe consigo um relatório completo sobre os dois castelos, e pra encurtar a história, eles voltam logo com informações suficientes sobre os lugares, e aí é só decidir qual castelo, sacou? Metaforicamente, os espiões representam você. Esqueça o conquistador por um instante. As informações representam... hã, as informações que você sabe sobre o castelo, que representa seu posicionamento sobre o assunto, que é algo mais abrangente, tipo a região. Não faz muito sentido, mas é mais ou menos assim que funciona.
Pois bem, siga estas dicas para fazer uma dissertação de boa!
E você se questiona: “Pra que diabos serve uma dissertação? Prefiro muito mais continuar com minhas narrativas!”. Primeiro, elas servem pra muita coisa. E segundo, se você prefere fazer narrações, sinto dizer, mas você é um desocupado. Ou então um cara muito criativo que escreve esse tipo de texto por diversão. E, por tabela, um desocupado. Mas não se aflija. Dissertações são simples: é a sua opinião sobre determinado assunto, somente. Claro, respeitando-se a estrutura do texto. Por exemplo, numa dissertação, você não pode se incluir DE MANEIRA ALGUMA. Calma, que o texto em Caps Lock é pra enfatizar a idéia. A não ser que você esteja escrevendo uma carta argumentativa, mas isso é assunto pra outro texto. Coisas como “a pena de morte é repudiada pelas sociedades em geral, mas eu acredito que deveria ser instituída” matam um texto. Não importa se não tem nenhum erro de escrita ou de gramática, ou se a tinta de sua caneta é de ouro, seu texto será motivo de chacota para seu professor, que não hesitará em aplicar um zero bem oval a ele (porque o zero é mais oval que redondo, espertos). E por favor, não invente de colocar dois pontos e travessão, que isso não é uma narrativa. Não existe nada mais broxante do que ver uma tese bem apresentada, bem desenvolvida, só para notar um diálogo entre um parágrafo e outro.
Para ilustrar melhor, imagine que você é um conquistador aí, tipo Alexandre o Grande, só que heterossexual. Aí você chega numa região que possui dois castelos. Você só pode conquistar um deles. Sim, eu sei que não faz sentido você ser um conquistador e não poder conquistar o que quiser, mas relaxe aí. Pense na situação das tropas. Pois bem, você pede aos espiões que trouxe consigo um relatório completo sobre os dois castelos, e pra encurtar a história, eles voltam logo com informações suficientes sobre os lugares, e aí é só decidir qual castelo, sacou? Metaforicamente, os espiões representam você. Esqueça o conquistador por um instante. As informações representam... hã, as informações que você sabe sobre o castelo, que representa seu posicionamento sobre o assunto, que é algo mais abrangente, tipo a região. Não faz muito sentido, mas é mais ou menos assim que funciona.
Pois bem, siga estas dicas para fazer uma dissertação de boa!
sexta-feira, 14 de maio de 2010
Especial Dia das Mães!
E daí que está atrasado? Você só faz elogio à sua mãe no dia das mães? Dia de mãe é todo dia, pô!
Roberto não acreditou quando viu; ele achou que tivesse perdido na mudança. Era um álbum de fotografias de sua mãe, com várias fotos do arco da velha. Ele ficou alguns instantes olhando aquela preciosidade, e, involuntariamente, fechou os olhos com um sorriso nos lábios. Lembrava-se muito bem de sua mãe, muito embora tivesse falecido havia cinco anos. Por vezes Roberto se pegava pensando nela, e até mesmo chorava, mas aprendeu a lidar com isso. “Nunca crie raízes. Você nunca sabe como será o dia de amanhã, então cultive o desapego às pessoas e coisas. Afinal, nada é para sempre, não é?”, ela dizia. Foi uma das grandes lições que sua mãe lhe passara. “Pra ser sincero”, pensava ele, “ela me ensinou tanta coisa...”
Roberto foi folheando o álbum, vendo diversos momentos da vida de sua mãe. Aparentemente, ela havia juntado várias fotos de épocas diferentes em um só lugar, e a julgar pela primeira foto, aquele álbum não tinha menos que quarenta anos. “Não estou impressionado, ela sempre teve preguiça de procurar coisas por aí. Mas sempre teve cuidado para guardar as coisas, se duvidar, deve ter alguma conta de luz dela guardada por aqui! Gostaria de ter aprendido isso...”; ele olhou para trás e viu a cama completamente desfeita, o lençol no ventilador, os travesseiros nos cantos do quarto, com a aparência de que foram jogados com força, o colchão pendendo para fora da cama do casal, e alguns fios de cabelos, curtos e longos, espalhados. “Pelo menos a noite foi boa.” Ele continuou folheando, e parou numa foto em que ela estava junto a outros colegas de trabalho; parecia ser o primeiro dia de trabalho, ninguém tinha cabelo branco, alguns ainda tinham barba, e todos sorriam alegremente. “Se ela soubesse a cilada em que estava entrando... Tudo bem, não é pra tanto, mas trabalhar na parte contábil-administrativa de uma empresa era estressante. Ou ela chegava em casa cansada ou de mau humor. Ou os dois. Felizmente ela me ensinou que trabalho não se trata de dinheiro, mas sim de satisfação. O que vem depois é conseqüência. Também, depois da ameaça de me deserdar se fizesse a mesma área que ela, ficou mais fácil escolher...” Ele sorriu e continuou vendo as fotos.
Parou em uma com a qual se emocionou. Era uma em que Roberto, criança, estava no colo de sua mãe, numa praia deserta. Ele tinha se esquecido como sua mãe gostava de praia, a ponto de se recusar a morar no interior por causa disso. Era praticamente um hábito, todo domingo de manhã tinha praia. “Temos que ir cedo, praia fim de semana em Salvador é impraticável!”. Quando dava na telha, ia a algum lugar do litoral norte. É verdade, ela viajava bastante, pelo menos uma vez ao ano. “Viaje sempre, é bom para ter outra visão das coisas, saber como as pessoas vivem por aqui. E também para você perceber que não há lugar como o nosso lar!”, eram suas palavras sempre que desfazia as malas. Tanto que foi por causa dessa paixão por praia e por viagens que Roberto virou surfista, e viajava quase sempre. Isto é, antes de casar e virem os dois pentelhos que sua mulher chamava de filhos. “Puxaram à avó, na certa”.
Na foto seguinte, a família estava jogando sinuca, e a mãe de Roberto apontava o taco sugestivamente para a bunda de um tio. Ela sempre gostou de uma gaiatice. Tinha outra foto em que ela, na cozinha da antiga casa, preparava um prato, digamos, exótico: dois ovos e uma lingüiça. Detalhe que nessa foto ela já estava com uns 60 anos; ela perdia a vergonha, e não perdia a piada. Não que Roberto não gostasse. “Por pior que estivesse a situação, ela me ensinou a rir da vida; era o que nos restava quando não havia mais o que fazer. Felizmente, ela tinha um grande senso de humor... ou mesmo uma grande vontade de encher o saco de quem estava ao redor. Por vezes chegava a ser inconveniente. O problema é quando ela estava sem paciência...” Ele se lembrava claramente do dia em que ela pedira a um colega para lhe fazer um grande favor. A resposta dele, levemente sarcástica, foi: “Rapaz, não vou poder fazer isso, mas você, como uma hábil dona de casa e uma respeitável chefa de família, poderá dar conta do recado sozinha!” E a réplica: “Tenho que dar conta mesmo, com esse bando de maridos imprestáveis povoando o mundo! Nenhum dá conta de porra nenhuma!” Roberto se impressionava com a capacidade que sua mãe tinha de sempre ter uma resposta na ponta da língua.
Outra foto mostrava a mãe e ele, ainda pequeno, brincando com alguns blocos com letras. Se tinha algo que Roberto se orgulhava, era de ter aprendido a ler bastante cedo, e foi graças a coisas desse tipo. Ela ainda ficava exibindo o “filho inteligente que já nasceu lendo”, segundo a própria, com constantes idas ao supermercado, não para comprar, mas para ler os rótulos das coisas, com o propósito de impressionar quem passava perto. E, de fato, ela conseguia. Outro caso que ela gostava bastante de contar era sobre uma viagem que tinham feito pro norte do país, de ônibus; ele tinha no máximo uns seis anos. Como era época de eleição, a mãe incitava Roberto a ler as propagandas nos muros. “Vo-te em Jo-sé Ge-no-í-no”, “Fi-rmi-no Ma-ia pa-ra pre-fei-to”, “Jo-ão An-dra-de, ve-re-a-dor do po-vo” eram alguns exemplos, que ele lia devagar, mesmo sem saber exatamente o que significavam, e bem alto. Porém, teve um muro que tinha uma palavra, digamos, desvinculada do contexto político, e inserida num contexto obsceno. Mas Roberto, que sabia ler mas não sabia o que era contexto, recitou sem pudor: “BU-CE-TA”; o ônibus veio abaixo de tanta risada. E o garoto passou o resto da viagem passando por cima dos assentos, atendendo a pedidos para ler muros e outdoors.
E cada foto que ia passando, uma lembrança ia surgindo, momentos que ficaram registrados na sua memória. E Roberto ia se tocando da razão de sentir tanta falta de sua mãe: graças a ela, pôde se tornar um homem de verdade. Mais que isso, ela o ensinou que a vida toma o rumo que nossas escolhas apontam, e também a fazer escolhas certas. Até hoje ele se lembrava que queria seguir a área de Humanas na universidade, em especial o curso de Filosofia. Sua mãe, sabiamente, o incitou a tirar essa idéia da cabeça e a seguir um curso de engenharia. Hoje, ele trabalha como consultor de empresas, um pouco fora da área de formação, mas sua organização e facilidade de administrar financiamentos tributários - cujos rudimentos foram passados por sua mãe - o auxiliaram no caminho. Não por acaso, umas das últimas fotos era a da festa de formatura, com Roberto erguendo o - tão suado - canudo, com a família ao fundo fazendo um brinde, e a sua mãe, ao seu lado, chorando e com um papel, que era o resultado de um concurso público, em que Roberto tinha passado em segundo lugar, mas conseguira o emprego por causa de seu currículo, com recomendações das várias empresas em que estagiara. Tudo isso por conta de escolhas. “Ainda bem que ela me ensinou a fazer as escolhas certas.”
Foi então que ele ouviu um barulho vindo do quarto do casal; eram seus dois filhos, que tinham se jogado na cama e acordado a mãe, que brincava com o filho enquanto a filha passava o perfume que ambos tinham dado de presente de dia das mães. Ele não queria interromper o momento, então ficou observando pela fresta da porta. Sorrindo de leve. Roberto sabia que tinha escolhido a mulher certa para ele; podia ter seus ataques de ansiedade vez por outra e nem cozinhar tão bem, mas era muito inteligente, além de organizada e, por vezes, irônica. E depois da chegada dos filhos, ela estava um amor de pessoa. Claro, depois daquela fase pós-nascimento, que ninguém em casa conseguia dormir. Um dos ensinamentos mais valiosos que sua mãe passara, senão o mais importante, tinha sido: “trate bem as mulheres, seu puto! Se você não o fizer, no dia que ela acordar de mal com a vida, você será o primeiro a saber que mulher não se sacaneia! Trate-as bem, na medida do possível, e terá sua recompensa!” E ali estava sua recompensa, bem em cima da cama. Uma mulher que ele amava e que o amava de volta. Se tivesse que terminar, paciência. Por ora, estava tudo perfeito. Isso tudo graças à sua mãe. E Roberto pensou: “não comprei um presente para ela... mas farei algo que ela gostará, com certeza, que minha mãe certamente aprovaria! Vou escrever um texto de homenagem! Nada mais apropriado, estou meio sem dinheiro esses tempos! Acho que vou falar sobre hoje, achando esse álbum de fotografias mais cedo...”
Roberto não acreditou quando viu; ele achou que tivesse perdido na mudança. Era um álbum de fotografias de sua mãe, com várias fotos do arco da velha. Ele ficou alguns instantes olhando aquela preciosidade, e, involuntariamente, fechou os olhos com um sorriso nos lábios. Lembrava-se muito bem de sua mãe, muito embora tivesse falecido havia cinco anos. Por vezes Roberto se pegava pensando nela, e até mesmo chorava, mas aprendeu a lidar com isso. “Nunca crie raízes. Você nunca sabe como será o dia de amanhã, então cultive o desapego às pessoas e coisas. Afinal, nada é para sempre, não é?”, ela dizia. Foi uma das grandes lições que sua mãe lhe passara. “Pra ser sincero”, pensava ele, “ela me ensinou tanta coisa...”
Roberto foi folheando o álbum, vendo diversos momentos da vida de sua mãe. Aparentemente, ela havia juntado várias fotos de épocas diferentes em um só lugar, e a julgar pela primeira foto, aquele álbum não tinha menos que quarenta anos. “Não estou impressionado, ela sempre teve preguiça de procurar coisas por aí. Mas sempre teve cuidado para guardar as coisas, se duvidar, deve ter alguma conta de luz dela guardada por aqui! Gostaria de ter aprendido isso...”; ele olhou para trás e viu a cama completamente desfeita, o lençol no ventilador, os travesseiros nos cantos do quarto, com a aparência de que foram jogados com força, o colchão pendendo para fora da cama do casal, e alguns fios de cabelos, curtos e longos, espalhados. “Pelo menos a noite foi boa.” Ele continuou folheando, e parou numa foto em que ela estava junto a outros colegas de trabalho; parecia ser o primeiro dia de trabalho, ninguém tinha cabelo branco, alguns ainda tinham barba, e todos sorriam alegremente. “Se ela soubesse a cilada em que estava entrando... Tudo bem, não é pra tanto, mas trabalhar na parte contábil-administrativa de uma empresa era estressante. Ou ela chegava em casa cansada ou de mau humor. Ou os dois. Felizmente ela me ensinou que trabalho não se trata de dinheiro, mas sim de satisfação. O que vem depois é conseqüência. Também, depois da ameaça de me deserdar se fizesse a mesma área que ela, ficou mais fácil escolher...” Ele sorriu e continuou vendo as fotos.
Parou em uma com a qual se emocionou. Era uma em que Roberto, criança, estava no colo de sua mãe, numa praia deserta. Ele tinha se esquecido como sua mãe gostava de praia, a ponto de se recusar a morar no interior por causa disso. Era praticamente um hábito, todo domingo de manhã tinha praia. “Temos que ir cedo, praia fim de semana em Salvador é impraticável!”. Quando dava na telha, ia a algum lugar do litoral norte. É verdade, ela viajava bastante, pelo menos uma vez ao ano. “Viaje sempre, é bom para ter outra visão das coisas, saber como as pessoas vivem por aqui. E também para você perceber que não há lugar como o nosso lar!”, eram suas palavras sempre que desfazia as malas. Tanto que foi por causa dessa paixão por praia e por viagens que Roberto virou surfista, e viajava quase sempre. Isto é, antes de casar e virem os dois pentelhos que sua mulher chamava de filhos. “Puxaram à avó, na certa”.
Na foto seguinte, a família estava jogando sinuca, e a mãe de Roberto apontava o taco sugestivamente para a bunda de um tio. Ela sempre gostou de uma gaiatice. Tinha outra foto em que ela, na cozinha da antiga casa, preparava um prato, digamos, exótico: dois ovos e uma lingüiça. Detalhe que nessa foto ela já estava com uns 60 anos; ela perdia a vergonha, e não perdia a piada. Não que Roberto não gostasse. “Por pior que estivesse a situação, ela me ensinou a rir da vida; era o que nos restava quando não havia mais o que fazer. Felizmente, ela tinha um grande senso de humor... ou mesmo uma grande vontade de encher o saco de quem estava ao redor. Por vezes chegava a ser inconveniente. O problema é quando ela estava sem paciência...” Ele se lembrava claramente do dia em que ela pedira a um colega para lhe fazer um grande favor. A resposta dele, levemente sarcástica, foi: “Rapaz, não vou poder fazer isso, mas você, como uma hábil dona de casa e uma respeitável chefa de família, poderá dar conta do recado sozinha!” E a réplica: “Tenho que dar conta mesmo, com esse bando de maridos imprestáveis povoando o mundo! Nenhum dá conta de porra nenhuma!” Roberto se impressionava com a capacidade que sua mãe tinha de sempre ter uma resposta na ponta da língua.
Outra foto mostrava a mãe e ele, ainda pequeno, brincando com alguns blocos com letras. Se tinha algo que Roberto se orgulhava, era de ter aprendido a ler bastante cedo, e foi graças a coisas desse tipo. Ela ainda ficava exibindo o “filho inteligente que já nasceu lendo”, segundo a própria, com constantes idas ao supermercado, não para comprar, mas para ler os rótulos das coisas, com o propósito de impressionar quem passava perto. E, de fato, ela conseguia. Outro caso que ela gostava bastante de contar era sobre uma viagem que tinham feito pro norte do país, de ônibus; ele tinha no máximo uns seis anos. Como era época de eleição, a mãe incitava Roberto a ler as propagandas nos muros. “Vo-te em Jo-sé Ge-no-í-no”, “Fi-rmi-no Ma-ia pa-ra pre-fei-to”, “Jo-ão An-dra-de, ve-re-a-dor do po-vo” eram alguns exemplos, que ele lia devagar, mesmo sem saber exatamente o que significavam, e bem alto. Porém, teve um muro que tinha uma palavra, digamos, desvinculada do contexto político, e inserida num contexto obsceno. Mas Roberto, que sabia ler mas não sabia o que era contexto, recitou sem pudor: “BU-CE-TA”; o ônibus veio abaixo de tanta risada. E o garoto passou o resto da viagem passando por cima dos assentos, atendendo a pedidos para ler muros e outdoors.
E cada foto que ia passando, uma lembrança ia surgindo, momentos que ficaram registrados na sua memória. E Roberto ia se tocando da razão de sentir tanta falta de sua mãe: graças a ela, pôde se tornar um homem de verdade. Mais que isso, ela o ensinou que a vida toma o rumo que nossas escolhas apontam, e também a fazer escolhas certas. Até hoje ele se lembrava que queria seguir a área de Humanas na universidade, em especial o curso de Filosofia. Sua mãe, sabiamente, o incitou a tirar essa idéia da cabeça e a seguir um curso de engenharia. Hoje, ele trabalha como consultor de empresas, um pouco fora da área de formação, mas sua organização e facilidade de administrar financiamentos tributários - cujos rudimentos foram passados por sua mãe - o auxiliaram no caminho. Não por acaso, umas das últimas fotos era a da festa de formatura, com Roberto erguendo o - tão suado - canudo, com a família ao fundo fazendo um brinde, e a sua mãe, ao seu lado, chorando e com um papel, que era o resultado de um concurso público, em que Roberto tinha passado em segundo lugar, mas conseguira o emprego por causa de seu currículo, com recomendações das várias empresas em que estagiara. Tudo isso por conta de escolhas. “Ainda bem que ela me ensinou a fazer as escolhas certas.”
Foi então que ele ouviu um barulho vindo do quarto do casal; eram seus dois filhos, que tinham se jogado na cama e acordado a mãe, que brincava com o filho enquanto a filha passava o perfume que ambos tinham dado de presente de dia das mães. Ele não queria interromper o momento, então ficou observando pela fresta da porta. Sorrindo de leve. Roberto sabia que tinha escolhido a mulher certa para ele; podia ter seus ataques de ansiedade vez por outra e nem cozinhar tão bem, mas era muito inteligente, além de organizada e, por vezes, irônica. E depois da chegada dos filhos, ela estava um amor de pessoa. Claro, depois daquela fase pós-nascimento, que ninguém em casa conseguia dormir. Um dos ensinamentos mais valiosos que sua mãe passara, senão o mais importante, tinha sido: “trate bem as mulheres, seu puto! Se você não o fizer, no dia que ela acordar de mal com a vida, você será o primeiro a saber que mulher não se sacaneia! Trate-as bem, na medida do possível, e terá sua recompensa!” E ali estava sua recompensa, bem em cima da cama. Uma mulher que ele amava e que o amava de volta. Se tivesse que terminar, paciência. Por ora, estava tudo perfeito. Isso tudo graças à sua mãe. E Roberto pensou: “não comprei um presente para ela... mas farei algo que ela gostará, com certeza, que minha mãe certamente aprovaria! Vou escrever um texto de homenagem! Nada mais apropriado, estou meio sem dinheiro esses tempos! Acho que vou falar sobre hoje, achando esse álbum de fotografias mais cedo...”
terça-feira, 27 de abril de 2010
Definições de Lugar
Um CRÁSSICO do nonsense desde já, aproveite!
Definições de lugar
Você certamente já se deparou com uma situação em que você foi abordado para informar onde era determinado lugar. O normal seria você fornecer a tal informação, ou dizer que não sabe. Ou mesmo sair correndo. Ou então soltar um “é lá na casa da porra!”. Assim sendo, esse guia possui a finalidade de orientar o quão longe são os lugares, e o que dizer em cada situação.
1ª frase: Longe pra Caralho
Quando algo, ou um lugar, fica longe pra caralho, quer dizer que é, digamos, do outro lado da cidade. Claro que isso é variável demais; numa dessas vilas perdidas do interior com três metros de diâmetro, isso não quer dizer muita coisa. Tendo em mente o aspecto do transporte, você só pega um ônibus para chegar num lugar longe pra caralho. Assim não parece muito longe, mas você tem que passar pelo menos uma hora e 45 minutos para o lugar receber tal denominação, ou então ir de um ponto final a outro. Se essas exigências não forem cumpridas, o lugar recebe a denominação de ‘longe pra porra’, expressão que caiu em desuso com o tempo.
Exemplos: - A Ribeira é longe pra caralho.
- Ou se você mora nas redondezas, Stella é longe pra caralho.
2ª frase: Na Casa da Porra
Se o lugar fica na casa da porra, significa que você precisa percorrer o equivalente a duas vezes a distância do lugar longe pra caralho. Na prática, é como se você fosse a esse lugar e voltasse, o que não quer dizer que sua casa seja a casa da porra, já que a distância, nesse caso, deve ser contínua, sem retornos, saltos por pontes ou morros etc. Geralmente, são dois ônibus a serem pegos para se chegar até lá, que eventualmente podem ser barcos. Demoram-se no mínimo 3 horas e 15 minutos para se chegar à casa da porra, descontado o tempo no provável engarrafamento. Normalmente é aquele lugar que a sua mãe vai uma vez ao mês, pra comprar coisas escondidas. Ou, sei lá, comprar talheres.
Exemplo: - A ilha de Maré fica na casa da porra.
3ª frase: Na Casa do Caralho
Se você se vê obrigado a usar essa expressão, é porque o lugar é realmente inacessível. Ou então porque você quer sacanear a pessoa que perguntou por informação. Só existem dois modos de se chegar lá, de ônibus, ou... de pára-quedas. Alguns seres corajosos - e portanto idiotas - já tentaram ir andando da casa da porra até a casa do caralho, achando que poderiam tirar ondinha depois, mas quase sempre se perderam, ou foram parar em Manaus. Para efeitos de comparação com os lugares anteriormente citados, você precisa pegar ao menos quatro ônibus, dois barcos e um moto táxi, e um dos ônibus você tem que pegar errado. A expressão também serve para como um indicativo de que você não quer ver mais uma determinada pessoa.
Exemplos: - Quero que você vá pra casa do caralho! (muito, muito longe)
- Barreiras fica lá na casa do caralho.
Obs.: se você acrescenta o advérbio ‘lá’ antes de ‘na casa do caralho’, quer dizer que o lugar é ainda mais longe que só na casa do caralho, mas não muito; é considerado apenas o acréscimo de uma distância ‘longe pra caralho’ a esse percurso.
4ª e derradeira frase: No Quinto dos Infernos
Se você se vê obrigado a usar esta expressão, ou num cenário menos otimista, ir a este lugar, você está numa situação deveras delicada. Fudido, é um termo mais direto. Porque isso? É só imaginar: se o inferno já é mais longe que a casa do caralho, sendo “apenas” o primeiro, imagine ter que ir pro quinto deles. Do caralho, hein? Normalmente não se acham ônibus para lá, só aviões fretados ou helicópteros. Pouca gente sabe definir exatamente onde fica, mas temos quase certeza que fica num lugar próximo a Las Vegas, que, cá entre nós, é um belo inferninho. Enfim, torça pra nunca ter que dar esse tipo de informação; se for o caso de alguém perguntar, diga que não sabe, saia correndo, acenda uma vela de sete dias e faça uma reza braba, não necessariamente nessa ordem.
Exemplo: - Não há lugar documentado que seja longe o suficiente para que a expressão ‘quinto dos infernos’ seja usada. Evite-a se possível. E se não for possível também.
5ª e proibida frase: Na Casa da Disgraça
Ai, Deus. Eu não queria chegar a essa situação. Mas agora que perguntaram... tá no inferno, abraça o capeta. Pois bem, é complicado visualizar a casa da disgraça. Para falar a verdade, muitos nem levam a sério, achando que é lenda urbana. Acontece que todos evitam pronunciar, para evitar maiores problemas. O fato é que, se você mandar alguém para esse lugar, ou pior, se te mandarem para lá, volte correndo para casa, tranque portas e janelas, tire o telefone do gancho e se esconda debaixo do cobertor. E debaixo da cama, se possível. Isso tudo porque a casa da disgraça é o lugar mais remoto possível, de acordo com a Física Clássica. Porém, recentes estudos com base na Física Moderna provaram que essa localidade existe, mas não é fixa, podendo variar de uma cidade no Japão como na casa da sua mãe. Os estudos chegaram à conclusão de que a casa da disgraça é o lugar exatamente oposto no globo ao que você está agora. Ou seja, é humanamente possível chegar até lá. As pessoas têm uma vaga idéia disso tudo, mas tratam o assunto como tabu; é preferível falar de sexo em voz alta no meio da rua do que sobre a casa da disgraça. As pessoas se constrangerão menos. Ou não.
Exemplo: - É contra as leis da química, física e geografia chegar à casa da disgraça.
Definições de lugar
Você certamente já se deparou com uma situação em que você foi abordado para informar onde era determinado lugar. O normal seria você fornecer a tal informação, ou dizer que não sabe. Ou mesmo sair correndo. Ou então soltar um “é lá na casa da porra!”. Assim sendo, esse guia possui a finalidade de orientar o quão longe são os lugares, e o que dizer em cada situação.
1ª frase: Longe pra Caralho
Quando algo, ou um lugar, fica longe pra caralho, quer dizer que é, digamos, do outro lado da cidade. Claro que isso é variável demais; numa dessas vilas perdidas do interior com três metros de diâmetro, isso não quer dizer muita coisa. Tendo em mente o aspecto do transporte, você só pega um ônibus para chegar num lugar longe pra caralho. Assim não parece muito longe, mas você tem que passar pelo menos uma hora e 45 minutos para o lugar receber tal denominação, ou então ir de um ponto final a outro. Se essas exigências não forem cumpridas, o lugar recebe a denominação de ‘longe pra porra’, expressão que caiu em desuso com o tempo.
Exemplos: - A Ribeira é longe pra caralho.
- Ou se você mora nas redondezas, Stella é longe pra caralho.
2ª frase: Na Casa da Porra
Se o lugar fica na casa da porra, significa que você precisa percorrer o equivalente a duas vezes a distância do lugar longe pra caralho. Na prática, é como se você fosse a esse lugar e voltasse, o que não quer dizer que sua casa seja a casa da porra, já que a distância, nesse caso, deve ser contínua, sem retornos, saltos por pontes ou morros etc. Geralmente, são dois ônibus a serem pegos para se chegar até lá, que eventualmente podem ser barcos. Demoram-se no mínimo 3 horas e 15 minutos para se chegar à casa da porra, descontado o tempo no provável engarrafamento. Normalmente é aquele lugar que a sua mãe vai uma vez ao mês, pra comprar coisas escondidas. Ou, sei lá, comprar talheres.
Exemplo: - A ilha de Maré fica na casa da porra.
3ª frase: Na Casa do Caralho
Se você se vê obrigado a usar essa expressão, é porque o lugar é realmente inacessível. Ou então porque você quer sacanear a pessoa que perguntou por informação. Só existem dois modos de se chegar lá, de ônibus, ou... de pára-quedas. Alguns seres corajosos - e portanto idiotas - já tentaram ir andando da casa da porra até a casa do caralho, achando que poderiam tirar ondinha depois, mas quase sempre se perderam, ou foram parar em Manaus. Para efeitos de comparação com os lugares anteriormente citados, você precisa pegar ao menos quatro ônibus, dois barcos e um moto táxi, e um dos ônibus você tem que pegar errado. A expressão também serve para como um indicativo de que você não quer ver mais uma determinada pessoa.
Exemplos: - Quero que você vá pra casa do caralho! (muito, muito longe)
- Barreiras fica lá na casa do caralho.
Obs.: se você acrescenta o advérbio ‘lá’ antes de ‘na casa do caralho’, quer dizer que o lugar é ainda mais longe que só na casa do caralho, mas não muito; é considerado apenas o acréscimo de uma distância ‘longe pra caralho’ a esse percurso.
4ª e derradeira frase: No Quinto dos Infernos
Se você se vê obrigado a usar esta expressão, ou num cenário menos otimista, ir a este lugar, você está numa situação deveras delicada. Fudido, é um termo mais direto. Porque isso? É só imaginar: se o inferno já é mais longe que a casa do caralho, sendo “apenas” o primeiro, imagine ter que ir pro quinto deles. Do caralho, hein? Normalmente não se acham ônibus para lá, só aviões fretados ou helicópteros. Pouca gente sabe definir exatamente onde fica, mas temos quase certeza que fica num lugar próximo a Las Vegas, que, cá entre nós, é um belo inferninho. Enfim, torça pra nunca ter que dar esse tipo de informação; se for o caso de alguém perguntar, diga que não sabe, saia correndo, acenda uma vela de sete dias e faça uma reza braba, não necessariamente nessa ordem.
Exemplo: - Não há lugar documentado que seja longe o suficiente para que a expressão ‘quinto dos infernos’ seja usada. Evite-a se possível. E se não for possível também.
5ª e proibida frase: Na Casa da Disgraça
Ai, Deus. Eu não queria chegar a essa situação. Mas agora que perguntaram... tá no inferno, abraça o capeta. Pois bem, é complicado visualizar a casa da disgraça. Para falar a verdade, muitos nem levam a sério, achando que é lenda urbana. Acontece que todos evitam pronunciar, para evitar maiores problemas. O fato é que, se você mandar alguém para esse lugar, ou pior, se te mandarem para lá, volte correndo para casa, tranque portas e janelas, tire o telefone do gancho e se esconda debaixo do cobertor. E debaixo da cama, se possível. Isso tudo porque a casa da disgraça é o lugar mais remoto possível, de acordo com a Física Clássica. Porém, recentes estudos com base na Física Moderna provaram que essa localidade existe, mas não é fixa, podendo variar de uma cidade no Japão como na casa da sua mãe. Os estudos chegaram à conclusão de que a casa da disgraça é o lugar exatamente oposto no globo ao que você está agora. Ou seja, é humanamente possível chegar até lá. As pessoas têm uma vaga idéia disso tudo, mas tratam o assunto como tabu; é preferível falar de sexo em voz alta no meio da rua do que sobre a casa da disgraça. As pessoas se constrangerão menos. Ou não.
Exemplo: - É contra as leis da química, física e geografia chegar à casa da disgraça.
sábado, 24 de abril de 2010
Formando uma banda
Texto novo, só isso!
Formando uma banda
Eram dois amigos de infância; estudaram no mesmo colégio e tal. Conheciam-se relativamente bem, e por isso se sacaneavam com freqüência. É claro, tinham suas diferenças: um era mais caseiro, costumando ler livros o dia inteiro; o outro era, digamos, da vida, passava o dia inteiro na rua – “pegando mulher, lógico!”, era o que dizia. Mas ambos tinham um gosto comum para música. Na verdade, gosto é eufemismo, pois os dois amavam música. Tanto que era a primeira opção dos dois para o vestibular. Corajosos, diga-se de passagem, mas até chegarem lá, decidiram fazer outra coisa.
- Vamos formar uma banda!
Quando o mais velho dos dois ganhou uma guitarra, o outro decidiu fazer o mesmo. E então começou a caça por outros membros. Eles colocaram um anúncio em diversos lugares do colégio, marcando data e local pro teste. Veio o dia, vieram os candidatos. E entra o primeiro:
- E aí, beleza?
- Tranqüilo. O que você toca sangue-bom?
- Xilofone.
- Xilofone? Acho que não colocamos isso no anúncio.
- Eu sei. Queria experimentar, sai um som legal. Faço até malabarismo com as baquetas!
- Ahn, claro. Toque alguma coisa aí, então.
- Bem, eu sei tocar Roberto Carlos.
Os dois amigos trocaram olhares significativos.
- Falamos com você depois. Pode ir.
- Mas eu nem toquei ainda.
- Já temos uma idéia do seu desempenho. E chame o próximo, por favor.
E entra o segundo:
- Que raio é isso aí, rapá?
- Isso aqui? É o meu instrumento, uma tuba.
- Tuba? Tinha essa parte no anúncio, instrumentos exóticos?
- Mas serve pra dar um peso no som da banda!
- Imaginei que um baixo servisse pra isso.
- Ah, esses instrumentos não estão com nada. A nova onda é ter instrumentos diversos, fugindo daquela formação de sempre, baixo, guitarra e bateria, tão ligados? É a nova moda!
Vale ressaltar que o cara da tuba tinha 59 anos, um moicano laranja, um terno roxo com gravata da mesma cor, e havaianas branco-pedreiro. Parecendo Arnaldo Antunes em seus piores dias.
- Então tá. Você toca?
- Aprendi a tocar quando estava na bandinha lá do colégio.
- Ok, mas você sabe tocar algo além do Hino Nacional?
- Err, posso aprender.
- Como quiser. Chame o próximo.
A criatura que vinha a seguir estava com um triângulo na mão, mas foi dispensado antes de entrar.
- Se fosse uma zabumba... você ficava com a guitarra, eu cantava e teríamos uma banda de forró!
O quarto candidato ia entrando com um instrumento... incomum.
- Essa é boa, uma bateria eletrônica. Não destoa muito do estilo que pedimos?
- Ninguém mais toca bateria normal hoje em dia, meu amor. É muita mão de obra, é pesada, além de desconfortável. Só mesmo aqueles bonitões fortões de bandas de metal pra tocarem naqueles kits gigantescos. Mas essa é mais gatinha, e serve pra tocar música eletrônica!
- Você é boiola, mermão?
- Boiola não, bem, é um termo muito pesado. Homossexual é mais apropriado.
- Eu mereço. Dois guitarristas homens e um baterista bicha. O que falta agora, aparecer um pianista cego? Ou um baixista que toca com os pés?
- Ai bofes, se vocês não me querem aqui, tô partindo a mil. Parti!
Após a audição “produtiva”, eles se perguntaram onde poderiam conseguir um baterista e um baixista.
- Será que o Souza toca aquela bateria do pai?
- Nem boto fé. Ele faz Dança, mas não tem coordenação nenhuma pra isso. Que dirá tocar bateria!
Mas procuraram o amigo mesmo assim. Quando bateram à porta, ouviram o rádio tocando uma valsa antiga. Bem alto. E encontraram o amigo tentando dançar com uma vassoura, com um livro à mão.
- Qual foi, Souza? Tá dançando ou limpando o chão?
- Não, gente. Tô vendo aqui se aprendo o básico da valsa!
- Ahn, achei que fosse só o dois-pra-lá-dois-pra-cá.
- É mais difícil que parece, tem que ter muita coordenação!
Os dois guitarristas se entreolharam, e saíram da casa sem dizer uma única palavra.
- De baixista, tem o irmão do Mauro, o Márcio. Vamos lá dar uma olhada.
Quando chegaram, ele não estava. Mas resolveram trocar uma idéia com a mãe dele.
- Tocar numa banda? Seria uma boa, ainda mais agora, que ele está se recuperando do acidente!
- Acidente, tia? O que foi que houve?
- Vocês não souberam? O Márcio sofreu um acidente, e caiu em cima das mãos. Mas ele está se recuperando aos poucos, mas como não consegue tocar baixo com as mãos, ele vem tocando com os pés! E tenho que dizer que ele está se saindo muito bem!
Mais uma vez, os dois se entreolharam, com uma expressão de derrota no rosto. Agradeceram e voltaram pra casa.
- Que boca que você tem, hein?
- Como é que eu ia saber, cacete?
- Deixa pra lá, amanhã é outro dia de audição, veremos se aparece alguém que preste.
Segundo dia da audição: um sujeito que perdeu a visão aos cinco anos, mas tocava piano perfeitamente, foi expulso aos gritos do estúdio pelos dois garotos. Também, foi o único, os dois pararam de atender os outros que vieram.
Três meses depois, surgia a banda “Os Irracionais” no circuito independente, com uma formação um tanto quanto incomum: duas guitarras, uma tuba e uma bateria eletrônica, tocada por um homem visivelmente homossexual, e muito habilidoso. Diferente? Sim, mas nem por isso ruim. Finalizaram a produção de um álbum e em breve estarão tocando pelos bares e casas de shows mais badaladas da cidade. Curiosamente, a banda fazia covers de Roberto Carlos, mas pararam quase que imediatamente assim que o xilofonista foi expulso.
Formando uma banda
Eram dois amigos de infância; estudaram no mesmo colégio e tal. Conheciam-se relativamente bem, e por isso se sacaneavam com freqüência. É claro, tinham suas diferenças: um era mais caseiro, costumando ler livros o dia inteiro; o outro era, digamos, da vida, passava o dia inteiro na rua – “pegando mulher, lógico!”, era o que dizia. Mas ambos tinham um gosto comum para música. Na verdade, gosto é eufemismo, pois os dois amavam música. Tanto que era a primeira opção dos dois para o vestibular. Corajosos, diga-se de passagem, mas até chegarem lá, decidiram fazer outra coisa.
- Vamos formar uma banda!
Quando o mais velho dos dois ganhou uma guitarra, o outro decidiu fazer o mesmo. E então começou a caça por outros membros. Eles colocaram um anúncio em diversos lugares do colégio, marcando data e local pro teste. Veio o dia, vieram os candidatos. E entra o primeiro:
- E aí, beleza?
- Tranqüilo. O que você toca sangue-bom?
- Xilofone.
- Xilofone? Acho que não colocamos isso no anúncio.
- Eu sei. Queria experimentar, sai um som legal. Faço até malabarismo com as baquetas!
- Ahn, claro. Toque alguma coisa aí, então.
- Bem, eu sei tocar Roberto Carlos.
Os dois amigos trocaram olhares significativos.
- Falamos com você depois. Pode ir.
- Mas eu nem toquei ainda.
- Já temos uma idéia do seu desempenho. E chame o próximo, por favor.
E entra o segundo:
- Que raio é isso aí, rapá?
- Isso aqui? É o meu instrumento, uma tuba.
- Tuba? Tinha essa parte no anúncio, instrumentos exóticos?
- Mas serve pra dar um peso no som da banda!
- Imaginei que um baixo servisse pra isso.
- Ah, esses instrumentos não estão com nada. A nova onda é ter instrumentos diversos, fugindo daquela formação de sempre, baixo, guitarra e bateria, tão ligados? É a nova moda!
Vale ressaltar que o cara da tuba tinha 59 anos, um moicano laranja, um terno roxo com gravata da mesma cor, e havaianas branco-pedreiro. Parecendo Arnaldo Antunes em seus piores dias.
- Então tá. Você toca?
- Aprendi a tocar quando estava na bandinha lá do colégio.
- Ok, mas você sabe tocar algo além do Hino Nacional?
- Err, posso aprender.
- Como quiser. Chame o próximo.
A criatura que vinha a seguir estava com um triângulo na mão, mas foi dispensado antes de entrar.
- Se fosse uma zabumba... você ficava com a guitarra, eu cantava e teríamos uma banda de forró!
O quarto candidato ia entrando com um instrumento... incomum.
- Essa é boa, uma bateria eletrônica. Não destoa muito do estilo que pedimos?
- Ninguém mais toca bateria normal hoje em dia, meu amor. É muita mão de obra, é pesada, além de desconfortável. Só mesmo aqueles bonitões fortões de bandas de metal pra tocarem naqueles kits gigantescos. Mas essa é mais gatinha, e serve pra tocar música eletrônica!
- Você é boiola, mermão?
- Boiola não, bem, é um termo muito pesado. Homossexual é mais apropriado.
- Eu mereço. Dois guitarristas homens e um baterista bicha. O que falta agora, aparecer um pianista cego? Ou um baixista que toca com os pés?
- Ai bofes, se vocês não me querem aqui, tô partindo a mil. Parti!
Após a audição “produtiva”, eles se perguntaram onde poderiam conseguir um baterista e um baixista.
- Será que o Souza toca aquela bateria do pai?
- Nem boto fé. Ele faz Dança, mas não tem coordenação nenhuma pra isso. Que dirá tocar bateria!
Mas procuraram o amigo mesmo assim. Quando bateram à porta, ouviram o rádio tocando uma valsa antiga. Bem alto. E encontraram o amigo tentando dançar com uma vassoura, com um livro à mão.
- Qual foi, Souza? Tá dançando ou limpando o chão?
- Não, gente. Tô vendo aqui se aprendo o básico da valsa!
- Ahn, achei que fosse só o dois-pra-lá-dois-pra-cá.
- É mais difícil que parece, tem que ter muita coordenação!
Os dois guitarristas se entreolharam, e saíram da casa sem dizer uma única palavra.
- De baixista, tem o irmão do Mauro, o Márcio. Vamos lá dar uma olhada.
Quando chegaram, ele não estava. Mas resolveram trocar uma idéia com a mãe dele.
- Tocar numa banda? Seria uma boa, ainda mais agora, que ele está se recuperando do acidente!
- Acidente, tia? O que foi que houve?
- Vocês não souberam? O Márcio sofreu um acidente, e caiu em cima das mãos. Mas ele está se recuperando aos poucos, mas como não consegue tocar baixo com as mãos, ele vem tocando com os pés! E tenho que dizer que ele está se saindo muito bem!
Mais uma vez, os dois se entreolharam, com uma expressão de derrota no rosto. Agradeceram e voltaram pra casa.
- Que boca que você tem, hein?
- Como é que eu ia saber, cacete?
- Deixa pra lá, amanhã é outro dia de audição, veremos se aparece alguém que preste.
Segundo dia da audição: um sujeito que perdeu a visão aos cinco anos, mas tocava piano perfeitamente, foi expulso aos gritos do estúdio pelos dois garotos. Também, foi o único, os dois pararam de atender os outros que vieram.
Três meses depois, surgia a banda “Os Irracionais” no circuito independente, com uma formação um tanto quanto incomum: duas guitarras, uma tuba e uma bateria eletrônica, tocada por um homem visivelmente homossexual, e muito habilidoso. Diferente? Sim, mas nem por isso ruim. Finalizaram a produção de um álbum e em breve estarão tocando pelos bares e casas de shows mais badaladas da cidade. Curiosamente, a banda fazia covers de Roberto Carlos, mas pararam quase que imediatamente assim que o xilofonista foi expulso.
domingo, 18 de abril de 2010
A temperatura como fator determinante do comportamento humano
Após um tempo de molho sem postar, I'M BACK FROM THE GRAVE!
Aqui está um pseudo-guia pra vocês!
A temperatura como fator determinante do comportamento humano
Todos sabemos que a temperatura, alta ou baixa, é uma característica que ajuda a definir, ou mesmo limitar, o comportamento das pessoas a ela submetidas. Claro que nada que será escrito se constitui em uma regra geral, mas nada mais é do que um registro de peculiaridades, que são comuns a várias pessoas. Agora, fique frio e curta o texto.
- Todos aprendemos nas aulas de física que um corpo de temperatura mais alta transfere essa energia para um corpo próximo numa temperatura menor. A esse trânsito, dá-se o nome de calor. Terminada a aula de física, passemos às pessoas. Todos nós, quando com frio, normalmente usamos alguma peça de roupa para que não haja essa passagem de calor. Ou então nos achegamos a alguém para que aconteça o fenômeno chamado ‘calor humano’. Obviamente, isso só é aplicável quando você se achega a alguém que tenha consideração para com você, e de forma voluntária, não quando você é espremido contra a parede de um metrô por 257 pessoas, sem muita liberdade de escolha. A isso, dá-se o nome de calor humano forçado. Pois bem. Teoricamente, quando a temperatura é menor, as pessoas deveriam se achegar mais umas às outras, para ocorrer um trânsito mais eficiente de calor humano. Analogamente, quando a temperatura estiver mais elevada, menos artifícios, digamos, “roupais”, se fazem necessários, assim como menos calor humano, já que está quente por toda parte mesmo; isso implica dizer que as pessoas deveriam ser mais distantes umas das outras, na teoria. Na prática, porém, não é bem assim: em baixas temperaturas, as pessoas são tão frias quanto o tempo que as cerca. E em temperaturas altas, as pessoas são mais calorosas, literalmente. Enquanto que as pessoas no frio são tão distantes, numa comparação, porém bastante polidas, educadas, as pessoas no calor são mais afetuosas, se abraçam, se beijam, falam ousadia alto, batem nas bundas umas das outras... Enfim, muito mais simpáticas.
- Essa diferença de temperatura também influencia o modo de ser de determinados sujeitos. De fato, um homem que vive numa região quente, que é agitado e irrequieto, tende a se retrair um pouco quando se desloca para uma região mais fria. Por mais que tente, ele não irá conseguir se aquecer simplesmente se agitando, tendo a recorrer para meios como casacos grossos e líquidos etílicos. De forma semelhante, um homem que vive numa região fria, sendo calado e ponderado, chega numa região tropicar e quer se livrar das roupas, se soltar das amarras impostas pelo frio, para cair de cabeça no calor. É por essa razão que você vê, vez por outra, algum turista de uma região temperada soltar a franga aqui no Brasil, no bom e no mau sentido da expressão.
- Entretanto, o tópico acima tem uma razão plausível. Nas temperaturas mais baixas pouca coisa é exposta, em decorrência da quantidade de roupas, enquanto que, nas temperaturas mais altas, uma superfície maior da pele é deixada à mostra. Isso explicaria em parte a razão de o cara agitado se acanhar no frio, já que não vê os atributos das mulheres ao seu redor, e os turistas de latitudes maiores ficarem loucos aqui no Brasil, considerando que eles só vêem esse tipo de coisa nos filmes e em propagandas de roupa íntima. Talvez por isso, ao avistarem os corpos tantos corpos desnudos em quantidade considerável, eles façam tantos atos impensados.
- Curiosamente, pessoas geniais têm uma tendência a aparecer nas regiões mais frias. Não que estas não apareçam nos trópicos, mas em quantidade comparativamente menor. Mas há uma teoria aceitável para tanto; nas regiões frias, é pouco interessante sair de casa o tempo todo para vadiar, sentindo frio à toa. Por isso, é mais cômodo ficar em casa, procurando algo pra fazer, enquanto passo que a população próxima do equador procura se ocupar fora de casa, não só para vadiar, mas para tarefas diárias. No fim das contas, o que isso quer dizer? As pessoas que procuram o que fazer em casa geralmente produzem algo com resultado satisfatório, como cozinhar, ler ou escrever um livro, esboçar um quadro, montar algo... ou mesmo estudar. E as pessoas que se mantêm ocupadas fora de casa geralmente vão prestar algum serviço, algum favor, ou mesmo se divertir. Talvez isso explique porque a população tende a ser mais inteligente nas altas latitudes, e mais divertidas e solícitas próximo do equador. Ou não.
- Um ponto a se discutir é a razão do consumo de álcool. Nos lugares mais frios, nem sempre é fácil conseguir uma casa com lareira, ou mesmo lenha para queimar e se aquecer. Porém, muito mais fácil e prático de conseguir, além de barato e abundante, é o álcool diluído ou não nas bebidas. Um exemplo muito bom, e que não deve ser seguido, é o da Rússia. Uma amostra do que ocorre por lá cotidianamente é o consumo de vodka, que para eles, é um diminutivo de água. Ou seja, na Rússia, cachaça é água sim. Assustador, não acha? Já nos lugares quentes, bebe-se por... nenhum motivo em especial. A bebida é só um pretexto para juntar os amigos e falar besteira. Enquanto que no frio bebe-se por necessidade, no calor, bebe-se pra confraternizar. Até nisso são mais simpáticos. Muito embora as conseqüências da bebida sejam iguais em qualquer lugar.
Aqui está um pseudo-guia pra vocês!
A temperatura como fator determinante do comportamento humano
Todos sabemos que a temperatura, alta ou baixa, é uma característica que ajuda a definir, ou mesmo limitar, o comportamento das pessoas a ela submetidas. Claro que nada que será escrito se constitui em uma regra geral, mas nada mais é do que um registro de peculiaridades, que são comuns a várias pessoas. Agora, fique frio e curta o texto.
- Todos aprendemos nas aulas de física que um corpo de temperatura mais alta transfere essa energia para um corpo próximo numa temperatura menor. A esse trânsito, dá-se o nome de calor. Terminada a aula de física, passemos às pessoas. Todos nós, quando com frio, normalmente usamos alguma peça de roupa para que não haja essa passagem de calor. Ou então nos achegamos a alguém para que aconteça o fenômeno chamado ‘calor humano’. Obviamente, isso só é aplicável quando você se achega a alguém que tenha consideração para com você, e de forma voluntária, não quando você é espremido contra a parede de um metrô por 257 pessoas, sem muita liberdade de escolha. A isso, dá-se o nome de calor humano forçado. Pois bem. Teoricamente, quando a temperatura é menor, as pessoas deveriam se achegar mais umas às outras, para ocorrer um trânsito mais eficiente de calor humano. Analogamente, quando a temperatura estiver mais elevada, menos artifícios, digamos, “roupais”, se fazem necessários, assim como menos calor humano, já que está quente por toda parte mesmo; isso implica dizer que as pessoas deveriam ser mais distantes umas das outras, na teoria. Na prática, porém, não é bem assim: em baixas temperaturas, as pessoas são tão frias quanto o tempo que as cerca. E em temperaturas altas, as pessoas são mais calorosas, literalmente. Enquanto que as pessoas no frio são tão distantes, numa comparação, porém bastante polidas, educadas, as pessoas no calor são mais afetuosas, se abraçam, se beijam, falam ousadia alto, batem nas bundas umas das outras... Enfim, muito mais simpáticas.
- Essa diferença de temperatura também influencia o modo de ser de determinados sujeitos. De fato, um homem que vive numa região quente, que é agitado e irrequieto, tende a se retrair um pouco quando se desloca para uma região mais fria. Por mais que tente, ele não irá conseguir se aquecer simplesmente se agitando, tendo a recorrer para meios como casacos grossos e líquidos etílicos. De forma semelhante, um homem que vive numa região fria, sendo calado e ponderado, chega numa região tropicar e quer se livrar das roupas, se soltar das amarras impostas pelo frio, para cair de cabeça no calor. É por essa razão que você vê, vez por outra, algum turista de uma região temperada soltar a franga aqui no Brasil, no bom e no mau sentido da expressão.
- Entretanto, o tópico acima tem uma razão plausível. Nas temperaturas mais baixas pouca coisa é exposta, em decorrência da quantidade de roupas, enquanto que, nas temperaturas mais altas, uma superfície maior da pele é deixada à mostra. Isso explicaria em parte a razão de o cara agitado se acanhar no frio, já que não vê os atributos das mulheres ao seu redor, e os turistas de latitudes maiores ficarem loucos aqui no Brasil, considerando que eles só vêem esse tipo de coisa nos filmes e em propagandas de roupa íntima. Talvez por isso, ao avistarem os corpos tantos corpos desnudos em quantidade considerável, eles façam tantos atos impensados.
- Curiosamente, pessoas geniais têm uma tendência a aparecer nas regiões mais frias. Não que estas não apareçam nos trópicos, mas em quantidade comparativamente menor. Mas há uma teoria aceitável para tanto; nas regiões frias, é pouco interessante sair de casa o tempo todo para vadiar, sentindo frio à toa. Por isso, é mais cômodo ficar em casa, procurando algo pra fazer, enquanto passo que a população próxima do equador procura se ocupar fora de casa, não só para vadiar, mas para tarefas diárias. No fim das contas, o que isso quer dizer? As pessoas que procuram o que fazer em casa geralmente produzem algo com resultado satisfatório, como cozinhar, ler ou escrever um livro, esboçar um quadro, montar algo... ou mesmo estudar. E as pessoas que se mantêm ocupadas fora de casa geralmente vão prestar algum serviço, algum favor, ou mesmo se divertir. Talvez isso explique porque a população tende a ser mais inteligente nas altas latitudes, e mais divertidas e solícitas próximo do equador. Ou não.
- Um ponto a se discutir é a razão do consumo de álcool. Nos lugares mais frios, nem sempre é fácil conseguir uma casa com lareira, ou mesmo lenha para queimar e se aquecer. Porém, muito mais fácil e prático de conseguir, além de barato e abundante, é o álcool diluído ou não nas bebidas. Um exemplo muito bom, e que não deve ser seguido, é o da Rússia. Uma amostra do que ocorre por lá cotidianamente é o consumo de vodka, que para eles, é um diminutivo de água. Ou seja, na Rússia, cachaça é água sim. Assustador, não acha? Já nos lugares quentes, bebe-se por... nenhum motivo em especial. A bebida é só um pretexto para juntar os amigos e falar besteira. Enquanto que no frio bebe-se por necessidade, no calor, bebe-se pra confraternizar. Até nisso são mais simpáticos. Muito embora as conseqüências da bebida sejam iguais em qualquer lugar.
quarta-feira, 31 de março de 2010
Mais historinhas do cotidiano
Dias cheios, muito estudo, dominó, blábláblá, tiraram minha criatividade.
Por ora, vou só colocar duas historinhas pra bater ponto mesmo.
Pois bem.
No fim de semana, depois de dias tensos no trabalho, o cidadão saiu pra encher a cara. De carro. Como era de se esperar, na hora da volta ele estava chumbado, deveras. Sua direção demonstrava isso, o carro estava andando em zigue-zague.
Porém, mais à frente na pista havia uma blitz. O cidadão tentou dar ré, mas o retorno estava longe. O guarda percebeu essa intenção de fugir, e chamou-o pro teste.
- Boa tarde, o senhor poderia sair do carro para a realização do teste do bafômetro?
O desgraçado não conseguia nem levantar o braço pra abrir a porta, que dirá sair! O guarda, já sentindo o cheiro do dinheiro, o ajudou a sair do carro. E também a mantê-lo em pé, o que estava sendo uma tarefa árdua. No momento que o guarda sacou o bafômetro, ouve-se um barulho de pneus cantando, e nesse momento um caminhão freando bate no fundo do carro do cidadão.
E o guarda:
- Puta merda, e agora? Tenho que ver a situação desse maluco aí... faça o seguinte, pega o teu carro e se pique daqui pra sua casa, e devagar, que eu não faço nada contigo! Agora vaza!
O cidadão só pôde confirmar com a cabeça, pois nem pra responder ele estava em condições. E ele fez o que o guarda mandou, pegou o carro e se mandou. Chegou em casa sem maiores problemas, deixou o carro na garagem do prédio e foi pra casa dormir.
No dia seguinte, a mãe o desperta, a custo:
- Filho, acorda, tenho que te perguntar uma coisa.
- Fala mãe, o que foi?
- O que é que esse carro da polícia tá fazendo na nossa garagem?...
Mais uma:
O cara estava passando na rua, quando ouve uma comoção num beco; era uma prostituta que estava dando à luz. Compadecendo da pobre mulher, resolveu fazer uma boa ação: resolveu passar em uma farmácia próxima e comprar uns pacotes de fraldas.
Ele o fez, e voltou para o beco. Só que várias pessoas haviam se aglomerado em volta da mulher, inclusive um policial, que tentava afastar a todos. O cara tentou passar por ele, mas...
- Qual foi, cara? Tem nada pra você ver aqui não!
- Não, senhor policial, é que quero entregar esse pacote!
- Não vai entregar nada, agora circulando, todos vocês!
- Mas ela precisa desse pacote de fraldas!
- Deixe de teimosia, vai entregar esse pacote a quem?
E o cara, já perdendo a paciência:
- É pra puta que pariu, seu policial!
No dia seguinte, o cara acorda no hospital todo lenhado, com olho roxo e hematomas. E ainda fica se perguntando a razão disso! Após a alta, ele vai prestar queixa na delegacia próxima do incidente. E encontra o mesmo policial na mesa, substituindo o delegado.
- Você de novo?! O que você quer aqui?
- Vim prestar queixa, você não tinha o direito de ter feito o que fez!
- Ah, vá pra puta que te pariu!
- Ahhhn.
A ficha tinha caído.
Por ora, vou só colocar duas historinhas pra bater ponto mesmo.
Pois bem.
No fim de semana, depois de dias tensos no trabalho, o cidadão saiu pra encher a cara. De carro. Como era de se esperar, na hora da volta ele estava chumbado, deveras. Sua direção demonstrava isso, o carro estava andando em zigue-zague.
Porém, mais à frente na pista havia uma blitz. O cidadão tentou dar ré, mas o retorno estava longe. O guarda percebeu essa intenção de fugir, e chamou-o pro teste.
- Boa tarde, o senhor poderia sair do carro para a realização do teste do bafômetro?
O desgraçado não conseguia nem levantar o braço pra abrir a porta, que dirá sair! O guarda, já sentindo o cheiro do dinheiro, o ajudou a sair do carro. E também a mantê-lo em pé, o que estava sendo uma tarefa árdua. No momento que o guarda sacou o bafômetro, ouve-se um barulho de pneus cantando, e nesse momento um caminhão freando bate no fundo do carro do cidadão.
E o guarda:
- Puta merda, e agora? Tenho que ver a situação desse maluco aí... faça o seguinte, pega o teu carro e se pique daqui pra sua casa, e devagar, que eu não faço nada contigo! Agora vaza!
O cidadão só pôde confirmar com a cabeça, pois nem pra responder ele estava em condições. E ele fez o que o guarda mandou, pegou o carro e se mandou. Chegou em casa sem maiores problemas, deixou o carro na garagem do prédio e foi pra casa dormir.
No dia seguinte, a mãe o desperta, a custo:
- Filho, acorda, tenho que te perguntar uma coisa.
- Fala mãe, o que foi?
- O que é que esse carro da polícia tá fazendo na nossa garagem?...
Mais uma:
O cara estava passando na rua, quando ouve uma comoção num beco; era uma prostituta que estava dando à luz. Compadecendo da pobre mulher, resolveu fazer uma boa ação: resolveu passar em uma farmácia próxima e comprar uns pacotes de fraldas.
Ele o fez, e voltou para o beco. Só que várias pessoas haviam se aglomerado em volta da mulher, inclusive um policial, que tentava afastar a todos. O cara tentou passar por ele, mas...
- Qual foi, cara? Tem nada pra você ver aqui não!
- Não, senhor policial, é que quero entregar esse pacote!
- Não vai entregar nada, agora circulando, todos vocês!
- Mas ela precisa desse pacote de fraldas!
- Deixe de teimosia, vai entregar esse pacote a quem?
E o cara, já perdendo a paciência:
- É pra puta que pariu, seu policial!
No dia seguinte, o cara acorda no hospital todo lenhado, com olho roxo e hematomas. E ainda fica se perguntando a razão disso! Após a alta, ele vai prestar queixa na delegacia próxima do incidente. E encontra o mesmo policial na mesa, substituindo o delegado.
- Você de novo?! O que você quer aqui?
- Vim prestar queixa, você não tinha o direito de ter feito o que fez!
- Ah, vá pra puta que te pariu!
- Ahhhn.
A ficha tinha caído.
domingo, 7 de março de 2010
Piada Pronta 002
Post relâmpago.
Um distinto senhor caminhava pela rua falando no celular. E alto, bem alto. Era possível ouvir o que a pessoa no outro lado da linha estava dizendo.
Mas o distinto senhor não parecia muito satisfeito. E então:
- Peraí homem, vou desligar, tô indo pra Lapa!
E no outro lado:
- Pra onde, porra? Pra Lapa?!
- É, Lapa casa do caralho!
E com isso, finalizou a conversa, causando o riso a meio metro de distância, de onde era possível ouvir sua voz.
História verídica.
Um distinto senhor caminhava pela rua falando no celular. E alto, bem alto. Era possível ouvir o que a pessoa no outro lado da linha estava dizendo.
Mas o distinto senhor não parecia muito satisfeito. E então:
- Peraí homem, vou desligar, tô indo pra Lapa!
E no outro lado:
- Pra onde, porra? Pra Lapa?!
- É, Lapa casa do caralho!
E com isso, finalizou a conversa, causando o riso a meio metro de distância, de onde era possível ouvir sua voz.
História verídica.
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sábado, 6 de março de 2010
Uma história de praia
Uma historinha feita nas coxas... espero que gostem!
Uma história de praia
Havia certo empresário que sofria de stress. ‘Certo’ porque, na verdade, todos sofrem de stress, mas não escreverei sobre todos, só sobre um certo empresário. Pois bem. Este certo empresário sofria de stress, e injustamente. Era jovem, tinha se formado cedo, conseguido um emprego bom, blábláblá. E ralou pra conseguir isso tudo. Mas sabemos, o sistema não tem pena de ninguém, e com ele não era diferente. Saía cedo de casa e voltava tarde. Dormia e comia mal. A mãe ficava enchendo o saco pra ele dar um tempo, e, após longas discussões, ele ameaçou cortar a pensão dela. Em suma, ele levava uma vida escrota. E pra completar, o carro tinha quebrado em uma bela noite dessas. O mecânico disse que era a ribomba da parafuseta, e que precisava trocar o óleo. O rapaz achava que tinha é que trocar de mecânico, mas, por ora, voltaria pra casa de ônibus. E foi em uma certa tarde, fugindo do trabalho, que ele passou pela praia, e viu alguns surfistas tomando um caldo. Quanto tempo, pensou ele, que não ia à praia. Desde aquele incidente com a tartaruga e aquele galo imenso na cabeça, ele nunca mais pisou numa praia. Mas aquela visão o acalmara. E o deixara inspirado.
Na semana seguinte, com o dinheiro do imposto de renda, ele foi comprar uma prancha. Foi no mínimo exótico: ele de terno e gravata, entrando numa loja onde o vendedor, só de bermuda e cabelão, achou que era pegadinha. Mas já no dia seguinte, um domingo, o executivo saiu com a prancha debaixo do braço direto para o mar. E no fim de cada expediente, lá estava ele, indo de carro (consertado por outro mecânico) para a praia. E ele ia todo empolgado, tentava ficar em pé na prancha, mas caía, era levado pelas ondas, e por fim ridicularizado pelos outros surfistas. Por essas e outras, ele resolveu ir surfar de noite. Era até melhor, porque chegava mais tarde no trabalho, e saía direto para a praia. Depois de um mês, ele conseguiu ficar em pé na prancha e pegar umas marolas. E após um mês, já tirava onda, embora escorregasse vez por outra. E a vida corria normalmente. E embora o jovem empresário estivesse um pouco mais cansado, o stress havia ido embora, junto com o orçamento nada modesto na manutenção da prancha. E assim foi passando o tempo.
Até que um dia ele resolveu se aventurar de manhã. Já não era tão ruim quanto antes, e resolveu arriscar. O mar estava meio revolto naquele sábado, e ele acabou pensando duas vezes antes de entrar. Mas na areia, na borda do mar, havia um grupo de surfistas, com uma expressão apreensiva. O jovem empresário se aproximou.
- O que é que há, meu povo? – perguntou ele.
- Porra, é um bróder nosso, que ficou preso no mar, ali depois das pedras!
- E vocês vão ficar aí, parados?
- Pô, ele foi porque ele quis...
- Bando de broxa. Vamos lá, salvar esse “amigo” de vocês...
- Vai não, cara, o mar tá forte, você só vai se f— mas ele já tinha ido.
E nisso ia juntando mais gente na praia, e na calçada iam aparecendo os jornalistas, além dos curiosos que queriam dar tchau pra câmera. E o empresário lá na água, se fudendo todo, pra chegar onde o cara tava. Afinal, conseguiu.
- Cara!... blub... me ajuda... aqui!
- Sobe aqui, maluco! Rápido, vamos voltar pra areia!
Mas ele percebeu logo que não daria pros dois voltarem na prancha.
- Então volta você! Tava se afogando, pô! Anda logo!
- Porra, e você? Esse mar tá foda, você não vai conseguir voltar!
- Relaxa, fiz uns três anos de natação, dá pra me virar! Agora vai logo!
Mas quem disse? O cara chegou à margem e logo procurou ajuda pro homem que o tinha salvado. Porém, os salva-vidas não conseguiram achar ninguém.
Entretanto, nosso jovem empresário estava bem. Tinha conseguido nadar até a areia, embora tivesse engolido bastante água no processo, e tivesse ido parar a uma praia bem longe do incidente. Mas quando soube que o jovem que tinha salvado estava são e salvo, resolveu voltar pra casa, pensado em como ia recuperar sua prancha.
Na segunda seguinte, o jovem empresário chegou ao trabalho, e mal tinha sentado em sua cadeira, quando recebeu a bomba de um colega:
- O chefe quer falar contigo.
Evidentemente, ele ficou na tensão. “Cacete, foi aquele relatório que me esqueci de entregar. E o chefe ainda prometeu um aumento!”, ele pensava. E se dirigiu para o escritório de seu superior, se borrando de medo.
O chefe saudou-o até que bem:
- Ah, jovem empresário. Como está? Aceita um cafezinho? Tinha uma certa urgência de falar com você. Soube de umas ações recentes suas, que foram um tanto quanto... inesperadas.
E o cara, nada.
- Não foram nem ações. Foi um ato só, que possibilitou sua distinção frente aos outros empregados. Um ato que só deve ter sido feito com muita coragem e audácia.
Aí ele resolveu se confessar:
- Poxa chefe, eu sei, foi aquele relatório que eu devia —
- Você salvou meu filho nesse sábado passado. Tem idéia do quanto isso me aliviou? Não havia mais nada que eu quisesse fazer quando ele chegou em casa do que abraçá-lo, saber que estava bem. Mesmo tendo brigado comigo antes de sair para surfar naquele mar revolto. E fiquei lisonjeado quando ele disse que tinha sido um dos meus empregados. Mas era você.
- O que o senhor quer dizer com isso?
- O que realmente importa agora é que te chamei aqui para agradecê-lo. E também para oferecer uma proposta.
- Ah, sim. Achei que o senhor tinha me chamado pra reclamar daquele relat—
- Estou fazendo um certo esforço para me esquecer desse maldito relatório – disse o chefe por entre os dentes – mas quero falar sobre uma promoção, a sua. Melhor salário, condições de trabalho, escritório próprio, cafezinho decente, melhores secretárias... e claro, mais responsabilidades. Por isso, imagino que terá que desistir... do surfe. Nada mais natural, será incompatível com o seu futuro cargo.
O jovem empresário nem mesmo pensou para responder.
- Sabe, chefe? Eu recuso. Não tenho coragem de fazer isso. Não quando é o surfe que me ajuda a relaxar, a aliviar a tensão do trabalho. Acho que enlouqueceria sem ele. Sou obrigado a recusar, senhor. Mas acho que o senhor devia praticar também.
E saiu da sala, deixando o chefe olhando para a porta, com o olhar vazio.
Algum tempo depois, após recuperar sua prancha com o filho do chefe (“Pô cara, meu pai aliviou pro teu lado? Se ele tiver feito qualquer coisa contigo, eu quebro a cara dele!”) o jovem empresário estava de boa, surfando, até que ele se distraiu com um homem baixo vagamente familiar saindo de um carrão na calçada. E tomou um belo caldo, caiu de cara na areia e a prancha ainda caiu na cabeça dele. Mas tão logo levantou a cabeça, reconheceu a figura. Era seu chefe.
- Sabe, eu pretendia conversar com meu filho, mas ele viu a prancha, e começou a rir. Isso foi semana passada, e até agora, quando olha para minha cara, começa o ataque de riso. Então resolvi pedir ajuda a outra pessoa. E aí, meu brother?... É assim que se diz, não é? Brother...
O jovem empresário piscou e viu melhor aquela figura ridícula, baixa, calva, com os cabelos do peito grisalhos, com uma bermuda completamente fora de contexto, e, pra coroar, ao lado de uma prancha duas vezes maior que seu dono. Ele pensou numa resposta óbvia, mas se limitou a dizer:
- Vambora.
Uma história de praia
Havia certo empresário que sofria de stress. ‘Certo’ porque, na verdade, todos sofrem de stress, mas não escreverei sobre todos, só sobre um certo empresário. Pois bem. Este certo empresário sofria de stress, e injustamente. Era jovem, tinha se formado cedo, conseguido um emprego bom, blábláblá. E ralou pra conseguir isso tudo. Mas sabemos, o sistema não tem pena de ninguém, e com ele não era diferente. Saía cedo de casa e voltava tarde. Dormia e comia mal. A mãe ficava enchendo o saco pra ele dar um tempo, e, após longas discussões, ele ameaçou cortar a pensão dela. Em suma, ele levava uma vida escrota. E pra completar, o carro tinha quebrado em uma bela noite dessas. O mecânico disse que era a ribomba da parafuseta, e que precisava trocar o óleo. O rapaz achava que tinha é que trocar de mecânico, mas, por ora, voltaria pra casa de ônibus. E foi em uma certa tarde, fugindo do trabalho, que ele passou pela praia, e viu alguns surfistas tomando um caldo. Quanto tempo, pensou ele, que não ia à praia. Desde aquele incidente com a tartaruga e aquele galo imenso na cabeça, ele nunca mais pisou numa praia. Mas aquela visão o acalmara. E o deixara inspirado.
Na semana seguinte, com o dinheiro do imposto de renda, ele foi comprar uma prancha. Foi no mínimo exótico: ele de terno e gravata, entrando numa loja onde o vendedor, só de bermuda e cabelão, achou que era pegadinha. Mas já no dia seguinte, um domingo, o executivo saiu com a prancha debaixo do braço direto para o mar. E no fim de cada expediente, lá estava ele, indo de carro (consertado por outro mecânico) para a praia. E ele ia todo empolgado, tentava ficar em pé na prancha, mas caía, era levado pelas ondas, e por fim ridicularizado pelos outros surfistas. Por essas e outras, ele resolveu ir surfar de noite. Era até melhor, porque chegava mais tarde no trabalho, e saía direto para a praia. Depois de um mês, ele conseguiu ficar em pé na prancha e pegar umas marolas. E após um mês, já tirava onda, embora escorregasse vez por outra. E a vida corria normalmente. E embora o jovem empresário estivesse um pouco mais cansado, o stress havia ido embora, junto com o orçamento nada modesto na manutenção da prancha. E assim foi passando o tempo.
Até que um dia ele resolveu se aventurar de manhã. Já não era tão ruim quanto antes, e resolveu arriscar. O mar estava meio revolto naquele sábado, e ele acabou pensando duas vezes antes de entrar. Mas na areia, na borda do mar, havia um grupo de surfistas, com uma expressão apreensiva. O jovem empresário se aproximou.
- O que é que há, meu povo? – perguntou ele.
- Porra, é um bróder nosso, que ficou preso no mar, ali depois das pedras!
- E vocês vão ficar aí, parados?
- Pô, ele foi porque ele quis...
- Bando de broxa. Vamos lá, salvar esse “amigo” de vocês...
- Vai não, cara, o mar tá forte, você só vai se f— mas ele já tinha ido.
E nisso ia juntando mais gente na praia, e na calçada iam aparecendo os jornalistas, além dos curiosos que queriam dar tchau pra câmera. E o empresário lá na água, se fudendo todo, pra chegar onde o cara tava. Afinal, conseguiu.
- Cara!... blub... me ajuda... aqui!
- Sobe aqui, maluco! Rápido, vamos voltar pra areia!
Mas ele percebeu logo que não daria pros dois voltarem na prancha.
- Então volta você! Tava se afogando, pô! Anda logo!
- Porra, e você? Esse mar tá foda, você não vai conseguir voltar!
- Relaxa, fiz uns três anos de natação, dá pra me virar! Agora vai logo!
Mas quem disse? O cara chegou à margem e logo procurou ajuda pro homem que o tinha salvado. Porém, os salva-vidas não conseguiram achar ninguém.
Entretanto, nosso jovem empresário estava bem. Tinha conseguido nadar até a areia, embora tivesse engolido bastante água no processo, e tivesse ido parar a uma praia bem longe do incidente. Mas quando soube que o jovem que tinha salvado estava são e salvo, resolveu voltar pra casa, pensado em como ia recuperar sua prancha.
Na segunda seguinte, o jovem empresário chegou ao trabalho, e mal tinha sentado em sua cadeira, quando recebeu a bomba de um colega:
- O chefe quer falar contigo.
Evidentemente, ele ficou na tensão. “Cacete, foi aquele relatório que me esqueci de entregar. E o chefe ainda prometeu um aumento!”, ele pensava. E se dirigiu para o escritório de seu superior, se borrando de medo.
O chefe saudou-o até que bem:
- Ah, jovem empresário. Como está? Aceita um cafezinho? Tinha uma certa urgência de falar com você. Soube de umas ações recentes suas, que foram um tanto quanto... inesperadas.
E o cara, nada.
- Não foram nem ações. Foi um ato só, que possibilitou sua distinção frente aos outros empregados. Um ato que só deve ter sido feito com muita coragem e audácia.
Aí ele resolveu se confessar:
- Poxa chefe, eu sei, foi aquele relatório que eu devia —
- Você salvou meu filho nesse sábado passado. Tem idéia do quanto isso me aliviou? Não havia mais nada que eu quisesse fazer quando ele chegou em casa do que abraçá-lo, saber que estava bem. Mesmo tendo brigado comigo antes de sair para surfar naquele mar revolto. E fiquei lisonjeado quando ele disse que tinha sido um dos meus empregados. Mas era você.
- O que o senhor quer dizer com isso?
- O que realmente importa agora é que te chamei aqui para agradecê-lo. E também para oferecer uma proposta.
- Ah, sim. Achei que o senhor tinha me chamado pra reclamar daquele relat—
- Estou fazendo um certo esforço para me esquecer desse maldito relatório – disse o chefe por entre os dentes – mas quero falar sobre uma promoção, a sua. Melhor salário, condições de trabalho, escritório próprio, cafezinho decente, melhores secretárias... e claro, mais responsabilidades. Por isso, imagino que terá que desistir... do surfe. Nada mais natural, será incompatível com o seu futuro cargo.
O jovem empresário nem mesmo pensou para responder.
- Sabe, chefe? Eu recuso. Não tenho coragem de fazer isso. Não quando é o surfe que me ajuda a relaxar, a aliviar a tensão do trabalho. Acho que enlouqueceria sem ele. Sou obrigado a recusar, senhor. Mas acho que o senhor devia praticar também.
E saiu da sala, deixando o chefe olhando para a porta, com o olhar vazio.
Algum tempo depois, após recuperar sua prancha com o filho do chefe (“Pô cara, meu pai aliviou pro teu lado? Se ele tiver feito qualquer coisa contigo, eu quebro a cara dele!”) o jovem empresário estava de boa, surfando, até que ele se distraiu com um homem baixo vagamente familiar saindo de um carrão na calçada. E tomou um belo caldo, caiu de cara na areia e a prancha ainda caiu na cabeça dele. Mas tão logo levantou a cabeça, reconheceu a figura. Era seu chefe.
- Sabe, eu pretendia conversar com meu filho, mas ele viu a prancha, e começou a rir. Isso foi semana passada, e até agora, quando olha para minha cara, começa o ataque de riso. Então resolvi pedir ajuda a outra pessoa. E aí, meu brother?... É assim que se diz, não é? Brother...
O jovem empresário piscou e viu melhor aquela figura ridícula, baixa, calva, com os cabelos do peito grisalhos, com uma bermuda completamente fora de contexto, e, pra coroar, ao lado de uma prancha duas vezes maior que seu dono. Ele pensou numa resposta óbvia, mas se limitou a dizer:
- Vambora.
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010
Horóscopo - edição extraordinária parte 2
Segunda parte do horóscopo!
Escorpião - 01/01 a 31/12
Signo dos Rabudos
Neste período rentável, você terá bastante propensão para criar uma poupança (rabão), já que Saturno trombou por acidente com sua estrela de iluminação espiritual, mas isso não quer dizer nada. Mas já que você criou uma poupança, que tal angariar fundos? Muita coisa vai entrar, eu
garanto. E creio que não será apenas dinheiro. Se você aumentar constantemente seus fundos, seu rabo... quero dizer, poupança, irá crescer exponencialmente. Algo como a camada de ozônio, é uma boa influência. Seu número da sorte é três atrás e você de 4. Use vermelho para chamar bastante atenção. Mas há um porém. Se você tiver celulite, desista. Ponha seu rabo entre as pernas e saia de mansinho. Seu lugar de projeção é a orla, mas se você não morar perto da praia, serve um puteiro.
Libra - 14/02 a 28/04
Signo dos Pesos e Medidas (libra, balança... sacou?)
[mais uma vez tivemos um problema de logística: nossa balança velha quebrou. Mas já o resolvemos, com a compra de uma balança eletrônica]
Esse período é propício para a realização de atos ilícitos. Porém, depois de encher a cara, jogar o carro na piscina, atropelar o dono da festa e o gato da vizinha, tacar fogo na casa e ainda queimar o jardim premiado do outro vizinho, você ficará com um verdadeiro peso na consciência. Mas tão pesado que irá quebrar a balança de sua casa. Portanto, a dica do mestre é: faça um regime. Ou vá pra academia carregar uns pesos. Seu número (não necessariamente da sorte) é 32.490, 15, que é o valor que você terá que pagar pelos seus atos ilícitos. E sua cor é o vermelho, que será a sua situação financeira depois de toda a merda que você fez. Quem mandou levar fé num horóscopo?
Sagitário - 25/12 a 24/06
Signo dos que Metem a Flecha
O período sagitariano está 11% positivo e 74% positivamente ruim. O resto é do Leão do Imposto de Renda. Assim como os arianos, você também estará com problemas de arremesso, mas de flechas. Por isso, compre um revólver. Mas se mesmo assim você errar, nem adianta apontar pra sua cabeça, você errará também. Você terá alguma sorte no lado financeiro, já que as estrelas da constelação de Baleia fizeram um ângulo reto com Netuno, ainda que isso seja meio inútil. De qualquer forma, você irá ganhar uma boa bolada na Loteria esse mês (4, 8, 15, 16, 23, 42), mas devido ao seu azar de atirar, que passou a ser azar de se encontrar, você terminará por errar o lugar onde deveria pegar o prêmio, e irá parar num esconderijo de ladrões, todos de Câncer e com rifles na mão. Mas como o seu azar é crônico, ele passará pros bandidos, e quando estes tentarem atirar na sua cabeça, errarão. E quando você se lembrar que perdeu um milhão e meio de reais, vai tentar atirar na sua cabeça (de novo) e irá errar (de novo também). E então irá atirar na cabeça de seu irmão que te bateu muito nesse período. Tudo bem que essa é a previsão de Gêmeos, mas que diferença faz? Você não vai levar esse horóscopo a sério mesmo!
Capricórnio - 22/12 a 20/01
Signo do Corno Manso
Sabe o buraco na camada de ozônio? Pois bem, seus chifres são a causa dele, e estão tão grandes que estão batendo nos fundos de Vênus. E o que isso quer dizer? Talvez que os médicos, veterinários, encanadores e entregadores de pizza e comida chinesa sejam de Gêmeos. E que não vão pra sua casa só por causa de seus problemas. Provavelmente os de sua mulher também... De
qualquer forma, o rombo na camada de ozônio está causando o aquecimento global, o que causa incêndios em todo sistema solar. Paciência é a palavra-chave. E a terceira lua de Júpiter terá seu brilho intensificado nesses dias, potencializando seu poder de sedução. Então, abuse e use C&A. Não, quero dizer, abuse do seu charme para conquistar seu/sua pretendente. Evite cores gordurosas e fique longe dos números, e principalmente de filmes como 23, 300 e 11, 12 e 13
Homens e Seus Respectivos Segredos são verdadeiros infernos astrais.
Aquário - 10/01 a 01/10
Signo dos Molhadinhos
Urano exerce influência direta e indireta sobre o seu aquário neste período, então não se esqueça de limpá-lo e cuidado para a água não transbordar, senão o peixe pode morrer. Se bem que, quanto mais água, melhor pro peixe, mas não vem ao caso. No amor você está bem, mas não tente fisgar peixes muito grandes, pois eles são muita areia pro seu caminhãozinho. Ou melhor,
muita água pro seu aquariozinho, ha. Pescou essa? E já que mencionamos Urano, vamos dizer que ele interfere nos negócios também, pra economizar influência. Invista tudo nos peixes, que estão em alta devido à febre do frango e a gripe aftosa. Ou algo do tipo. Mas seja prevenido, não
deixe que seu cardume se contamine com essas doenças. Seu número da sorte tem soma 3, sobra 5, noves fora. Sua cor da sorte pode ser tanto azul, verde ou marrom, a depender do grau de limpeza de seu aquário.
Peixes - 12/07 a 31/02
Signo dos Mariscos e Moquecas
Extrema precaução, amigo peixinho, a rede tá solta, o que cair é peixe. Aconselho que você se mantenha quieto, sem chamar a atenção, que nem um peixe morto. Se puder se afogar, melhor ainda. O amor é algo complicado, mas existem vários peixes no mar, há a chance de encontrar o
parceiro/a ideal, ou pelo menos pegar um filézinho. De peixe, preferencialmente. Só cuidado pra
não pegar uma baleia, que nem peixe é, mas só por via das dúvidas. Também não aja como um
tubarão, comendo tudo ao redor, delicadeza é fundamental. Mas, no geral, o mar está pra peixe,
então invista tudo e vá bem fundo, você não se afoga mesmo. Só cuidado para não ir para o fundo
do poço. E também invista no relacionamento com pessoas do mesmo signo, já que é cientificamente provado que comer ou ser comido por peixes faz bem à saúde, se é que vocês me entendem. Sua cor da sorte é "azul da cor do mar...", por Tim Maia.
Escorpião - 01/01 a 31/12
Signo dos Rabudos
Neste período rentável, você terá bastante propensão para criar uma poupança (rabão), já que Saturno trombou por acidente com sua estrela de iluminação espiritual, mas isso não quer dizer nada. Mas já que você criou uma poupança, que tal angariar fundos? Muita coisa vai entrar, eu
garanto. E creio que não será apenas dinheiro. Se você aumentar constantemente seus fundos, seu rabo... quero dizer, poupança, irá crescer exponencialmente. Algo como a camada de ozônio, é uma boa influência. Seu número da sorte é três atrás e você de 4. Use vermelho para chamar bastante atenção. Mas há um porém. Se você tiver celulite, desista. Ponha seu rabo entre as pernas e saia de mansinho. Seu lugar de projeção é a orla, mas se você não morar perto da praia, serve um puteiro.
Libra - 14/02 a 28/04
Signo dos Pesos e Medidas (libra, balança... sacou?)
[mais uma vez tivemos um problema de logística: nossa balança velha quebrou. Mas já o resolvemos, com a compra de uma balança eletrônica]
Esse período é propício para a realização de atos ilícitos. Porém, depois de encher a cara, jogar o carro na piscina, atropelar o dono da festa e o gato da vizinha, tacar fogo na casa e ainda queimar o jardim premiado do outro vizinho, você ficará com um verdadeiro peso na consciência. Mas tão pesado que irá quebrar a balança de sua casa. Portanto, a dica do mestre é: faça um regime. Ou vá pra academia carregar uns pesos. Seu número (não necessariamente da sorte) é 32.490, 15, que é o valor que você terá que pagar pelos seus atos ilícitos. E sua cor é o vermelho, que será a sua situação financeira depois de toda a merda que você fez. Quem mandou levar fé num horóscopo?
Sagitário - 25/12 a 24/06
Signo dos que Metem a Flecha
O período sagitariano está 11% positivo e 74% positivamente ruim. O resto é do Leão do Imposto de Renda. Assim como os arianos, você também estará com problemas de arremesso, mas de flechas. Por isso, compre um revólver. Mas se mesmo assim você errar, nem adianta apontar pra sua cabeça, você errará também. Você terá alguma sorte no lado financeiro, já que as estrelas da constelação de Baleia fizeram um ângulo reto com Netuno, ainda que isso seja meio inútil. De qualquer forma, você irá ganhar uma boa bolada na Loteria esse mês (4, 8, 15, 16, 23, 42), mas devido ao seu azar de atirar, que passou a ser azar de se encontrar, você terminará por errar o lugar onde deveria pegar o prêmio, e irá parar num esconderijo de ladrões, todos de Câncer e com rifles na mão. Mas como o seu azar é crônico, ele passará pros bandidos, e quando estes tentarem atirar na sua cabeça, errarão. E quando você se lembrar que perdeu um milhão e meio de reais, vai tentar atirar na sua cabeça (de novo) e irá errar (de novo também). E então irá atirar na cabeça de seu irmão que te bateu muito nesse período. Tudo bem que essa é a previsão de Gêmeos, mas que diferença faz? Você não vai levar esse horóscopo a sério mesmo!
Capricórnio - 22/12 a 20/01
Signo do Corno Manso
Sabe o buraco na camada de ozônio? Pois bem, seus chifres são a causa dele, e estão tão grandes que estão batendo nos fundos de Vênus. E o que isso quer dizer? Talvez que os médicos, veterinários, encanadores e entregadores de pizza e comida chinesa sejam de Gêmeos. E que não vão pra sua casa só por causa de seus problemas. Provavelmente os de sua mulher também... De
qualquer forma, o rombo na camada de ozônio está causando o aquecimento global, o que causa incêndios em todo sistema solar. Paciência é a palavra-chave. E a terceira lua de Júpiter terá seu brilho intensificado nesses dias, potencializando seu poder de sedução. Então, abuse e use C&A. Não, quero dizer, abuse do seu charme para conquistar seu/sua pretendente. Evite cores gordurosas e fique longe dos números, e principalmente de filmes como 23, 300 e 11, 12 e 13
Homens e Seus Respectivos Segredos são verdadeiros infernos astrais.
Aquário - 10/01 a 01/10
Signo dos Molhadinhos
Urano exerce influência direta e indireta sobre o seu aquário neste período, então não se esqueça de limpá-lo e cuidado para a água não transbordar, senão o peixe pode morrer. Se bem que, quanto mais água, melhor pro peixe, mas não vem ao caso. No amor você está bem, mas não tente fisgar peixes muito grandes, pois eles são muita areia pro seu caminhãozinho. Ou melhor,
muita água pro seu aquariozinho, ha. Pescou essa? E já que mencionamos Urano, vamos dizer que ele interfere nos negócios também, pra economizar influência. Invista tudo nos peixes, que estão em alta devido à febre do frango e a gripe aftosa. Ou algo do tipo. Mas seja prevenido, não
deixe que seu cardume se contamine com essas doenças. Seu número da sorte tem soma 3, sobra 5, noves fora. Sua cor da sorte pode ser tanto azul, verde ou marrom, a depender do grau de limpeza de seu aquário.
Peixes - 12/07 a 31/02
Signo dos Mariscos e Moquecas
Extrema precaução, amigo peixinho, a rede tá solta, o que cair é peixe. Aconselho que você se mantenha quieto, sem chamar a atenção, que nem um peixe morto. Se puder se afogar, melhor ainda. O amor é algo complicado, mas existem vários peixes no mar, há a chance de encontrar o
parceiro/a ideal, ou pelo menos pegar um filézinho. De peixe, preferencialmente. Só cuidado pra
não pegar uma baleia, que nem peixe é, mas só por via das dúvidas. Também não aja como um
tubarão, comendo tudo ao redor, delicadeza é fundamental. Mas, no geral, o mar está pra peixe,
então invista tudo e vá bem fundo, você não se afoga mesmo. Só cuidado para não ir para o fundo
do poço. E também invista no relacionamento com pessoas do mesmo signo, já que é cientificamente provado que comer ou ser comido por peixes faz bem à saúde, se é que vocês me entendem. Sua cor da sorte é "azul da cor do mar...", por Tim Maia.
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010
Horóscopo - edição extraordinária parte 1
Sabe aqueles horóscopos de jornal ou daquelas revistas que contam os episódios de novela da semana inteira, cheios de frufrus, planetas de afinidade, estrelas cadentes e um monte de advertências furadas? Esqueça. Horóscopo infalível é esse daqui, válido pra qualquer época! Siga os seus astros e aproveite a primeira parte!
Horóscopo
Válido para qualquer época do ano
Áries - 21/03 a 22/05
Signo do Cabra
Neste mês, você estará muito estressado devido às influências nefastas de Júpiter na sua personalidade; portanto, a dica desse mês é: faça um enrolado e fique relax. Os melhores sabores são orégano e maconha. Suas tentativas de arremesso nesse período não darão muito certo, mas se você não é do tipo esportista, vá correndo pra uma academia, seu sedentário filho duma puta. Sua estrela de ascendência parou de brilhar e caiu do céu, portanto evite contato com o fogo e com outros arianos, pois eles podem estar quentes. (hã?)
Touro - 24/03 a 17/02
Signo do Chifrudo
Seu chifre aponta para a direção norte-centro-oeste; portanto, muita cautela nas viagens. A atmosfera está bem agradável para conhecer novas pessoas, então queixe muita mulé nesse período (ou seduza homens se você for mulher ou viado). Aproxime-se principalmente de escorpianos, cuja poupança estará bem atraente durante o período. Só cuidado para não levar um pé, ou ferrão, na bunda. No trabalho, você não terá muito sucesso porque acabou queixando/seduzindo seu superior, e por isso foi demitido, mas graças à sua estrela de influência (o Cruzeiro do Sul), seu carisma está em alta. Então, dê aquele sorrisão na entrevista de emprego, que seu emprego é garantido. Porém, se não der certo... dê o sorriso na orla. Nunca falha.
Câncer - 04/40 a 21/12
Signo Favela (tem gente pra caralho!)
[na verdade, era pra ser Gêmeos agora, mas um dos bebês morreu e tiveram que arranjar outros gêmeos]
Sua estrela de descendência anda cansada demais pra cair ainda mais, então evite cair de lugares muito altos. Você terá azar no amor, no trabalho, nas finanças, em casa, na família, na porra toda. Isso porque as estrelas formaram, nesse período, uma estranha figura semelhante a um rifle apontado para Plutão, seu planeta de afinidade, que nem planeta mais é. Por isso, não saia de casa sem um rifle, para atirar na cabeça do primeiro que aparecer. Seu lugar de projeção espacial é a praia, porque assim como seu signo, tem muita gente. E gente feia, ainda por cima. Sua cor da sorte é verde-berrante, mas ela não te ajudará em muita coisa.
Gêmeos - 22/11 a 11/22
Signo da Desigualdade Social
Seu irmão mais velho irá te bater muito nesse período, e ele é de Câncer. Por isso, pegue o rifle dele emprestado e dê-lhe um pipoco na cabeça. Agora, se ele não for de Câncer e você atirar mesmo assim, você irá ganhar uma passagem sem despesas pagas para a prisão mais próxima. Felizmente, você - ou seu rabo - não serão muito molestados por lá, graças à presença protetora de Vênus neste período. Entretanto, assim que acabar, não nos responsabilizamos mais. Prepare-se para preparar uma fuga por semana, e queimar muitos colchões. Mudando de assunto, Vênus chegou muito perto do Sol por esses dias e se queimou, portanto use protetor solar e evite arianos. Também tenha cuidado com capricornianos, pois eles estão com os chifres apontados pros fundos de Vênus. Beleza é a palavra-chave. (oxi)
Leão - 31/12 a 01/01
Signo do Imposto de Renda
Neste mês, sua potência sexual estará bem acentuada, e você estará um verdadeiro leão na cama. Porém, graças ao azar no amor, sua pretendente não irá querer liberar para você. Como você estará com um apetite sexual de leão, você irá atacar a primeira coisa que se mexer na sua frente. Torça pra ser uma mulher, ou pelo menos um ser humano, já que comer animais é cilada. E também não vá inventar de comer a planta decorativa da sala. Não dá certo, eu garanto. Se por acaso for comer a empregada, não se esqueça da camisinha, porque se você tiver um filho com ela, sua mulher vai te expulsar de casa e você se verá obrigado a morar na favela. Reze pra ninguém de lá ser Câncer e querer atirar na sua cabeça. Você também terá azar nas finanças, já que vão te roubar no momento que colocar os pés na favela. E o dinheiro dos sagitarianos de nada adiantará aqui, vão te roubar de qualquer maneira. Parece que só o lado seuxal terá sorte, já que você poderá comer a irmã da empregada, a tia da empregada, a prima da empregada, a sobrinha da empregada, e por aí vai...
Virgem - 01/10 a 31/13
Signo dos Não-Aproveitadores de Vida
Neste período seu pau não subirá, mas isso não é problema, você não faz sexo mesmo. Mas nada que um bom Viagra não resolva. Sua influência fará uma circunferência em torno de Urano, mas isso não quer dizer nada. Sua aptidão para resolver problemas é impressionante, mas manter-se organizado é uma situação problemática para você. Portanto, esqueça os seus problemas e fique com os meus. Para aproveitar melhor a vida, pegue aquele dinheiro da poupança da faculdade, contrate umas putas e chame os amigos. Desse modo, você resolve seu problema de virgindade e o problema de mão cabeluda de seus amigos. Agora, se seus pais descobrirem, o problema é seu. O número da sorte do período é 69 e sua cor de afinidade é vermelho-petróleo. (eu hein...)
Válido para qualquer época do ano
Áries - 21/03 a 22/05
Signo do Cabra
Neste mês, você estará muito estressado devido às influências nefastas de Júpiter na sua personalidade; portanto, a dica desse mês é: faça um enrolado e fique relax. Os melhores sabores são orégano e maconha. Suas tentativas de arremesso nesse período não darão muito certo, mas se você não é do tipo esportista, vá correndo pra uma academia, seu sedentário filho duma puta. Sua estrela de ascendência parou de brilhar e caiu do céu, portanto evite contato com o fogo e com outros arianos, pois eles podem estar quentes. (hã?)
Touro - 24/03 a 17/02
Signo do Chifrudo
Seu chifre aponta para a direção norte-centro-oeste; portanto, muita cautela nas viagens. A atmosfera está bem agradável para conhecer novas pessoas, então queixe muita mulé nesse período (ou seduza homens se você for mulher ou viado). Aproxime-se principalmente de escorpianos, cuja poupança estará bem atraente durante o período. Só cuidado para não levar um pé, ou ferrão, na bunda. No trabalho, você não terá muito sucesso porque acabou queixando/seduzindo seu superior, e por isso foi demitido, mas graças à sua estrela de influência (o Cruzeiro do Sul), seu carisma está em alta. Então, dê aquele sorrisão na entrevista de emprego, que seu emprego é garantido. Porém, se não der certo... dê o sorriso na orla. Nunca falha.
Câncer - 04/40 a 21/12
Signo Favela (tem gente pra caralho!)
[na verdade, era pra ser Gêmeos agora, mas um dos bebês morreu e tiveram que arranjar outros gêmeos]
Sua estrela de descendência anda cansada demais pra cair ainda mais, então evite cair de lugares muito altos. Você terá azar no amor, no trabalho, nas finanças, em casa, na família, na porra toda. Isso porque as estrelas formaram, nesse período, uma estranha figura semelhante a um rifle apontado para Plutão, seu planeta de afinidade, que nem planeta mais é. Por isso, não saia de casa sem um rifle, para atirar na cabeça do primeiro que aparecer. Seu lugar de projeção espacial é a praia, porque assim como seu signo, tem muita gente. E gente feia, ainda por cima. Sua cor da sorte é verde-berrante, mas ela não te ajudará em muita coisa.
Gêmeos - 22/11 a 11/22
Signo da Desigualdade Social
Seu irmão mais velho irá te bater muito nesse período, e ele é de Câncer. Por isso, pegue o rifle dele emprestado e dê-lhe um pipoco na cabeça. Agora, se ele não for de Câncer e você atirar mesmo assim, você irá ganhar uma passagem sem despesas pagas para a prisão mais próxima. Felizmente, você - ou seu rabo - não serão muito molestados por lá, graças à presença protetora de Vênus neste período. Entretanto, assim que acabar, não nos responsabilizamos mais. Prepare-se para preparar uma fuga por semana, e queimar muitos colchões. Mudando de assunto, Vênus chegou muito perto do Sol por esses dias e se queimou, portanto use protetor solar e evite arianos. Também tenha cuidado com capricornianos, pois eles estão com os chifres apontados pros fundos de Vênus. Beleza é a palavra-chave. (oxi)
Leão - 31/12 a 01/01
Signo do Imposto de Renda
Neste mês, sua potência sexual estará bem acentuada, e você estará um verdadeiro leão na cama. Porém, graças ao azar no amor, sua pretendente não irá querer liberar para você. Como você estará com um apetite sexual de leão, você irá atacar a primeira coisa que se mexer na sua frente. Torça pra ser uma mulher, ou pelo menos um ser humano, já que comer animais é cilada. E também não vá inventar de comer a planta decorativa da sala. Não dá certo, eu garanto. Se por acaso for comer a empregada, não se esqueça da camisinha, porque se você tiver um filho com ela, sua mulher vai te expulsar de casa e você se verá obrigado a morar na favela. Reze pra ninguém de lá ser Câncer e querer atirar na sua cabeça. Você também terá azar nas finanças, já que vão te roubar no momento que colocar os pés na favela. E o dinheiro dos sagitarianos de nada adiantará aqui, vão te roubar de qualquer maneira. Parece que só o lado seuxal terá sorte, já que você poderá comer a irmã da empregada, a tia da empregada, a prima da empregada, a sobrinha da empregada, e por aí vai...
Virgem - 01/10 a 31/13
Signo dos Não-Aproveitadores de Vida
Neste período seu pau não subirá, mas isso não é problema, você não faz sexo mesmo. Mas nada que um bom Viagra não resolva. Sua influência fará uma circunferência em torno de Urano, mas isso não quer dizer nada. Sua aptidão para resolver problemas é impressionante, mas manter-se organizado é uma situação problemática para você. Portanto, esqueça os seus problemas e fique com os meus. Para aproveitar melhor a vida, pegue aquele dinheiro da poupança da faculdade, contrate umas putas e chame os amigos. Desse modo, você resolve seu problema de virgindade e o problema de mão cabeluda de seus amigos. Agora, se seus pais descobrirem, o problema é seu. O número da sorte do período é 69 e sua cor de afinidade é vermelho-petróleo. (eu hein...)
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010
Perfil do Turista Brasileiro, parte 02
A segunda parte, pros que não entenderam!
Agora o mais importante: como diferenciar o turista esperto do turista babaca.
- Pra começar, a roupa. O turista esperto procura se misturar com a galera, sendo discreto no seu vestuário. Já o turista babaca não. É aquele estereótipo de gringo, tênis última geração, bermuda cheia de bolsos, chapéu branco, normalmente comprado no aeroporto, e uma camiseta espalhafatosa com os dizeres "I love Brazil", também comprada no aeroporto. A única vantagem é que nao tem como perder o infeliz de vista...;
- Outra forma de diferenciá-los é pelos apetrechos. O turista babaca tudo no cinto. Lembra do Batman e seu cinto de utilidades? Pois bem. É a máquina digital, filmadora, o celular, o iPod... o efeito disso é atrair a maior parte dos ladrões em um raio de dois metros e meio. Já o turista esperto é precavido, joga tudo na bolsa da/do acompanhante. Se bem que essa bolsa também atrai a maior parte dos ladrões em um raio de dois metros e meio, mas o cara é esperto;
- Quanto ao planejamento, pode-se dizer que o turista esperto é mais organizado, procura estudar o terreno antes de viajar, ao passo que o turista babaca pensa que a viagem é uma aventura. E o que ocorre? O último simplesmente compra a passagem e no dia seguinte está viajando. Exemplos? Pensa naquele mané que, em plenos 38 graus de Fortaleza, sai do hotel de casaco e botas, enquanto um outro sai mais à vontade, de bermuda e regata. Esses são, respectivamente, o turista babaca e o turista esperto;
- Uma consequência do tópico acima: já que o turista esperto se programou, já trouxe o caraminguá pronto pra gastar no que precisar, e ele certamente vai querer conhecer a cultura local; já o turista babaca só faz ir à praia, depois de ter seu cartão de crédito recusado numa banca de artesanato. Assim, quando você vê aquele turista que compra um monte de tralha e suvenires de Salvador, além de ficar ouvindo aqueles axés doidos de lá, tenha certeza que é o turista esperto, e aquele outro turista que fica o dia inteiro à milanesa no Porto da Barra ouvindo o iPod dele, esteja certo que é o turista babaca. Se bem que nesse caso, ainda fico do lado do babaca, já que a qualidade do axé baiano é algo bem questionável...
- Essa é típica de carnaval: o turista babaca vê nas agências de turismo da cidade dele "Carnaval do Rio: tradição e diversão", ou então "Carnaval de São Paulo: entretenimento para todos". Aí cai na onda de que o carnaval brasileiro é tudo igual ao do de Recife ou Salvador. E o cara já vai a caráter: tênis, bermuda, camisa com propaganda de cerveja e o batidão. E lógico, a latinha numa das mãos. Aí tá lá ele dançando no meio do Sambódromo, a platéia se acabando de rir, e vêm os policiais recolher o mané, que pra coroar ainda perde o batidão. Otário...;
- Enquanto a maioria dos turistas sensatos - espertos - se contentam com um restaurantezinho à noite, o turista babaca não. Eles querem porque querem "agitar a night". E o resultado você já sabe: dá merda. O babaca bebe demais na boate, sai na mão com o segurança, e é socorrido por um bando de viados. O resto você já sabe, ele acorda numa lata de lixo num beco qualquer com o rabo doendo. Seria trágico se não fosse engraçado.
Agora o mais importante: como diferenciar o turista esperto do turista babaca.
- Pra começar, a roupa. O turista esperto procura se misturar com a galera, sendo discreto no seu vestuário. Já o turista babaca não. É aquele estereótipo de gringo, tênis última geração, bermuda cheia de bolsos, chapéu branco, normalmente comprado no aeroporto, e uma camiseta espalhafatosa com os dizeres "I love Brazil", também comprada no aeroporto. A única vantagem é que nao tem como perder o infeliz de vista...;
- Outra forma de diferenciá-los é pelos apetrechos. O turista babaca tudo no cinto. Lembra do Batman e seu cinto de utilidades? Pois bem. É a máquina digital, filmadora, o celular, o iPod... o efeito disso é atrair a maior parte dos ladrões em um raio de dois metros e meio. Já o turista esperto é precavido, joga tudo na bolsa da/do acompanhante. Se bem que essa bolsa também atrai a maior parte dos ladrões em um raio de dois metros e meio, mas o cara é esperto;
- Quanto ao planejamento, pode-se dizer que o turista esperto é mais organizado, procura estudar o terreno antes de viajar, ao passo que o turista babaca pensa que a viagem é uma aventura. E o que ocorre? O último simplesmente compra a passagem e no dia seguinte está viajando. Exemplos? Pensa naquele mané que, em plenos 38 graus de Fortaleza, sai do hotel de casaco e botas, enquanto um outro sai mais à vontade, de bermuda e regata. Esses são, respectivamente, o turista babaca e o turista esperto;
- Uma consequência do tópico acima: já que o turista esperto se programou, já trouxe o caraminguá pronto pra gastar no que precisar, e ele certamente vai querer conhecer a cultura local; já o turista babaca só faz ir à praia, depois de ter seu cartão de crédito recusado numa banca de artesanato. Assim, quando você vê aquele turista que compra um monte de tralha e suvenires de Salvador, além de ficar ouvindo aqueles axés doidos de lá, tenha certeza que é o turista esperto, e aquele outro turista que fica o dia inteiro à milanesa no Porto da Barra ouvindo o iPod dele, esteja certo que é o turista babaca. Se bem que nesse caso, ainda fico do lado do babaca, já que a qualidade do axé baiano é algo bem questionável...
- Essa é típica de carnaval: o turista babaca vê nas agências de turismo da cidade dele "Carnaval do Rio: tradição e diversão", ou então "Carnaval de São Paulo: entretenimento para todos". Aí cai na onda de que o carnaval brasileiro é tudo igual ao do de Recife ou Salvador. E o cara já vai a caráter: tênis, bermuda, camisa com propaganda de cerveja e o batidão. E lógico, a latinha numa das mãos. Aí tá lá ele dançando no meio do Sambódromo, a platéia se acabando de rir, e vêm os policiais recolher o mané, que pra coroar ainda perde o batidão. Otário...;
- Enquanto a maioria dos turistas sensatos - espertos - se contentam com um restaurantezinho à noite, o turista babaca não. Eles querem porque querem "agitar a night". E o resultado você já sabe: dá merda. O babaca bebe demais na boate, sai na mão com o segurança, e é socorrido por um bando de viados. O resto você já sabe, ele acorda numa lata de lixo num beco qualquer com o rabo doendo. Seria trágico se não fosse engraçado.
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
Perfil do Turista Brasileiro, parte 01
Desde já, um clássico do nonsense! Aproveitem essa primeira parte!
Perfil do Turista Brasileiro
Antes de mais nada, um esclarecimento: existem primariamente quatro tipos de turista. Os dois primeiros, mais importantes, são o turista esperto e o turista babaca; os outros dois, mais irrelevantes, são o turista internacional, vulgo gringo, e o turista brasileiro. E porque mais irrelevantes? Porque são mais sem graça. Dito isso, vamos ao que interessa.
Comecemos pelo menos importante. Como reconhecer e diferenciar um turista brazuca de um gringo.
- Antes de mais nada, você dificilmente verá um gringo pechinchando, porque quem sai ganhando no câmbio é ele. Vamos pôr dessa maneira: você, sendo um vendedor de tralha pra turista, prefere ganhar o quê? 100 reais ou 100 dólares? Ou algo mais relevante, 100 euros?;
- Sem contar que, quando tem uma região com os preços salgados, o turista brasileiro é sempre o primeiro a reclamar. Isso porque ele descobre que os dois reais que ele usa para comprar pão na sua cidade de origem só servem prum cafézinho no hotel de onde ele está;
- E o pior de tudo: brasileiro é uma praga. Porque você acha em qualquer lugar. Num deserto da vida, é mais fácil encontrar um brasileiro do que água. Ou mesmo na guerra do Iraque, pode crer que tem algum jornalista do Brasil fazendo a cobertura 24 horas de Bagdá, tomando tiro no processo. Pode ser branco, negro, pardo, amarelo, paralítico, rico... só não pode ser pobre, porque pobre turista só vai pro Rio, porque viu na Globo, ou então pra Salvador, pra ver Ivete no carnaval. É chato, mas a realidade é dura.
Perfil do Turista Brasileiro
Antes de mais nada, um esclarecimento: existem primariamente quatro tipos de turista. Os dois primeiros, mais importantes, são o turista esperto e o turista babaca; os outros dois, mais irrelevantes, são o turista internacional, vulgo gringo, e o turista brasileiro. E porque mais irrelevantes? Porque são mais sem graça. Dito isso, vamos ao que interessa.
Comecemos pelo menos importante. Como reconhecer e diferenciar um turista brazuca de um gringo.
- Antes de mais nada, você dificilmente verá um gringo pechinchando, porque quem sai ganhando no câmbio é ele. Vamos pôr dessa maneira: você, sendo um vendedor de tralha pra turista, prefere ganhar o quê? 100 reais ou 100 dólares? Ou algo mais relevante, 100 euros?;
- Sem contar que, quando tem uma região com os preços salgados, o turista brasileiro é sempre o primeiro a reclamar. Isso porque ele descobre que os dois reais que ele usa para comprar pão na sua cidade de origem só servem prum cafézinho no hotel de onde ele está;
- E o pior de tudo: brasileiro é uma praga. Porque você acha em qualquer lugar. Num deserto da vida, é mais fácil encontrar um brasileiro do que água. Ou mesmo na guerra do Iraque, pode crer que tem algum jornalista do Brasil fazendo a cobertura 24 horas de Bagdá, tomando tiro no processo. Pode ser branco, negro, pardo, amarelo, paralítico, rico... só não pode ser pobre, porque pobre turista só vai pro Rio, porque viu na Globo, ou então pra Salvador, pra ver Ivete no carnaval. É chato, mas a realidade é dura.
sábado, 23 de janeiro de 2010
Réveillon na praia, numa capital qualquer
Aqui está o que deveria ter sido o primeiro texto do ano! Sei que está meio grande, façam um esforço pra ler! Enjoy!
Réveillon na praia, numa capital qualquer
Era aquele caso típico: família pequena na casa de outra família pequena; no caso, eu, a patroa e a patroa-mãe, e um casal. Como boas visitas, não avisamos que íamos, mas chegamos cedo, pra fazer uma média, muito embora o fechamento da avenida principal fosse o principal motivo para nossa pontualidade. Tanto faz. Levamos a marmita pra comer por lá, ou como eles chamam, "ceia"; por sinal, a primeira vez que ouço alguém falar 'ceia' na minha frente, achei que só faziam isso em Senhor dos Anéis. Como pretendíamos passar a noite por lá mesmo, terminamos por levar algumas sacolas com roupas, e alguns colchonetes. Se, em vez do carro, tivéssemos uma caminhonete e uma penca de crianças lotando-a, passaríamos por bóias-frias recém chegados do interior. Enfim.
O casal era conhecido nosso, das antigas. Mas devo dizer que a visão do marido ainda impressionava. Um armário negro de dois metros de altura - e largura. Bastante simpático por sinal, embora não soubesse brincar. Dei um soco de brincadeira no braço dele, só pra receber outro cinco vezes mais forte de volta. Temi pelo meu braço, ou o que sobrou dele, naquele momento. Ainda estava cedo, o que significa que teríamos que matar tempo até a comemoração. TV ligada é uma perdição à uma hora dessas, o que significa que tivemos que assistir... novela. Pior, DUAS novelas, que pareciam não terminar nunca. Achei que estaríamos no ano novo quando chegassem ao fim. Mas a pior parte mesmo é que eu estava começando a gostar da novela das sete. Mas foi só os primeiros acordes do 'Show da Virada' começarem a tocar, que cheguei ao meu limite. "VAMBORA PRA RUA, CAMBADA!"
Então descemos. Já que o valor das pernas ali devia passar de um milhão, em razão das inúmeras idas ao médico e cirurgias, todas estavam de sandália rasteira. Não tinha porque fazer esse comentário, mas é porque eu me divertia vendo os projetos de madame se equilibrando em cima de plataformas acima de 10 centímetros. Eu não devia rir, mas uma realmente caiu. E pior, bem em cima do namorado trinta centímetros menor que ela. Que deprimente. À primeira vista, fiquei feliz, só gringa, situação comparável ao Carnaval. Tá, exagero. Fomos olhar a praia, parecia um formigueiro que jogaram mel. Em bom português, cheio pra caralho. E isso na água, na areia nem comento. Mas, afinal, era bom conseguirmos um lugar pra sentar, de outra forma seríamos levados pela multidão. E falando na multidão, à medida que andávamos, ia progressivamente ficando mais feia. Parecia que uma favela tinha descido em peso pra cair no mar no ano-novo. Teve um momento que me senti como Castro Alves em Navio Negreiro: "Era um sonho dantesco/(...)/Dizei-me vós, Senhor Deus!/Se é loucura... se é verdade/Tanto horror perante os céus?!".
Fui arranjar um lugar pro pessoal sentar. Tinha um lugar próximo na calçada próximo à areia. Seria excelente não fossem aquela vista auspiciosa dos banheiros biológicos ali ao lado, mas felizmente o vento estava ao nosso favor. Quem trabalha manuseando esses poços de perdição devia ser homenageado em praça pública, como um macho de verdade, mesmo que fosse mulher. Dei a desculpa que ia encontrar um conhecido, e saí andando pela avenida. Muito provavelmente encontraria algum conhecido ali, nunca levamos a sério até que vemos a pessoa. E geralmente nunca é alguém que queremos encontrar na noite antes do ano-novo. De qualquer forma, era engraçado ver os casais insólitos que apareciam à minha frente. Por exemplo, um gringo desorientado junto a um espécime local. Notei que o gringo estava visivelmente pouco à vontade, desorientado, arrumado para jogar críquete e olhos tão azuis que você poderia pensar que são lentes de contato com defeito de fabricação, e sua acompanhante era a sua antítese, a começar pela cor da pele. Era tão negra que, se você estivesse num quarto escuro com ela, você a distinguiria porque daria pra ver um vulto mais escuro que o próprio escuro, se é que vocês me entendem. Estava sorrindo, e não era exatamente agradável de ver, já em cada extremo havia um dente. E, obviamente, nenhum outro entre eles, o que você poderia chamar de Sorriso 1001. Não me entendam mal, não é sacanagem só porque a coitada é negra. Mas porque era feia pra burro. Chegava a dar pena do gringo.
Continuei andando. De repente, a mala de um carro abriu revelando um potente sistema de som, que muito provavelmente não tocaria música clássica. Mas qual não foi a minha surpresa ao ouvir a Sonata ao Luar de Beethoven vinda do carro? Só não fiquei surpreso quando o pessoal ao redor começou a virar o carro, e o motorista rolando de rir, só pra colocar uma música de baixo calão sociológico pra tocar. Fiquei mais tranqüilo; aquilo sim era normal, embora fosse uma bosta, no fim das contas. Mas senti a desaprovação no meu olhar quando o pessoal começou a... dançar, na falta de um adjetivo melhor. Com aquele rebolado, Elvis decidamente ficaria envergonhado. Só aqui mesmo pra ter essas coisas.
Mais à frente, mais gringos. Dessa vez, um casal, cujo português aparentemente se limitava a 'pagode' e 'fogos artifício'. Pelo inglês sofrível e por algumas frases sem sentido, deviam ser alemães. Arrisquei um "Aus dem Land der Führer?", só pra ver a mulher me mostrar o dedo e o homem lançar impropérios sem sentido. Sim, eram alemães. Afastei-me com um meio sorriso.
Resolvi voltar, quase podia sentir o casal de alemães bufando no meu pescoço. Tinha um posto de gasolina ali perto (devidamente barricado, pra evitar ataques/saques de engraçadinhos), resolvi parar ali pra comprar uma coca. Entre mortos, feridos e bêbados - com predominância dos últimos - tinham alguns moleques, um pouco mais jovens que eu, enchendo a cara, e sobressaltados, porque olhavam toda hora para os lados; deviam estar preocupados com os pais, quem sabe? Entre eles, estava uma menina, guria mesmo, nem peito formado tinha ainda, com uma garrafa de Smirnoff na mão. Não a Ice, a vodka mesmo. A julgar pelo seu comportamento exuberante e sua fala embolada, ela ia virar o ano recebendo glicose. Até pensei em pedir uma dose, mas era melhor manter minha dignidade. Mentira, os pais dela chegaram nesse momento, e enquanto a mãe se acabava de chorar pela filhinha santa que supostamente nunca tinha colocado uma gota de álcool na boca (conta outra), o pai pegou a garrafa e a jogou alucinadamente para trás.
Enquanto essa fazia um arco perfeito no ar, uma multidão de mendigos, surgidos Deus sabe de onde, começou a se juntar no provável lugar que cairia. Entretanto, o destino pode ser bem cruel vez ou outra, já que uma pomba bateu na garrafa e esta caiu nas mãos de um homem mirrado que estava segurando seu champanhe. Foi uma cena insólita, porém cômica, ver os mendigos voando em cima do coitado. Estava engraçado até o sujeito correr na minha direção e me entregar a vodka. No momento que vi aquela multidão crescente de mendigos vir ao meu encontro, pulei o muro que separava a calçada da areia, joguei a garrafa lá longe no mar, e saí correndo. Quando achei que já tinha uma distância segura, olhei para trás. O que tinha de mendigo pulando o mesmo muro que eu - que, percebi agora, tinha bem uns dois metros de altura; o que o desespero não faz -, enfiando a cara na areia, e nadando na direção que eu tinha jogado a garrafa. Só podia esperar que Iemanjá não considerasse aquilo como uma oferenda.
O ano estava acabando, era melhor voltar pra encontrar o pessoal. Desviei de umas duas tampas prematuras no caminho, mas encontrei o povo. E, ao lado deles, na calçada, visualizo um par, digamos, um tanto quanto íntimo. Nada demais, mas visivelmente eram dois homossexuais. Não me importava que eles estivessem ali, mas para quem cresceu ouvindo que homem só gosta de mulher e vice-versa, e tudo o que não fosse isso era, hã, errado. Lógico que não é assim que a coisa funciona, mas enfim... tão somente virei o rosto e fiquei olhando a calçada. O pior é que tinha um homem olhando fixamente pros dois; sua expressão estava entre o divertido e o enojado. E ainda olhou pra mim, rindo. Tive que rir também, a cara do homem estava cômica. É engraçado como ainda existem preconceitos como esse hoje em dia. A julgar pelo olhar do cara, ele devia ser do interior, nunca deve ter visto algo do tipo. Ao menos, não tão escancarado. Só tive certeza que o cabra era mesmo do interior quando ele gritou: "Num tem Caninha da Roça nessa porra não?".
Sentei na calçada, faltavam dez minutos pra meia-noite. Ela tinha tentado abrir o plástico, sem sucesso, e me passou. Mas consegui tirá-lo, só que não podia tirar a fio de metal sobre a tampa, o que resultou na mesma voando na cara de minha mãe. Mas após um gancho de direita (dela), a situação se acalmou. Cinco minutos. Desci para a praia, devaneando.
Era engraçado como todas aquelas pessoas ali, e outras tantas deixavam suas rotinas de lado por um dia, faziam planos e promessas - que eventualmente não seriam cumpridos, em sua maioria - para um novo ano que entrava. Talvez me falte um tanto de sensibilidade, ou compreensão, mas pra mim não fazia diferença, era apenas um dia após o outro, com o sol nascendo no dia seguinte como todos os outros, sem essa real necessidade de tanto alarde. Mas também fico pensando como as pessoas deixam todas as discussões, pendências, e festejam por uma noite inteira como se não houvesse problemas a resolver. Idiotas, porém felizes. Mas felizmente, só existe um réveillon por ano. Mas talvez as pessoas precisem mesmo dessa mentalidade mais fresca, mais tranqüila, mais vezes no ano. Olhei para as estrelas e me virei para encarar as pessoas na areia e na calçada logo atrás, enquanto os fogos explodiam logo atrás. É... é bom que as pessoas se sintam idiotas, porém felizes, nem que seja por uma única noite no ano. Sei lá.
Nesse momento, apareceu uma senhora distribuindo rosas; ela me ofereceu uma e foi embora. Olhei pra flor naquele momento, e fui me lembrando de todos com quem dividi meu ano. Só podia esperar que o ano fosse tão bom para eles quanto seria para mim. Sim, tenho certeza que o ano seria bom, era esperar pra ver. Joguei a rosa no mar, sem saber exatamente pra que aquilo servia. Talvez fosse melhor fazer isso, dona Iemanjá talvez ficasse mais feliz com uma rosa do que com um bando de mendigos. É, é isso aí.
Réveillon na praia, numa capital qualquer
Era aquele caso típico: família pequena na casa de outra família pequena; no caso, eu, a patroa e a patroa-mãe, e um casal. Como boas visitas, não avisamos que íamos, mas chegamos cedo, pra fazer uma média, muito embora o fechamento da avenida principal fosse o principal motivo para nossa pontualidade. Tanto faz. Levamos a marmita pra comer por lá, ou como eles chamam, "ceia"; por sinal, a primeira vez que ouço alguém falar 'ceia' na minha frente, achei que só faziam isso em Senhor dos Anéis. Como pretendíamos passar a noite por lá mesmo, terminamos por levar algumas sacolas com roupas, e alguns colchonetes. Se, em vez do carro, tivéssemos uma caminhonete e uma penca de crianças lotando-a, passaríamos por bóias-frias recém chegados do interior. Enfim.
O casal era conhecido nosso, das antigas. Mas devo dizer que a visão do marido ainda impressionava. Um armário negro de dois metros de altura - e largura. Bastante simpático por sinal, embora não soubesse brincar. Dei um soco de brincadeira no braço dele, só pra receber outro cinco vezes mais forte de volta. Temi pelo meu braço, ou o que sobrou dele, naquele momento. Ainda estava cedo, o que significa que teríamos que matar tempo até a comemoração. TV ligada é uma perdição à uma hora dessas, o que significa que tivemos que assistir... novela. Pior, DUAS novelas, que pareciam não terminar nunca. Achei que estaríamos no ano novo quando chegassem ao fim. Mas a pior parte mesmo é que eu estava começando a gostar da novela das sete. Mas foi só os primeiros acordes do 'Show da Virada' começarem a tocar, que cheguei ao meu limite. "VAMBORA PRA RUA, CAMBADA!"
Então descemos. Já que o valor das pernas ali devia passar de um milhão, em razão das inúmeras idas ao médico e cirurgias, todas estavam de sandália rasteira. Não tinha porque fazer esse comentário, mas é porque eu me divertia vendo os projetos de madame se equilibrando em cima de plataformas acima de 10 centímetros. Eu não devia rir, mas uma realmente caiu. E pior, bem em cima do namorado trinta centímetros menor que ela. Que deprimente. À primeira vista, fiquei feliz, só gringa, situação comparável ao Carnaval. Tá, exagero. Fomos olhar a praia, parecia um formigueiro que jogaram mel. Em bom português, cheio pra caralho. E isso na água, na areia nem comento. Mas, afinal, era bom conseguirmos um lugar pra sentar, de outra forma seríamos levados pela multidão. E falando na multidão, à medida que andávamos, ia progressivamente ficando mais feia. Parecia que uma favela tinha descido em peso pra cair no mar no ano-novo. Teve um momento que me senti como Castro Alves em Navio Negreiro: "Era um sonho dantesco/(...)/Dizei-me vós, Senhor Deus!/Se é loucura... se é verdade/Tanto horror perante os céus?!".
Fui arranjar um lugar pro pessoal sentar. Tinha um lugar próximo na calçada próximo à areia. Seria excelente não fossem aquela vista auspiciosa dos banheiros biológicos ali ao lado, mas felizmente o vento estava ao nosso favor. Quem trabalha manuseando esses poços de perdição devia ser homenageado em praça pública, como um macho de verdade, mesmo que fosse mulher. Dei a desculpa que ia encontrar um conhecido, e saí andando pela avenida. Muito provavelmente encontraria algum conhecido ali, nunca levamos a sério até que vemos a pessoa. E geralmente nunca é alguém que queremos encontrar na noite antes do ano-novo. De qualquer forma, era engraçado ver os casais insólitos que apareciam à minha frente. Por exemplo, um gringo desorientado junto a um espécime local. Notei que o gringo estava visivelmente pouco à vontade, desorientado, arrumado para jogar críquete e olhos tão azuis que você poderia pensar que são lentes de contato com defeito de fabricação, e sua acompanhante era a sua antítese, a começar pela cor da pele. Era tão negra que, se você estivesse num quarto escuro com ela, você a distinguiria porque daria pra ver um vulto mais escuro que o próprio escuro, se é que vocês me entendem. Estava sorrindo, e não era exatamente agradável de ver, já em cada extremo havia um dente. E, obviamente, nenhum outro entre eles, o que você poderia chamar de Sorriso 1001. Não me entendam mal, não é sacanagem só porque a coitada é negra. Mas porque era feia pra burro. Chegava a dar pena do gringo.
Continuei andando. De repente, a mala de um carro abriu revelando um potente sistema de som, que muito provavelmente não tocaria música clássica. Mas qual não foi a minha surpresa ao ouvir a Sonata ao Luar de Beethoven vinda do carro? Só não fiquei surpreso quando o pessoal ao redor começou a virar o carro, e o motorista rolando de rir, só pra colocar uma música de baixo calão sociológico pra tocar. Fiquei mais tranqüilo; aquilo sim era normal, embora fosse uma bosta, no fim das contas. Mas senti a desaprovação no meu olhar quando o pessoal começou a... dançar, na falta de um adjetivo melhor. Com aquele rebolado, Elvis decidamente ficaria envergonhado. Só aqui mesmo pra ter essas coisas.
Mais à frente, mais gringos. Dessa vez, um casal, cujo português aparentemente se limitava a 'pagode' e 'fogos artifício'. Pelo inglês sofrível e por algumas frases sem sentido, deviam ser alemães. Arrisquei um "Aus dem Land der Führer?", só pra ver a mulher me mostrar o dedo e o homem lançar impropérios sem sentido. Sim, eram alemães. Afastei-me com um meio sorriso.
Resolvi voltar, quase podia sentir o casal de alemães bufando no meu pescoço. Tinha um posto de gasolina ali perto (devidamente barricado, pra evitar ataques/saques de engraçadinhos), resolvi parar ali pra comprar uma coca. Entre mortos, feridos e bêbados - com predominância dos últimos - tinham alguns moleques, um pouco mais jovens que eu, enchendo a cara, e sobressaltados, porque olhavam toda hora para os lados; deviam estar preocupados com os pais, quem sabe? Entre eles, estava uma menina, guria mesmo, nem peito formado tinha ainda, com uma garrafa de Smirnoff na mão. Não a Ice, a vodka mesmo. A julgar pelo seu comportamento exuberante e sua fala embolada, ela ia virar o ano recebendo glicose. Até pensei em pedir uma dose, mas era melhor manter minha dignidade. Mentira, os pais dela chegaram nesse momento, e enquanto a mãe se acabava de chorar pela filhinha santa que supostamente nunca tinha colocado uma gota de álcool na boca (conta outra), o pai pegou a garrafa e a jogou alucinadamente para trás.
Enquanto essa fazia um arco perfeito no ar, uma multidão de mendigos, surgidos Deus sabe de onde, começou a se juntar no provável lugar que cairia. Entretanto, o destino pode ser bem cruel vez ou outra, já que uma pomba bateu na garrafa e esta caiu nas mãos de um homem mirrado que estava segurando seu champanhe. Foi uma cena insólita, porém cômica, ver os mendigos voando em cima do coitado. Estava engraçado até o sujeito correr na minha direção e me entregar a vodka. No momento que vi aquela multidão crescente de mendigos vir ao meu encontro, pulei o muro que separava a calçada da areia, joguei a garrafa lá longe no mar, e saí correndo. Quando achei que já tinha uma distância segura, olhei para trás. O que tinha de mendigo pulando o mesmo muro que eu - que, percebi agora, tinha bem uns dois metros de altura; o que o desespero não faz -, enfiando a cara na areia, e nadando na direção que eu tinha jogado a garrafa. Só podia esperar que Iemanjá não considerasse aquilo como uma oferenda.
O ano estava acabando, era melhor voltar pra encontrar o pessoal. Desviei de umas duas tampas prematuras no caminho, mas encontrei o povo. E, ao lado deles, na calçada, visualizo um par, digamos, um tanto quanto íntimo. Nada demais, mas visivelmente eram dois homossexuais. Não me importava que eles estivessem ali, mas para quem cresceu ouvindo que homem só gosta de mulher e vice-versa, e tudo o que não fosse isso era, hã, errado. Lógico que não é assim que a coisa funciona, mas enfim... tão somente virei o rosto e fiquei olhando a calçada. O pior é que tinha um homem olhando fixamente pros dois; sua expressão estava entre o divertido e o enojado. E ainda olhou pra mim, rindo. Tive que rir também, a cara do homem estava cômica. É engraçado como ainda existem preconceitos como esse hoje em dia. A julgar pelo olhar do cara, ele devia ser do interior, nunca deve ter visto algo do tipo. Ao menos, não tão escancarado. Só tive certeza que o cabra era mesmo do interior quando ele gritou: "Num tem Caninha da Roça nessa porra não?".
Sentei na calçada, faltavam dez minutos pra meia-noite. Ela tinha tentado abrir o plástico, sem sucesso, e me passou. Mas consegui tirá-lo, só que não podia tirar a fio de metal sobre a tampa, o que resultou na mesma voando na cara de minha mãe. Mas após um gancho de direita (dela), a situação se acalmou. Cinco minutos. Desci para a praia, devaneando.
Era engraçado como todas aquelas pessoas ali, e outras tantas deixavam suas rotinas de lado por um dia, faziam planos e promessas - que eventualmente não seriam cumpridos, em sua maioria - para um novo ano que entrava. Talvez me falte um tanto de sensibilidade, ou compreensão, mas pra mim não fazia diferença, era apenas um dia após o outro, com o sol nascendo no dia seguinte como todos os outros, sem essa real necessidade de tanto alarde. Mas também fico pensando como as pessoas deixam todas as discussões, pendências, e festejam por uma noite inteira como se não houvesse problemas a resolver. Idiotas, porém felizes. Mas felizmente, só existe um réveillon por ano. Mas talvez as pessoas precisem mesmo dessa mentalidade mais fresca, mais tranqüila, mais vezes no ano. Olhei para as estrelas e me virei para encarar as pessoas na areia e na calçada logo atrás, enquanto os fogos explodiam logo atrás. É... é bom que as pessoas se sintam idiotas, porém felizes, nem que seja por uma única noite no ano. Sei lá.
Nesse momento, apareceu uma senhora distribuindo rosas; ela me ofereceu uma e foi embora. Olhei pra flor naquele momento, e fui me lembrando de todos com quem dividi meu ano. Só podia esperar que o ano fosse tão bom para eles quanto seria para mim. Sim, tenho certeza que o ano seria bom, era esperar pra ver. Joguei a rosa no mar, sem saber exatamente pra que aquilo servia. Talvez fosse melhor fazer isso, dona Iemanjá talvez ficasse mais feliz com uma rosa do que com um bando de mendigos. É, é isso aí.
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